sexta-feira, setembro 28, 2018

Para não dizer que nunca falei de política


Por que a política não dá certo no Brasil
Eu acho que all you need is love, que é o slogan deste meu blog. Mas hoje, vou falar de política. Mesmo porque tudo de que o Brasil precisa é de amor. E nenhum dos candidatos a presidente fala em amor. Nenhum deles.

Também fui influenciada pela seguinte postagem no Facebook de um amigo: “No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise.” Homero para Dante Alighieri, em A Divina Comédia.

Como não quero ir para o inferno, embora não acredite que ele de fato exista (mas isso é tema para outro post), resolvi falar (ou escrever) sobre o meu ponto de vista, muito particular.

Estive a refletir nos últimos dias e vi que a política não dá certo no Brasil por vários motivos. Mas tem um que nunca vi ninguém falar. O brasileiro vota como se fosse um jogo, uma competição, e o seu desejo é “ganhar” – ele quer que o candidato dele ganhe. Por isso, não vota em quem ele acredita que será o melhor governante, mas em quem ele acha que tem mais chances de ganhar. E as pesquisas são perversas, nesse sentido. As pessoas votam em que está na frente nas pesquisas. Elas querem “ganhar” esse jogo eleitoral.

A maioria não busca conhecer as propostas dos candidatos, a maioria nem sabe o que é esquerda e direita. As propagandas (todas, sem exceção) são enganosas. E o povo sofre. Meu Deus, como sofre esse povo brasileiro! Como sofrem os miseráveis que circulam pelo centro de São Paulo. Como dói ver isso.

Quem teve a oportunidade de ter uma vivência curta que seja no exterior, sabe que a faxineira da academia tem carro e tem a mesma qualidade de vida dos frequentadores da academia. Estou usando o meu exemplo, de Portugal, país que tive a felicidade de conhecer de “dentro”. A faxineira, normalmente nascida na Europa Oriental, viaja nas férias, compra comida boa e barata no supermercado, compra roupa bonita e barata, come eventualmente em restaurantes, seus filhos estudam na mesma escola do prefeito (ou do presidente da câmara), tem acesso a boas condições de saúde e de educação.

Mas aqui? Meu Deus, são quilômetros ou anos-luz de distância da realidade de lá... Outro dia desci do ônibus no ponto errado com a minha mãe e passamos atrás da Estação da Luz. Vimos pessoas em condições abaixo da miséria vivendo na rua, dormindo no chão, com lixo do lado, alguns animais são muito mais bem tratados do que aquilo. Aquelas cenas me reviraram o estômago, me revoltaram, me entristeceram. É triste, muito triste, ver como a corrupção na política destruiu qualquer esperança de uma vida melhor para aquelas pessoas. Será que algum candidato a qualquer cargo eletivo passou por ali, algum dia, mas fora da bagunça da campanha?... Será que algum deles teve a chance de ver como a vida daquelas pessoas está a evaporar em meio à sujeira, à miséria, à pobreza extrema? Será que vai adiantar votar em fulano ou beltrano, nessas eleições?

Minha fé é pouca, para qualquer lado que eu olhe. Vejo oportunistas por todos os lados. Vejo gente falsa, dissimulada, discursos vazios e propostas nulas. Vejo propostas de ódio, extremistas de um lado e de outro... até quando, meu Deus do Céu, este nosso povo vai sofrer desse jeito? Será que a vida daquelas pessoas vai mudar, quer seja fulano ou beltrano que vença essas eleições?

Nos países em que o voto não é obrigatório, a coisa pública funciona muito melhor, porque os supostos candidatos precisam ainda convencer os eleitores a votarem. Juro, eu não queria mesmo votar. Tem algum candidato que defende que o voto não deveria ser obrigatório?

Eu tenho 60 anos. Nesse tempo todo, tenho certeza que se nossos políticos fossem minimamente honestos, teria dado tempo de alguém ter mudado a situação do Brasil, se não tivesse tido tanta roubalheira, tanta corrupção. Teria dado tempo de investir em saúde e em educação, para não precisar investir em segurança. Em um período de 20 anos, uma nova geração de jovens capazes de ajudar o combalido Brasil teria sido criada. Mas nada foi feito, ou melhor, tudo o que foi feito foi na direção errada. Triste, muito triste a situação desse nosso pobre Brasil.

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