sexta-feira, julho 19, 2019

E quando tudo acaba?



Pois é, um belo dia pode tudo acabar. Pode tudo ruir. O castelo de cartas pode desmoronar. A VERDADE pode vir à tona, nua e crua. E aí? Como sobreviver? Como continuar a respirar, a acordar de manhã, a ir fazer as suas coisas, carregando um coração dilacerado dentro do seu peito??

Como esquecer a dor, como perdoar, como não fazer coisas horríveis, do tipo entrar com a foto da amante vadia no FaceApp e colocar um fundo de puteiro fake, só de "brincadeira"? Fazer coisas horríveis não vai aplacar a sua dor. Então vamos lá.

Aqui tem 7 coisas que você pode fazer para sentir-se um pouquinho melhor:

1) Mergulhar no trabalho – Trabalhe, encontre algum trabalho pra você. Nem que seja lavar a louça, varrer o quintal, ou fazer o que você tem que fazer. Dedique-se a esse trabalho como se fosse a última coisa que você faz na sua vida. Capriche, sinta-se bem com você mesma por constatar que você é foda. Você pode fazer uma coisa bem feita. Você é demais.

2) NÃO fazer um novo corte de cabelo – Espere passar mais um tempinho, pois corre o risco de você não gostar e não tem como colar o cabelo de novo. Ao invés de um novo corte, compre uma nova roupa, e mude o penteado. Mas não corte o cabelo. Prenda em um rabo de cavalo, faça um coque, sei lá. Faça alguma coisa para que, quando você se olhar no espelho, você se ame.

3) Fazer ioga – O poder da ioga de mudar o seu estado de espírito é miraculoso. Tem aulas grátis em alguns lugares, se informe, corra atrás. Se possível, pratique todos os dias. Procure na Internet os 5 Ritos Tibetanos e faça em casa. Mexa-se. Sair para caminhar pode servir, em último caso.

4) Encontrar aconchego nos seus amigos do passado – Dê risadas. Muitas, até doer a barriga, sabe? Lembra como é? Marque um café, um vinho, um almoço, uma sopa. Saia de casa e veja seus amigos. Não precisa ser gente nova, que dá muito trabalho. Seja você mesma, mas evite falar de você. Ao invés disso, pergunte sobre a vida dos outros. Isso fará com que você seja mais simpática e esqueça o seu draminha particular. Não se faça de vítima, pelamor.

5) Dormir bem – Se for inverno, durma com um pijama bem fofinho. No verão, ponha uma roupitcha bem sensual. Sinta-se gostosa. Em qualquer estação, durma com um travesseiro extra para se sentir bem confortável. Agora tem uns travesseiros compridos que você pode abraçar e se sentir bem aconchegada.

6) Usar roupas abraçáveis – Vi essa dica uma vez naquele programa Queer eye for the straight guy, lembra? Roupas macias, confortáveis, que as pessoas queiram abraçar, porque você está precisando de carinho. Aceite os abraços e os beijos, ou até mesmo, peça. As pessoas gostam de poder ajudar. E às vezes não sabem como. Um abraço cura muitas dores da alma.

7) Saber que vai passar – Na vida tudo passa. Até tem um vídeo que eu amo com esse conteúdo. Se você tem alguma fé, reze para o seu Anjo da Guarda ou faça como eu (e como o meu ídolo, dr. Peter Liu) e dirija-se diretamente a Jesus, também conhecido como Sananda. Se você não tem fé, ouça uns mantras, que já tá de bom tamanho.

Essas dicas servem para quando a gente leva um pé na bunda no relacionamento ou no trabalho, ou quando a gente tá bem de baixo astral. Espero ter ajudado.

