Chic
"Eu acho chic", diz a Giose. E agora tem a "coluna" Chic da Glória Kalil na rádio Eldorado.
Hoje, por exemplo, enquanto eu estava no posto de gasolina abastecendo, ela falava sobre ser chic no trânsito.
Eita coisa difícil em SP....
Eu fico pensando: "pô, porque esse cara quer ser mais "gostoso" do que eu e vai passar na minha frente?" - sabe quando vc vem naquela faixa que não anda e o espertinho vem na faixa ao lado e quer passar justo na sua frente??? argh!! que raiva... "Não vou deixar, não..." e grudo de tal maneira no carro da frente que nem uma mosca consegue passar pelo vãozinho que sobra.
E lá vou eu com aquela cara de vitoriosa.
Outro dia, eu tava na faixa da direita, tentando entrar na da esquerda e tinha que passar na frente de um caminhão e-n-o-r-m-e. Fui me enfiando devagarinho na frente dele mas ele soltou uma buzinada tão alta na minha orelha que voltei rapidinho pro meu lado. Mas trânsito vai, trânsito vem, tive a chance de ultrapassar o safado. Dei a mesma buzinada de volta e fiquei toda feliz...
Depois, lá na frente, ele passa e fica me encarando...
E assim é a minha vida no trânsito de SP, disputando forças com caminhões, carros com vidros escuros (que eu o-d-e-i-o) e, ironia do destino, tô andando em um desses ontem e hoje. É que o Tom acha o máximo e mandou "filmar"- argh! - os vidros do carro dele. E como ontem quando fui pegar a Parati ela tava com o pneu no chão, não tive outra alternativa e saí com o carro dele.
O Guilherme, como sempre, vai com o meu carro, pega o da empresa onde ele trabalha e deixa o meu carro lá não sei em que quilômetro da estrada...
Portanto, hoje vim de novo com o carro do meu filho.
Só faltava ele ter aquele gancho-de-não-puxar-nada atrás. Que eu tb odeio.
Ai, meu Deus do Céu... preciso aprender a ser "chic" no trânsito, viu?
Ah! O André do Chá com fantasmas voltou a escrever! Eu adoro aquele menino... Ele escreve suuuuperbem.
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
Gesso, muletas e afins
Quem precisar alugar muleta pode ir na rua Lisboa, 274, na Hospitalar. O aluguel por um mês sai por 19 reais. Dica: leve também o protetor pra tomar banho. É uma bota de plástico com fecho elástico que é ótima!
Pois é, a Biba quebrou a perna (de novo...)
Ah, vai lá mais embaixo dar uma espiada melhor na minha bandeja. A Zana me deu a dica de um site de hospedagem bem bacana.
Quem precisar alugar muleta pode ir na rua Lisboa, 274, na Hospitalar. O aluguel por um mês sai por 19 reais. Dica: leve também o protetor pra tomar banho. É uma bota de plástico com fecho elástico que é ótima!
Pois é, a Biba quebrou a perna (de novo...)
Ah, vai lá mais embaixo dar uma espiada melhor na minha bandeja. A Zana me deu a dica de um site de hospedagem bem bacana.
terça-feira, fevereiro 22, 2005
Vidas passadas
Você acredita? Eu sim.
Acho que todos nós devemos ter feito um monte de besteiras nas nossas vidas passadas.
Isso justifica algumas coisas chatas que acontecem com a gente. Mas daí até a gente se acomodar e ficar repetindo: "é karma", nada a ver.
A gente tem que correr atrás do prejuízo, acreditar que a gente é "do bem", que nem o Jean e a Pink, e ir à luta, por melhores condições de trabalho, por respeito profissional, por um namorado ou marido carinhoso, por filhos bem educados (isso depende não totalmente mas bastante dos pais....), por uma casa onde a gente se sinta bem, etc.
Bom, eu tô nessa luta.
Vc deve estar tb.
E vamo que vamo.
Que quem fica parado é poste.
Por isso, sumi uma looonga semana, mas amo isso aqui, e amo você tb, que vem aqui me visitar de vez em quando.
Por isso, voltei.
E tb fiquei chateada porque não consegui movimentar direito esses códigos HTML pra que a minha foto da bandeja saísse bonitinha... Mas voltei assim mesmo. Tamos aí.
