terça-feira, julho 26, 2016

Dia dos avós

Quando meus avós eram vivos, esse dia de hoje não era muito popular. Nunca prestei uma homenagem decente a eles.

Principalmente ao meu vovô Norberto, pai da minha mãe, que morreu no meio da aula de auto-escola (ele era o instrutor), quando eu tinha seis anos. Não me falaram nada e eu nem fui ao enterro dele.
Fiquei sabendo depois e me senti traída.

Meu vovô Norberto gostava de tocar violão (meu tio Leônidas herdou o gosto dele). E eu morria de vontade de cantar com ele, mas morria mais ainda de vergonha. Conclusão: não cantava, ficava muda. Ele queria que eu cantasse "Dominique", música que estava na moda naquela época.



Hoje eu canto em um coral e espero que ele se orgulhe de mim. Eu não lembro mais nada dele, a não ser essa breve passagem.

Também conheço as cartas de amor que ele escreveu para a vovó Irene. Tão romântico!

A vovó Ene (Irene) era um doce, um amor de pessoa. Eu adorava os bifes acebolados que ela fazia em uma frigideira toda furadinha. Tenho muitas saudades. Nas férias, eu sempre passava uns dias lá com ela. Eu dormia com ela na cama de casal (o vovô já tinha morrido). Ela me emprestava um roupão quentinho de lã, xadrez. A comida dela era a melhor comida de todo o mundo. Ela era paciente, tranquila, pode ser que eu a tenha visto triste, mas nunca brava. Ela cuidou do meu primo, Rogério, desde pequenininho. Mas nessa época, acho que eu já estava casada, ou tinha uma vida muito corrida e pouco a visitei. Netos/as, visitem mais os seus avós enquanto ainda é tempo.

Do vovô Mário, o que falar?? Ele foi tão presente na minha vida.... Contava histórias, colhia uma flor chamada brinco de princesa para colocar no meu cabelo e eu me sentia assim uma verdadeira princesa. Inventava brincadeiras, comidas italianas para se fazer no Natal. Eu me lembro que sentava no colo dele e ficava perguntando porque Deus não tinha me dado um par de olhos tão azuis quanto os dele... Sempre foi muito carinhoso e dedicado à minha avó Flora.

Vovó Flora escreveu um livro, que finalmente consegui lançar, mas só depois que ela não habitava mais aqui o nosso planetinha. Nunca me esqueci quando ela costurou roupinhas novas para todas as minhas bonecas (eu tinha um monte... filha única, né?? Sabe como é...) certa vez, em um Natal.

Vovó Flora era brava e briguenta, implicante. Mas me amava e eu a amava também, muito. Era tudo para o meu bem, embora me parecesse uma chateação, na época. Quer um exemplo? Andar descalça era proibido. Quando lavava a cabeça, tinha que por uma toalha de rosto no ombro, por causa da friagem. Quem pulava a janela virava ladrão... E por aí vai.... Mas ela era a única que coava o feijão para eu comer, porque eu não gostava daqueles grãozinhos. Sim, eu era mimada. Muito mimada. Esse tratamento não serviu muito bem para me preparar para o mundo aqui fora, mas hoje, quando eu olho pra trás, sinto enormes saudades da vovó Flora e das suas manias.

Hoje eu sou a avó. Procuro ser uma boa avó. Amo a minha neta de um tanto, que não dá nem pra explicar. Escrevi várias cartinhas pra ela, desde antes dela nascer. Estão aqui neste blog, inclusive.

E assim vai indo a vida. Um dia a gente é neta. Piscou, e já é avó.

Passa tudo muito rápido. Como diz o magnífico Herbert Viana: "O trem da juventude é veloz, quando foi olhar já passou!"

Portanto. você aí, mexa-se. Se seus avós são vivos, desligue a novela e ligue pra eles agora mesmo.

Se já partiram, faça uma oração, que eles ouvirão. E certamente estarão esperando por você do lado de lá. Com um bolinho de chuva, um agasalho para o caso de estar meio gelado do lado de lá. Uma história de antigamente. E um abraço apertado.

É isso. Feliz dia dos avós pra todo mundo.




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