sábado, junho 08, 2019

Pensar = escrever


Pra mim, é assim que funciona e sempre foi assim.
Hoje fui, como quem não quer nada, participar no BDG Constelação Familiar e Encontros Terapêuticos da roda de conversa conduzida pela Iana Ferreira sobre um conto do livro Mulheres que Correm com os Lobos. Muito falado e aclamado. Ainda não li, pra falar a verdade.
Só fui nessa atividade depois de decidir cancelar meu workshop de escrita curativa, que era para estar acontecendo agora, neste exato momento.
Mas a vida vem em ondas, vem e vai. E este momento, pertinho do meu aniversário, não era pra eu curar ninguém e sim a mim mesma.
O conto, independente de gostar dele ou não, traz uma série de reflexões muito pertinentes a todas as mulheres (e ouso dizer, homens também).
Não sou adepta nem mesmo desta divisão entre os sexos, sei que isso parece uma opinião meio polêmica, mas eu acho que a evolução dos seres humanos devia caminhar para uma indistinção entre esses papéis sexuais que aprisionam tanto homens, quanto mulheres em estereótipos limitantes.
Enfim, a discussão principal, minha comigo mesma, não é essa, não vamos nos desviar.
A discussão principal é a necessidade de se integrar dentro de si várias - digamos - personalidades ou talvez emoções que precisam estar em equilíbrio dentro da gente. Porque tudo faz parte do SELF (o inconsciente, muito maior do que o EGO).
Um homem raivoso por ter sofrido os horrores da guerra, uma mulher que ama, uma curandeira que tem todas as respostas, uma montanha, pássaros negros, um urso poderoso: todos esses personagens convivem dentro da gente, nem sempre em harmonia.
De repente, um clic, uma luz: se eu não tivesse desistido do meu workshop, não teria desfrutado desses insights, desses momentos tão iluminados da manhã de hoje, na companhia de mulheres tão fantásticas e poderosas.
Em um determinado momento, sorteamos cartas de um jogo que a Iana nos propôs: a primeira carta era a nossa emoção do momento e a segunda, o nosso desafio.
Minha emoção: animada, sim, estou animada mesmo. Anima = alma. Sou uma pessoa que vive com alma, tanto pro bem, quanto pro mal. Não sou café com leite, não sou neutra. Sou intensa, sou inteira, sou corajosa, e, somente agora, depois de completar 61 voltas no Planeta, enfrento mesmo os meus medos e as minhas raivas. Espirro fazendo barulho, Berro quando eu tenho que berrar. Não sou contida, Não sou morna. Não sou transparente. Embora às vezes seja. Saio à francesa. Sou tímida, sou quietinha, falo baixo, falo manso. Engano as pessoas que pensam que eu sou calminha. Sou geminiana. Tenho duas caras. Dois pesos, duas medidas. Sou tudo isso, sou contradição.
Meu desafio: comunicação. Sim, fiz o curso de comunicação social, sou jornalista, fui assessora de imprensa. Me imagino com um megafone na mão gritando as coisas para o mundo ouvir. Mas gosto de ficar sozinha, gosto de ficar quietinha aqui no meu quarto, a escrever, a refletir, a pensar. Mas preciso dizer ao Mundo as coisas que faço, com todo o amor, todo o coração. Toda a alma, todo o propósito. Preciso praticar mais o que vim fazer aqui neste mundo. Preciso mostrar que escrever tem poder terapêutico e curativo, que é uma ferramenta que está ao alcance de todos. Preciso me comunicar. Preciso perseverar, preciso enfrentar todos os obstáculos deste longo caminho que é um constante subir (e descer) de montanhas, que é um abrir picadas na mata, e ao mesmo tempo ir agradecendo cada um desses obstáculos, que são degraus para a minha evolução.
Fico tão feliz com as minhas descobertas tão singelas que tenho vontade de chorar de alegria.
Vejo que estamos todos caminhando neste mesmo caminho e que os espinhos às vezes ferem a nossa alma, e nos cutucam, sem dó nem piedade.
Mas estamos aqui, todos nesta mesma nave. Um ajudando o outro, um estendendo a mão para aquele que tropeça. Quem nunca tropeçou? Quem nunca quis dar meia volta e retroceder? Quem nunca.... Mas quando esta pessoa insiste e vai, ela inspira muitas outras pessoas à sua volta a seguirem também.
Não tem jeito. Até o dia da nossa morte, aqui estamos, aqui aprendemos, aqui crescemos, aqui choramos e rimos. Vamos então escolher a luz, que torna a caminhada menos penosa. Vamos nos dar as mãos e prosseguir, vamos ser resilientes e ousados/as. Vamos ousar escolher a alegria e colecioná-la em potes coloridos.
Vamos perdoar, esquecer, cantar e dançar. Vamos respirar, olhar pra dentro e sentir o nosso coração bater com força e ritmo dentro do nosso peito. E vamos agradecer, agradecer e agradecer. A energia da gratidão preenche a minha alma. Amém.

quarta-feira, junho 05, 2019

Fazer aniversário sempre dá sorte



Amanhã é meu aniversário. Disseram que dá azar comemorar antes. Até o Papa disse isso!!!! Discordo. Também me disseram que sexta-feira 13 dá azar. Que gato preto dá azar. Para mim, são superstições. Uma vez aconteceu alguma coisa má em uma dessas circunstâncias e passaram a achar que então dava azar. E assim passou a ser. Tudo o que a gente acredita, assim é.