Você acredita? Eu sim.
Acho que todos nós devemos ter feito um monte de besteiras nas nossas vidas passadas.
Isso justifica algumas coisas chatas que acontecem com a gente. Mas daí até a gente se acomodar e ficar repetindo: "é karma", nada a ver.
A gente tem que correr atrás do prejuízo, acreditar que a gente é "do bem", que nem o Jean e a Pink, e ir à luta, por melhores condições de trabalho, por respeito profissional, por um namorado ou marido carinhoso, por filhos bem educados (isso depende não totalmente mas bastante dos pais....), por uma casa onde a gente se sinta bem, etc.
Bom, eu tô nessa luta.
Vc deve estar tb.
E vamo que vamo.
Que quem fica parado é poste.
Por isso, sumi uma looonga semana, mas amo isso aqui, e amo você tb, que vem aqui me visitar de vez em quando.
Por isso, voltei.
E tb fiquei chateada porque não consegui movimentar direito esses códigos HTML pra que a minha foto da bandeja saísse bonitinha... Mas voltei assim mesmo. Tamos aí.
quinta-feira, fevereiro 10, 2005
Algumas palavras...
Ainda que uma imagem valha por n palavras, vou contar um pouco como foi o meu carnaval. Ele teve cheiro de mato e cheiro de cremes para os pés. Fizemos da chácara assim quase um semi-spa. Cuidamos dos pés, passamos creme esfoliante com cheiro de amêndoa e os mergulhamos em bacias com sal grosso. Depois, passamos outro creme com cheiro de menta, de cânfora e foi uma delícia.
Nadamos na piscina, andamos por caminhos ladeados de muitas flores, vimos estrelas, comemos bolo de limão, bolo de cenoura com chocolate, pizza feita no forno à lenha, carne assada (aquela com batatas coradas - já ouviu falar de confort food??)
Um dia lá bati meu recorde absoluto: acordei às 10 e meia!!!!!!!!
Vimos até um veadinho assustado - eles correm pulando, parecia um cachorro bem magro, mas era um veadinho de verdade - eu nunca tinha visto um solto assim na natureza.
A chácara fica em Cabreúva. A estrada tava ótima, sabe quando dá tudo certo?
Teve rede pendurada na árvore, jogo de baralho, cachorro, papagaio, calopsita que precisa dar comidinha na colher, coelhinhos, patos, gansos, besouros, formigas e algumas moscas, que nem tudo é perfeito.
Tomamos sol e eu lutei pra aprender a subir no colchão flutuante (o que rendeu muitas risadas) e fiquei lá, dando um tempo pra mim, flutuando ao sabor do movimento da água da piscina. A Biba salvou um sapo do afogamento na piscina, fez amizade de novo com a minha afilhada, a Mariana e a amiga dela. Foi bom, foi muito bom, foi ótimo, foi excelente, pro corpo e pro espírito. Fora que eu adoro a minha comadre Vilma, teve bate-papo à sombra das árvores....
Relembrar é viver de novo aquele tempo tão bom!
Que venham os problemas, que eu tô pronta pra enfrentá-los e solucioná-los (claro, o que estiver ao meu alcance - o que não estiver, vou saber desencanar rapidinho - aprendi com as árvores e com os passarinhos).
Que comece o ano (que tradicionalmente só começa depois do carnaval, né?), que as minhas baterias estão recarregadas.
Ainda que uma imagem valha por n palavras, vou contar um pouco como foi o meu carnaval. Ele teve cheiro de mato e cheiro de cremes para os pés. Fizemos da chácara assim quase um semi-spa. Cuidamos dos pés, passamos creme esfoliante com cheiro de amêndoa e os mergulhamos em bacias com sal grosso. Depois, passamos outro creme com cheiro de menta, de cânfora e foi uma delícia.
Nadamos na piscina, andamos por caminhos ladeados de muitas flores, vimos estrelas, comemos bolo de limão, bolo de cenoura com chocolate, pizza feita no forno à lenha, carne assada (aquela com batatas coradas - já ouviu falar de confort food??)
Um dia lá bati meu recorde absoluto: acordei às 10 e meia!!!!!!!!
