quinta-feira, outubro 22, 2026

“Seu tempo já foi”: o diálogo comigo mesma outro dia


Bom, primeiro, preciso contar que a rádio Eldorado voltou! Que alegria. A Porto decidiu patrocinar a rádio, numa nova fase. Preciso ouvir online. 

Depois, só para tirar as teias de aranha aqui do meu querido blog, eu quero republicar aqui o texto que publiquei outro dia no LinkedIn. 

E dizer que sim, eu apoio o Lula nas eleições deste domingo. 

Dito isso... vamos ao artigo que publiquei no LinkedIn no dia 14 de outubro: 

SEU TEMPO JÁ FOI

Outro dia, durante a meditação matinal, minha mente não se calou. Ficou ali a protestar:

“Será possível que nenhuma editora vai se interessar pelo meu livro Sexygenários?”

 “Dificilmente, Silvia” – era eu própria a responder para mim mesma. – “Você tem uma presença insignificante nas redes sociais, não conhece ninguém de peso no mercado editorial, e, ainda por cima, está isolada aqui em Portugal. Já está aposentada. Melhor desistir.”

“Mas, poxa vida, eu sempre vou à livraria Bertrand, no shopping La Vie, nas Caldas da Rainha, e vejo tanto livro lá nas prateleiras, de tanta gente desconhecida assim como eu... Será que vou morrer com esse sonho por realizar?”

“Olha, Silvia, se eu fosse você, eu tirava o meu cavalinho da chuva. Você já fez tudo o que podia. Mandou e-mail para mais de 50 editoras, daqui e do Brasil. Teve algumas respostas automáticas negativas e um talvez. Agarrou-se ao talvez, mas não deu em nada. Morreu na praia. Talvez seja melhor você se recolher à sua insignificância, aos seus scrapbooks, crochês e tricôs e parar de sonhar com isso. É mais fácil e você sofrerá menos!”  

“Ah... Mas eu não me conformo. Meu livro não é um romance fofo de vovozinha. Ele fala de temas atuais e coloca dois idosos como protagonistas. Estamos cansados de ser sempre os coadjuvantes das histórias. Não me conformo que nenhuma editora me note, me veja, me enxergue. Sabe o que é a pior coisa da velhice? Não são as doenças e as dores nas juntas, mas a invisibilidade. Ninguém te vê! Isso não é justo.”

“Pronto, ok, já desabafou? Então agora vai lá fazer as suas coisas e deixa essa história de querer produzir o seu primeiro romance aos 68 anos de idade para lá. Seu tempo já foi! Vai ver esse sonho não é para ser realizado nesta sua vida. Paciência...”

“Tá bom. Você me convenceu. Eu desisto. Só vou publicar este nosso diálogo no LinkedIn. Vai que...”

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Os comentários que recebi foram encorajadores: 

Meu marido disse assim:

"O problema de uma autoria desconhecida que chega pela primeira vez à admissão das editoras é histórico.

O primeiro romance de Stephen King, "Carrie", foi rejeitado por dezenas de editoras, levando-o a desistir. Só a confiança e encorajamento da esposa o levou a persistir mais tarde e a insistir até ser publicado. Tornou-se um livro editado em todo o mundo, adaptado ao cinema, tendo revolucionado a escrita do género e foi o início de uma carreira brilhante.
Neste calvário da primeira publicação foi acompanhado por George Orwell, Agatha Christie (5 anos sem conseguir publicar), F. Scott Fitzgerald, James Joyce, Nicholas Sparks ( o campeão das vendas ...), Le Carré, Margaret Atwood, Beatrix Potter, Steinbeck e até (pasme-se!!!...) J. K. Rowling. Isto são alguns que fizeram história. Agora imagina os incontáveis que desistiram e deixaram obras maravilhosas na gaveta ou as destruíram...

Não desistas!... Insiste... " 

Respondi: "
Muito obrigada pelo comentário e pelo estímulo. É muito difícil atravessar esse "pântano de areias movediças" da vontade de ver o seu livro publicado por uma editora do "mainstream". Mas tudo bem... Vou tentar manter a energia positiva e a esperança."

Depois, veio a amiga Elis Monteiro: Seu tempo não foi NADA! Mas que a presença nas redes sociais ajuda, ajuda... Saudades de vc, querida!

Respondi: "eu também de você!! É verdade... ando um pouco sumida. Mas vou voltar!! rsrs "

Depois, recebi um comentário do Luiz Gonzaga Fragoso: "Uma alternativa à via tradicional, do contato com editoras, são os concursos literários. Há uma grande quantidade deles por aqui. Em 2006, minha companheira estava prestes a desistir quando enviou seu livro para um concurso do MEC, época em que Fernando Haddad era nosso ministro da Educação (um luxo!). Ela dizia: "Se este não der em nada, jogo a toalha de vez". Deu certo, e abriu-lhe as portas para os 42 livros que publicaria na sequência."

Respondi: "Uau! Que relato mais inspirador! Muito obrigada por compartilhar a história da sua companheira! Fico genuinamente feliz com o sucesso dela. Vou procurar me inscrever em algum concurso, sim. Boa ideia!"

E ele arrematou: "Boa sorte pra ti! Insista que uma hora dá certo."

Em seguida, veio a Thalia Cerqueira: "Belo texto, e o título do seu livro já desperta curiosidade. Não desista;)"

E eu: "
Muito obrigada pelo estímulo e que ótimo saber que o título desperta curiosidade! Quem sabe publico alguns trechos por aqui! 😜"

Meu próximo artigo, com um trecho do livro, está pronto, mas só vou publicar depois das eleições.

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