O músico Arrigo Barnabé (ou alguém usando o nome dele, vai saber) disse assim, há mais de 10 anos: "Tolice. Ancore-se no REAL, esquece essas besteiras... a vida é feita de fatalidades, ok!? tanto que tem gente que ganha na loteria justamente no dia do aniversário...  Mais comum ainda é o cara falecer no dia do seu aniversário tb. Ou seja, TUDO pode acontecer. Esquece essas besteiras, seja mais feliz."

Eu decidi que sexta-feira 13 é meu dia de sorte e batata! Toda sexta-feira 13 acontece alguma coisa boa na minha vida. Sempre, invariavelmente.

Hoje, fizeram uma festinha no coral, porque somos 3 aniversariantes de junho. A Márcia já fez aniversário e a Sonia faz hoje. O meu é só amanhã. E daí? Quem disse que não posso receber abraços, beijos e felicitações? As pessoas querem o bem umas das outras. E receber esse bem, essas energias positivas, sempre é bom, é gostoso, eleva a alma e o astral.

Portanto, quanto mais festa melhor! Amanhã tem mais festa e domingo também. Adoro festa, adoro fazer aniversário. “Ah, mas a gente fica mais velha...” E daí? Quem disse que ficar velha é ruim? Rugas, celulite e cabelos brancos já não me assustam mais há tempos.... Que venham os 61, 62, 63, 78, 89... estamos aí. Viver é bacana, eu gosto muito. Não sei bem como é o lado de lá, mas acho que deve ser bacana também. Então, tá tudo bem, tá tudo certo.

Tudo começou hoje com a caixa do supermercado me felicitando, pois estamos no mês do meu aniversário e eu sou cliente mais. Deve ser porque sou uma das que mais gasta dinheiro lá. Mesmo assim, eu gostei. Sei que é porque “apareceu no sistema”. Legal que tenha a data do meu aniversário no sistema. Queria também um vale-compras de 100 reais, mas ela só me deu parabéns mesmo. Tudo bem! Tá valendo.

Tô curtindo a vida e sigo aprendendo. Portanto, sigo jovem. No dia em que eu parar de aprender, poderei me considerar velha. Mas por enquanto, não. Me choco com algumas coisas e a minha filha me explica que é assim mesmo. Tento então acertar o passo e o pensamento. As coisas mudam, evoluem, embora a gente tenha a impressão, às vezes, que involuem (sei que a palavra não existe, mas peço uma licença poética para usá-la aqui). Mas acho que estamos errados, enxergando a vida com os nossos óculos velhos e embaçados.

É importante termos a mente e o coração abertos para o novo. É isso que nos mantém jovens e não a cirurgia plástica, a tintura nos cabelos e os tratamentos de beleza milagrosos. É importante não nos fecharmos no nosso mundinho e nas nossas ideias que já estão cheias de teias de aranhas e mofo.

Eu procuro sempre me desafiar e ficar atenta para não ser ranzinza e implicante. Isso não quer dizer que sempre consigo. Por isso usei o verbo “procuro”. Procurar nos mantém ativos e ligados no que acontece à nossa volta. Procurar nos mantém jovens. Mas que obsessão essa nossa de querermos permanecer nesse território tão estreito da juventude, né?

Outro dia nossa filha veio nos visitar e o porteiro anunciou, respeitoso, que a “Dona Biba” estava aqui! Ri muito. Até ela, do alto dos seus 26 anos, já está sendo chamada de Dona! Eu me lembro muito bem de quando começaram a me chamar de “senhora”. Eu tinha só 27 anos. Fiquei chocada. Agora, com 60, beirando o 61 por menos de uma hora, eu gosto que me cedam o lugar no transporte coletivo e aceito satisfeita a gentileza. Adoro pagar meia no cinema. Curto muito ser avó.
Por isso, podem me dar os parabéns todos os dias por estar viva e com saúde, que eu acho que eu mereço mesmo. Gracias a la vida!

quarta-feira, maio 15, 2019

Faxina, eu??