Vimos até um veadinho assustado - eles correm pulando, parecia um cachorro bem magro, mas era um veadinho de verdade - eu nunca tinha visto um solto assim na natureza.
A chácara fica em Cabreúva. A estrada tava ótima, sabe quando dá tudo certo?
Teve rede pendurada na árvore, jogo de baralho, cachorro, papagaio, calopsita que precisa dar comidinha na colher, coelhinhos, patos, gansos, besouros, formigas e algumas moscas, que nem tudo é perfeito.
Tomamos sol e eu lutei pra aprender a subir no colchão flutuante (o que rendeu muitas risadas) e fiquei lá, dando um tempo pra mim, flutuando ao sabor do movimento da água da piscina. A Biba salvou um sapo do afogamento na piscina, fez amizade de novo com a minha afilhada, a Mariana e a amiga dela. Foi bom, foi muito bom, foi ótimo, foi excelente, pro corpo e pro espírito. Fora que eu adoro a minha comadre Vilma, teve bate-papo à sombra das árvores....
Relembrar é viver de novo aquele tempo tão bom!
Que venham os problemas, que eu tô pronta pra enfrentá-los e solucioná-los (claro, o que estiver ao meu alcance - o que não estiver, vou saber desencanar rapidinho - aprendi com as árvores e com os passarinhos).
Que comece o ano (que tradicionalmente só começa depois do carnaval, né?), que as minhas baterias estão recarregadas.
sexta-feira, fevereiro 04, 2005
Secretária-eletrônica
Voz metálica diz:
- Você tem ... uma mensagem na sua caixa postal Claro.
- Oi, comadre, eu tô ligando pra te convidar pra ir na chácara com a gente. Me liga, tá?
EBA! Meu carnaval em contato com a natureza está garantido!
Pra quem gosta, bom samba!
Que eu prefiro o trinar dos pássaros....
FUI!
Voz metálica diz:
- Você tem ... uma mensagem na sua caixa postal Claro.
- Oi, comadre, eu tô ligando pra te convidar pra ir na chácara com a gente. Me liga, tá?
EBA! Meu carnaval em contato com a natureza está garantido!
Pra quem gosta, bom samba!
Que eu prefiro o trinar dos pássaros....
FUI!
quarta-feira, fevereiro 02, 2005
Palavras-almofadas
É raro eu escrever duas vezes no mesmo dia, mas hoje tô um poço de idéias e se eu não escrever sobre isso, não vou conseguir me concentrar no trabalho.
É o seguinte.
Sabe aquele CD dos Paralamas, chamado Hey Na Na? Ele é de 1998.
Pois bem.
A música que dá título ao CD tem um trecho muito legal:
"E levou tuas palavras
Palavrões não almofadas
Como as que proferem Gil e Brown
No momento em que se dança
Até onde a vista alcança
Já não se vê bem nem mal
And all there is to say: "Hey, na, na, na!"
Então. Quero dizer que há algum tempo venho notando que todo mundo (meus amigos, vizinhos, companheiros/as de trabalho, marido, filhos, eu, inclusive) que a gente mal sabe se expressar se tirarem os palavrões do nosso vocabulário. Mas acontece que eu, como Gil e Brown, prefiro as palavras-almofadas. E é difícil lembrar de uma figura de linguagem mais fofa do que essa. Sei que é apenas um detalhe, mas a vida é feita de detalhes.
Tchau, back to work.
É raro eu escrever duas vezes no mesmo dia, mas hoje tô um poço de idéias e se eu não escrever sobre isso, não vou conseguir me concentrar no trabalho.
É o seguinte.
Sabe aquele CD dos Paralamas, chamado Hey Na Na? Ele é de 1998.
Pois bem.
A música que dá título ao CD tem um trecho muito legal:
"E levou tuas palavras
Palavrões não almofadas
Como as que proferem Gil e Brown
No momento em que se dança
Até onde a vista alcança
Já não se vê bem nem mal
And all there is to say: "Hey, na, na, na!"