Quando eu era menina, estudante, não queria saber de fazer faxina e nem de arrumação de nenhuma espécie. Meu guarda-roupa era um emaranhado de roupas que eu ia “socando” lá, sem nenhum método. Minha mãe queria o quarto arrumado e eu enfiava e escondia a bagunça toda dentro do armário. Minha avó paterna também morava com a gente e ela me defendia: “Ela vai ter empregada, não precisa aprender a cozinhar nem fazer faxina”. E eu acreditava piamente nisso. Minha mãe respondia: “Ela tem que aprender para saber mandar, pelo menos”. Entrava por um ouvido e saia pelo outro. Eu era boa aluna, era considerada inteligente pelos professores, tirava boas notas, achava que o meu caminho para o sucesso profissional estava pavimentado e que eu naturalmente e sem nenhum esforço teria um ótimo emprego e um excelente trabalho, que nem o meu pai. Meu pai não era engenheiro, mas era tão competente e inteligente que tinha sido contratado como engenheiro na Refinações de Milho Brasil, tinha um ótimo salário e a minha vida infantil foi tranquila e confortável.
Mal sabia eu que a minha vida não seria esse mar de rosas, profissionalmente falando. Metida, eu me achava muito importante já desde o meu primeiro emprego, um estágio no DSV onde eu tinha que me humilhar e fazer chatíssimos relatórios de rádio-escuta. Aquilo era a morte pra mim. Zero de criatividade, zero de inteligência. Apenas um trabalho braçal. Eram 5 cópias desse maledeto relatório, com papel carbono. Cada cópia tinha um destino.... Certo dia, estava eu a distribuir as cópias para os respectivos destinatários, quando a secretária de um deles (por sinal, uma jornalista a quem vou poupar a identidade), jogou o meu relatório na lata de lixo na minha frente, dizendo que o chefe dela não lia aquilo.
Ohhhh!!!! Fui correndo contar ao meu chefe. A partir do dia seguinte, eram só 4 cópias.
Bom, isso foi apenas no primeiro emprego. E a história não foi muito diferente nos demais. Eu sempre ficava na minha plataforma da superioridade, olhando de cima até os meus chefes. Resultado: nunca me dei bem. Nunca soube fazer a política necessária para galgar posições. Desempenhava tarefas que me aborreciam e me sentia menosprezada, diminuída. Foi sempre assim. Fazia tudo sem alegria, sem paixão, sem amor. O salário no fim do mês era correspondente a esse meu comportamento e sentimento.
Hoje, moro em um apartamento pequeno, vivo (eu e meu marido) de aposentadoria. Ou seja, adotamos o estilo minimalista, que tá na moda, é bacana e tem a ver com o nosso rendimento mensal, que – claro – não é lá essas coisas. Mas tá tudo bem. Não temos mais tantas despesas. O clube agora é grátis, não tenho vontade de comprar nada que seja de grife e sim do pequeno, não temos mais o sonho da casa própria (nossa casa está alugada e pagamos o aluguel deste apê com o dinheiro recebido lá). Além disso, passei a ser a pessoa mais organizada do mundo, fã de carteirinha da Marie Kondo e das suas dicas. Aprendi, recentemente, a dobrar as camisetas no seriado dela no Netflix. 


Não tenho empregada e nem faxineira. No começo, eu esbravejava quando fazia a faxina. Imagine, eu, jornalista graduada pela ECA-USP, com curso de especialização também na ECA-USO, tendo que me sujeitar ao aspirador de pó, ao esfregão e aos produtos de limpeza! Revoltadinha, eu fazia a limpeza resmungando. Só que no final, acabava descobrindo um sentimento bom de autossuficiência, de liberdade, de independência, de ninguém ter que limpar a minha sujeira.
Resolvi dedicar as quartas-feiras pela manhã à faxina. Fui descobrindo que não é um bicho-de-sete-cabeças. Fui percebendo, aos poucos, que por mais que não seja uma tarefa criativa, pois é extremamente repetitiva e até um pouco pesada, dá prazer estender o lençol limpinho na cama, depois de tudo limpo e cheiroso.
Fui vendo que, conforme a gente vai limpando o nosso ambiente externo, também as ideias e sentimentos vão sendo limpos, higienizados.
Fui notando que a faxina tem valor, que mexer nos nossos objetos, analisando a cada semana se eles nos trazem felicidade, é uma ação que só nós podemos fazer. Não tem como delegar isso a quem quer que seja. É só pegando objeto por objeto, passando um pano ou lavando, para tirar o pó, é que vamos nos conectando ao nosso espaço onde vivemos e convivemos com as pessoas que escolhemos dividir o teto. Assim, comecei a sentir um enorme prazer nessa atividade, que continuo a desempenhar religiosamente todas as quartas pela manhã. Me sinto leve, me sinto feliz, sinto um prazer muito grande em fazer as atividades que uma casa exige para que possa ser chamada de lar.
E o sentimento que fica, depois de todas essas minhas confissões, é de uma profunda gratidão. Sou grata a Deus pela minha vida, pela minha saúde, que me permite fazer esta faxina cuidadosa, sem depender de ninguém, sou grata à minha mãe que queria me ensinar (e continua até hoje me dando dicas de produtos de limpeza, de técnicas e dicas – como, por exemplo, usar vinagre de arroz para limpar a pia e o fogão), sou grata à minha avó que me defendia, com a melhor das intenções. Sou grata pela minha casa, este apartamento novinho em folha e pequenininho, onde moro há menos de um ano e que tem tudo a ver com a nossa fase atual. E sou extremamente grata ao meu marido que é um maridão e que me ajuda, com aquele jeito dele, todo afobado, sem frescura, repetindo que “não tem tempo ruim”, sei que ele tem um coração enorme e que também quer se sentir bem aqui dentro.
Fico aqui a refletir sobre aquele ditado popular: Deus escreve certo por linhas tortas. Mas acho que nós é que somos os burros de não entendermos que as linhas de Deus nunca são tortas. Nossa visão é que distorce a realidade. E a realidade sempre traz o bem. Nós é que precisamos ter “olhos de ver”. Precisamos ver e enxergar que a vida sempre é boa, sempre nos traz aquilo de que precisamos. E as lições nos chegam o tempo todo. Podem vir até da prosaica faxina semanal. É isso....

sábado, maio 04, 2019

Relacionamento (s)


Hoje foi o primeiro dia em que tratei do tema "relacionamentos" no meu workshop de escrita curativa. Participaram 8 pessoas fantásticas, cada qual deu a sua super colaboração para avançarmos na compreensão da importância do uso consciente das palavras e da escrita na definição dos relacionamentos na nossa vida mundana aqui no Planeta Terra.

Eu estava apreensiva com o conteúdo do workshop, porque momentaneamente me esqueci de que o conteúdo quem traz são mesmo os participantes. Adoro ser a "facilitadora" e apenas isso.

É só a gente dar corda, que as pessoas têm tanto a dizer, a sentir... É muito lindo ver o trabalho fluir como flui sempre. E eu estou vendo que sou boa nisso de dar corda. Aos poucos, ganho confiança em mim mesma e tenho a coragem de me colocar ali vulnerável, aberta e pronta para receber. Eu recebo tanto com cada um desses meus workshops! Difícil até de relatar.

O que eu levei? Levei as 7 palavras gregas para o amor. Cada qual com seu sentido específico e particular. E os participantes me brindaram com reflexões e textos de uma profundidade, de uma qualidade... de cair o queixo. E provoquei-os a escrever uma carta de amor.

Além da cascata enorme de coincidências! ("Coincidências não existem" - OK, sincronicidades) Elas me deixam atônita ao observar o desencadear de fatos felizes.....
1) A Léa pergunta para uma mocinha (a Daiana) onde fica a rua Rodésia e ela acaba participando do workshop.
2) Uma amiga da Dulci levava uma boneca com ela e insistiu para a Dulci ir com ela a uma festa de aniversário em que adultos brincariam como crianças.... E hoje ela descobriu que a amiga estava indo justamente na festa da Tânia! E a Tânia fez a festa como consequência do workshop em que a gente dialoga com a nossa criança interior.
3) A Juliana (minha amiga facilitadora da dança sagrada circular, que a gente faz no final) escolhe uma música para a dança que é a mesma música que a Daiana usa no final das suas palestras.

Resolvi escrever isso para não esquecer. No dia em que eu for escrever o meu livro de escrita curativa, este capítulo já estará pronto.

Isso sem falar no conteúdo magnífico das cartas de amor que essas 8 pessoas escreveram, não com caneta e papel, mas sim com a alma e o coração.

Portanto, eu agradeço, agradeço, agradeço e nunca será o suficiente.

O próximo workshop no BDG será no dia 8 de junho de 2019 (sábado), e o tema será saúde. Meu maior desejo é que todos voltem para outra rodada de trocas tão ricas quanto as de hoje!


domingo, março 17, 2019

Escrita curativa


Meu workshop de escrita curativa, que começou em Portugal, já completou um ano de vida. Parece que foi ontem! E hoje, no BDG, o workshop foi para lá de especial. O tema foi "espiritualidade e amor universal".

Cada pessoa escolhia uma palavra que tivesse relação com o tema. Uma das "tarefas" do pessoal foi criar uma oração para Deus / Ser de Luz, em que a palavra aparecesse.