Então. Quero dizer que há algum tempo venho notando que todo mundo (meus amigos, vizinhos, companheiros/as de trabalho, marido, filhos, eu, inclusive) que a gente mal sabe se expressar se tirarem os palavrões do nosso vocabulário. Mas acontece que eu, como Gil e Brown, prefiro as palavras-almofadas. E é difícil lembrar de uma figura de linguagem mais fofa do que essa. Sei que é apenas um detalhe, mas a vida é feita de detalhes.
Tchau, back to work.
Normal
Aos poucos, as coisas voltam ao normal, depois das turbulências no trabalho. Claro, tudo diferente, mas pelo menos tô mais calma... Minha empregada tb resolveu voltar a trabalhar, a pilha de roupas p/ passar baixou bem e assim vamos levando a vida.
As coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente quer ou na hora em que a gente deseja que aconteçam. Não digo que a gente não tenha que correr atrás do que a gente quer, mas acho que a gente tem que sempre procurar o tal do caminho do meio, e ir se adaptando às curvas e percalços do caminho. Lutar pelo que a gente quer, mas deixar de "dar murro em ponta de faca" quando não adianta muito fazer isso. Esse raciocínio é aplicável a várias áreas da nossa vida: amor, trabalho, casamento, vida doméstica, etc. etc.
Tô falando isso porque costumo ser muto ansiosa, ficar na expectativa de coisas acontecerem, mas nem sempre esses acontecimentos dependem de mim, então, tenho que aprender a relaxar, mas no fundo, no fundo, acho que tô pensando assim por causa do comprimido pra hipotireoidismo que tô tomando, hehehe. Nunca achei que "drogas" tivessem tanto efeito psicológico. O fato é que minha ansiedade baixou de 90 pra uns 30, se é que ela pode ser medida em termos numéricos.
Aos poucos, as coisas voltam ao normal, depois das turbulências no trabalho. Claro, tudo diferente, mas pelo menos tô mais calma... Minha empregada tb resolveu voltar a trabalhar, a pilha de roupas p/ passar baixou bem e assim vamos levando a vida.
As coisas nem sempre acontecem do jeito que a gente quer ou na hora em que a gente deseja que aconteçam. Não digo que a gente não tenha que correr atrás do que a gente quer, mas acho que a gente tem que sempre procurar o tal do caminho do meio, e ir se adaptando às curvas e percalços do caminho. Lutar pelo que a gente quer, mas deixar de "dar murro em ponta de faca" quando não adianta muito fazer isso. Esse raciocínio é aplicável a várias áreas da nossa vida: amor, trabalho, casamento, vida doméstica, etc. etc.
Tô falando isso porque costumo ser muto ansiosa, ficar na expectativa de coisas acontecerem, mas nem sempre esses acontecimentos dependem de mim, então, tenho que aprender a relaxar, mas no fundo, no fundo, acho que tô pensando assim por causa do comprimido pra hipotireoidismo que tô tomando, hehehe. Nunca achei que "drogas" tivessem tanto efeito psicológico. O fato é que minha ansiedade baixou de 90 pra uns 30, se é que ela pode ser medida em termos numéricos.
segunda-feira, janeiro 31, 2005
Hello, Moto
O Tom diz que é cafona, mas eu me sinto assim supermoderna, como que num filme de ficção científica ao falar no meu fone Bluetooth. É assim: o telefone toca e vc fala: "alô!". E conversa vai, conversa vem, daí você fala "tchau" e ele desliga. Vc não precisa apertar nenhum botão. É uma maravilha da tecnologia. Adorei.
Tinha um código pra configurar e por isso não adiantava ler o manual. Depois de um longo e tenebroso inverno, já estou dominando a tecnologia.
E pensar que minhas colegas de colégio nem no Orkut estão...
Juventude também é isso.
Porque ficar velha é muito chato.
O Tom diz que é cafona, mas eu me sinto assim supermoderna, como que num filme de ficção científica ao falar no meu fone Bluetooth. É assim: o telefone toca e vc fala: "alô!". E conversa vai, conversa vem, daí você fala "tchau" e ele desliga. Vc não precisa apertar nenhum botão. É uma maravilha da tecnologia. Adorei.
Tinha um código pra configurar e por isso não adiantava ler o manual. Depois de um longo e tenebroso inverno, já estou dominando a tecnologia.
E pensar que minhas colegas de colégio nem no Orkut estão...