Ao chegar em casa, tive essa inspiração de escrever uma oração, unindo as palavras de cada um dos 10 participantes, na ordem em que foram mencionadas no workshop. E o resultado final ficou assim:

Querido Deus, amado Pai Celestial, centelha divina que habita meu peito, meu Eu Superior,

Aqui estou eu, Pai, esta tua filha às vezes malcriada, às vezes somente ignorante, que se debate dia a dia nesta existência na matéria, por vezes desnorteada, sem saber o que o que pensar, como agir, pra qual santo rezar ou que rumo tomar.
Preciso tanto de Ti, Pai amado.
Aqui estou eu, Pai, prostrada aos Teus pés, para te louvar e rogar Tua misericórdia e Tua intercessão para que eu consiga trilhar essa jornada de crescimento espiritual obedecendo cada uma das Tuas leis tão perfeitas e plenas de sabedoria
Aqui estou eu, Pai, participante deste pobre grupo de almas e de consciências que precisam despertar de um sono de indiferença de séculos, para ativar a poderosa divindade que dorme no interior de cada um de nós.
Aqui estou eu, Deus, Pai todo poderoso, em busca de paz, em busca do meu lugar no seu infinito e imponderável universo, ansiando que Tu possas me ajudar a encontrar meu propósito maior nesta vida. Que eu possa cada vez mais me dirigir a Ti com meu coração cheio de amor e de gratidão com cada vez menos rogativas. Que minhas palavras te alcancem aí onde você estiver, e que este lugar seja bem aqui, dentro do meu coração.
Que assim seja.

quarta-feira, fevereiro 27, 2019

Querida amiga E.


(O E. é para preservar a identidade da minha querida amiga, mas ela saberá que escrevo este texto para ela).

Muitas vezes, pensamos porque acontecem coisas ruins para pessoas boas. Será que Deus não é tão bom assim, afinal? Por que algumas cargas emocionais nos parecem tão pesadas e tão desproporcionais ao merecimento de certas pessoas?

Acho que estas são as perguntas mais difíceis de serem respondidas. Mas também as mais fáceis. E a resposta resume-se a uma simples palavrinha: o amor.

Algumas pessoas erram muito mais do que outras. Por "n" razões, até mesmo razões médicas. Pessoas erram, Todas as que estão aqui no Planeta, sem exceção. Eu, particularmente, acredito que todas as razões para o erro são espirituais, acima de tudo.

E para suportar tanto peso, tanto tristeza, tanta violência, tanta decepção, é preciso que ao lado dessa pessoa que erra estejam outras pessoas capazes de amar incondicionalmente. Amar mais do que as pessoas "comuns". Ninguém é uma ilha, ninguém vive sozinho. Temos que aprender a viver e a "com-viver".

Por isso, diante de tanta excepcionalidade (no sentido negativo), só mesmo mais excepcionalidade (no sentido positivo) para contrabalançar, para equilibrar. São degraus difíceis de serem galgados. Mas a subida não é impossível.

Com a rede de empatia que se constrói ao longo do nosso caminho nesta vida, conseguimos atravessar as noites mais sombrias, as provas mais duras, escalar os picos mais altos. É difícil se colocar no lugar do outro? A empatia pode ser bonita na teoria, mas na prática é difícil imaginar e sentir o que o outro sente.

Mas acontece que nós todos estamos aqui em um curso intensivo de aprendizagem do amor.
Como não amar um filho, que foi gerado nas nossas entranhas e que agora nos parece uma pessoa estranha?

Por mais que a gente possa condenar os atos de alguém, essa pessoa merece compaixão. Piedade. Amor.

Tem uma frase bem conhecida, que é designada como um provérbio sueco, que diz assim: "Procure me amar quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso". Essa frase é muito boa para refletirmos sobre os momentos em que o amor deve ser mais cultivado nesta nossa vida aqui neste planetinha.

Sei que quando a gente tá triste, tá pra baixo, tá decepcionado, tá sem entender os acontecimentos, a tendência é termos vontade de desistir, de chorar, nos faltam palavras, ficamos perplexos diante de certas atitudes.

Mas é justamente aí que precisamos vibrar amor. Muito amor e mais amor. É nessas horas que temos que recorrer aos seres de LUZ que velam por nós, que nos inspiram, nos amparam, nos protegem... eles estão ao nosso lado, e ouvem as nossas preces.

Esses anjos da guarda aguardam pacientemente a poeira baixar. Nos enviam eflúvios de LUZ e de consolação.

Nesse momento, também cabe aquele famoso conto do rei, que queria uma palavra "mágica" para os momentos de aflição e de dor, do vídeo que postei aqui.

E eu só posso mesmo oferecer meu ombro, minha solidariedade, minha empatia, minhas orações, minhas vibrações positivas, minhas palavras....

Fique bem, minha amiga. Sobretudo, tenha a consciência tranquila - você fez e faz tudo o que pode e mais um pouco. E é isso, vai passar.

Boa noite, durma bem.

sábado, fevereiro 02, 2019

O que é escrita curativa?


Ainda sob a forte emoção da vivência de hoje, aqui estou eu no meu querido diário virtual outra vez para agradecer ao Universo (Deus?) pela oportunidade que Ele me deu de compartilhar um bocadinho do que aprendi nesses meus 60 anos de vida com relação ao poder que as palavras têm e a como podemos usar esse poder a nosso favor.
As palavras estão presentes em nossa vida o tempo todo, mas a gente vive a maior parte do tempo no "piloto automático" e nos esquecemos de que as palavras podem curar. Olha só que imenso poder temos ao nosso dispor!
A escrita curativa nada mais é do que a oportunidade, por meio das palavras, de fazermos verdadeiras viagens no tempo e reconstruímos o nosso passado doloroso, e criamos o nosso futuro brilhante. Nós podemos tudo! Temos esse poder, mas às vezes nos esquecemos dele. As palavras nos ajudam a nos conectar a esse nosso poder.
O papel (ou o computador) podem nos ajudar a organizar ideias, pensamentos, sentimentos, a botar ordem na casa (o nosso interior).
Aprendi que, ao escrever, soltamos os nossos fantasmas e eles deixam de nos assombrar.
Ao escrever, nos ligamos uns aos outros, quando compartilhamos as nossas palavras, isso quando elas chegam carregadas de verdade, de alma, de coração. Elas rasgam o nosso peito e nos ajudam a decifrar o que tem lá dentro. Não estamos sós.
Palavras, sentimentos, emoções, doces, não tão doces, dolorosas. As palavras nos dão CORAGEM de lidar com as nossas emoções mais íntimas e mais escondidas.
A escrita curativa é esse mergulho. Um mergulho profundo.... mas quando a gente tá lá embaixo, vemos que não estamos sozinhas, sozinhos.... tem gente esticando a mão e nos puxando pra cima, pro alto, pro lugar onde estão os nossos desejos, aguardando para serem realizados.
Nós podemos tudo.
A união, o encontro, a conexão.... Cada pessoa traz uma palavra e a sua palavra é a sua verdade. Nada é por acaso. Uma palavra se liga à outra e à outra, e todas se interconectam dando novos sentidos a palavras por vezes esquecidas.... empoeiradas. Mas elas ganham novo brilho, nova vida, e se revestem de novos significados.
As palavras de hoje foram: gangorra, gincana, escola, sentir, aconchego, experiência, amor e renascimento (por ordem cronológica, da mais nova à mais velha).
"Na escola do sentir, experimentar o movimento da gangorra, que sobe e desce, preenche e esvazia, aconchega e desafia, gera o movimento do amor. "
Gratidão profunda ao dia de hoje, a quem foi lá, de tão longe, à contribuição de cada uma, com suas singularidades e intercessões. Gratidão, gratidão, gratidão........

sábado, janeiro 26, 2019

A Esposa (filme)


O filme permite vários níveis de interpretação e "leitura". Você pode sair do cinema odiando o marido que se apropriou dos textos escritos pela mulher e ainda por cima a traiu a vida inteira. Pode julgá-lo ou julgá-la: – “que burra... como ela deixou que ele se apropriasse assim do talento literário dela?”. Mas o filme não é tão raso. Podemos elogiar as atuações dos atores e especialmente da protagonista Glenn Close, no papel da brilhante escritora que sempre viveu à sombra do marido, que ficou com todos os louros (incluindo um magnífico Nobel de Literatura), sendo que tinha sido ela a “consertar” o texto originalmente pobre do marido. Podemos tudo, na condição de meros espectadores da história.
Porque podemos tudo, eu escolhi chorar.... Chorei na cena em que ele recebe a ligação telefônica, comunicando que havia sido escolhido para receber o prêmio Nobel de literatura. Gente... meu coração até acelerou. Não existe honra maior para um escritor. Um sonho!
Chorei também na última cena, quando ela, já no voo de volta, passa a mão com carinho na página em branco do caderno de anotações, tesouro de muitos escritores....
A página em branco... Ele tinha comentado sobre a página em branco no discurso dele, terror de quem não tem o dom da escrita, ela é idolatrada por aqueles que dominam as palavras e sabem como bailar com elas no papel... Pelo menos as pessoas da minha geração (tenho 60 anos) têm certa intimidade com o papel em si (e não a tela do computador), o lápis e/ou caneta. Muitas vezes, é no caderninho de anotações que nascem as sentenças que, buriladas, se perpetuarão mais tarde no livro.
Eu tinha mania de escolher uma boa caneta esferográfica antes de escrever... uma caneta que deslizasse suavemente pelo papel. Podia até ser uma prosaica Bic. Em geral, as Bics não costumam falhar. Só falham quando a gente chora em cima do papel, daí ele enruga e a caneta engasga ali.
Escolhida a caneta boa, enchi cadernos e mais cadernos com meus pensamentos, desabafos, observações, lágrimas, dores, alegrias... mais dores do que alegrias. Era daquele jeito que eu me curava. E foi assim a minha vida inteirinha. Por isso, eu queria que o filme tivesse sido todo diferente. Ele foi baseado em um livro. E eu escreveria outro livro. Aliás, eu escreverei outro livro.
O filme é altamente inspirador. Dá uma vontade danada de escrever, escrever, escrever, até que as palavras se transformem em diamantes, capazes de emocionar, de fazer brotar uma lágrima, ou esboçar um sorriso, ou até mesmo uma gargalhada. Como eu amo a literatura! Como o meu coração pula de alegria diante da mera oportunidade de alguém ler o que escrevo. E gostar!
Enquanto o meu dia de ganhar o Nobel da literatura não chega, sigo a escrever. E a ler. Me alimento do poder das palavras. São elas que nos conduzem vida afora, porque nosso pensamento é feito de palavras. Há palavras doces, ácidas, amargas, gordas e magras. Há palavras duras, macias, de todas as cores. Tudo de que elas precisam é serem combinadas, elas podem tanto ferir quanto curar feridas, acalmar mentes e corações, podem até curar.
É por isso que faço o workshop de escrita curativa. Porque acredito que todos têm o poder de usar as palavras a seu favor. Ainda que isso não seja literatura, é o poder que todas as pessoas alfabetizadas têm e às vezes se esquecem, ou talvez não saibam, não tenham consciência desse poder.
O autoconhecimento é um longo caminho, sem atalhos, mas com degraus, é preciso subir um a um para chegarmos a nos elevar um pouquinho que seja. Um pouquinho de cada vez, um pouquinho a cada vida.
E assim vai, e assim desviei de falar do filme, falei de mim, falei das palavras, costurei uma na outra e voltei ao princípio. Como não dá para ler os livros que ela escreveu para ele (como fiquei curiosa para ler “A Noz”!!!), vou atrás do livro que deu origem ao filme, para mergulhar mais fundo nessa história de muitos níveis.
Resumindo, o filme é magnífico, não perca. E ver o filme no Cine Sala (ex-Fiametta), na Fradique Coutinho, torna a experiência cinéfila ainda mais deliciosa.

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Hoje eu me emocionei


Hoje eu me emocionei ao receber esta carta de mim mesma, enviada um ano atrás, já com o "sotaque" português. Eu tinha acabado de realizar o meu primeiro workshop de escrita curativa.

Tem este site, Future Me, em que você pode escrever um e-mail que será entregue para você quando você determinar.

Incrível! Eu não imaginei que estaria de volta a SP... Escrevi bonito, aquele dia... Quer ver??

Dear FutureMe, 
No sábado passado você ganhou seus primeiros euros com seu workshop de escrita curativa. Não sei como você estará aí no futuro, se esse seu projeto evoluiu e se você começou a sentir-se mais segura nesses eventos que faz, se você está mais segura nos vídeos, e se as pessoas estão a gostar de você e do que você diz a elas. Mas lembre-se deste comecinho, de como as coisas começaram a fluir tão rapidamente que você quase esqueceu de agradecer por toda a AJUDA DIVINA que levou você aonde está aí no futuro. Valorize cada pessoa que se dá ao trabalho de participar dos seus workshops. Tomara que você tenha aprendido a transmitir direitinho tudo o que você sabe a respeito do poder da palavra. Que esteja falando de forma fluente e que tenha prosperidade e abundância na sua vida. Tomara que a sua casa seja aquela dos seus sonhos. Agradeça por isso. Lembre-se de mim aqui neste computador, torcendo para tudo dar certo, com as mãos geladas, um pouco ansiosa, mas segura de que você começou, finalmente,a seguir o que era para ser, com propósito de ajudar as pessoas a sentirem-se mais confortáveis com as palavras pensadas, ditas e escritas. Lembre-se de mim aqui, sem saber se ia dar certo.... Hoje, temos a primeira palestra marcada para março. Pegue na minha mão e diga que tudo deu certo. 
Te amo, estamos juntas. 
Te peço perdão por ter sido covarde e não ter começado isso antes. 
Sinto muito por ter hesitado durante tanto tempo. 
Sou grata por ter finalmente cedido a esse impulso interior por começar a fazer o que eu tinha que fazer nesta minha vida. Espero que estejas bem e bem feliz. 
Silvia