Juventude também é isso.
Porque ficar velha é muito chato.
sexta-feira, janeiro 28, 2005
Obrigada!
Valeu mesmo! Fiquei muito contente com tanta força virtual vinda de você.
Pra não deixar a sexta-feira passar em branco, resolvi relembrar a velha (bota velha nisso!!) historinha de La Fontaine, que dá origem ao termo "mãe coruja".
Fiquei pensando nesse tipo de amor incondicional, de mãe para filho, e uma coisa puxou a outra e aqui estamos.
Parece que achei a versão original em um Português igualmente arcaico. A história é bem triste... Condiz com a aparência do dia em São Paulo, hoje.
Tirei aqui deste link.
A Águia e o Mocho
Puseram termo águia e mocho
As antigas dissensões,
A ponto de se abraçarem
Em cordiais efusões.
Ao firmar os compromissos
Um invoca a fé real,
Outro os foros comprovados
De mocho honrado e leal.
Por juramento prometem
Poupar mutuamente os ninhos.
Pergunta o pássaro triste:
"Conheceis os meus filhinhos?"
"Nunca os vi (volve a rainha)".
Torna a ave de Minerva:“
Ai de mim, míseros filhos”,
Que sorte céu vos reserva!
Só poderão por milagre
Das garras vos escapar,
Sois rainha e os reis só querem
Seus caprichos escutar.
Surdos a nossos reclamos,
Reis e deuses têm por norma
Nivelar tudo, tratando
A todos da mesma forma.
Ái da pele de meus filhos
Se acertardes de encontrá-los!
"Bem, retoque-lhe a rainha,
Nesse caso é retratá-los,
Ou mostrar-m'os; quero vê-los
Para bem os conhecer;
Nem sequer hei de tocá-los;
Nada terão a temer".
"Meus filhinhos (disse o mocho)
São mimosos e bem feitos;
E entre os outros passarinhos
Os mais lindos e perfeitos.
Por estes sinais tão claros
Podereis saber quais são;
Não se vos risque da idéia
Esta fiel descrição;
Pois se a esquecerdes - a Morte,
Por vós própria conduzida,
Pode, o ninho penetrando,
A todos roubar a vida".
Teve o mocho uma ninhada;
E um dia, vindo a sair
Em procura do sustento
Para os filhinhos nutrir;
Noss'águia viu, por acaso,
Nuns penhascos algares
Ou nos vãos de uns velhos muros,
(Não sei em qual dos lugares),
Viu, digo, uns feios mostrengos
Tipo mal afeiçoado,
Ar triste e voz de Megera,
Sobrecenho carregado.
Disse a águia: "não são estes
Os filhos do amigo meu,
Trinquêmo-los".
Dito e feito:
Toda a ninhada comeu.
Não se contentam as águias
Com refeições à ligeira;
Esta nos pobres mochinhos
Fez, portanto, razzia inteira.
Quando o môcho, após momentos
No sangrento ninho entrou,
Dos seus diletos filhinhos
Somente os pés encontrou.
Queixa-se a Javé e lhe pede
Puna o pássaro perverso,
Que, salteando-lhe o ninho,
O deixa na dor imerso.
Disse-lhe alguém:
"Não te queixes
Senão de ti, ou da lei,
Que rege no mundo a todos
Da humana ou da bruta grei.
Por ela, os que nos semelham
São transuntos de beleza,
Lindos, bem feitos, amáveis,
Primores da natureza.
Disseste que eram teus filhos
Modelos de formosura;
Desconheceu-nos a águia
Naquela ingrata figura".
Jean de La Fontaine
Ah! "Mocho" é coruja.
E a moral da história é: "quem ama o feio bonito lhe parece".
Bom fim de semana.
Valeu mesmo! Fiquei muito contente com tanta força virtual vinda de você.
Pra não deixar a sexta-feira passar em branco, resolvi relembrar a velha (bota velha nisso!!) historinha de La Fontaine, que dá origem ao termo "mãe coruja".
Fiquei pensando nesse tipo de amor incondicional, de mãe para filho, e uma coisa puxou a outra e aqui estamos.
Parece que achei a versão original em um Português igualmente arcaico. A história é bem triste... Condiz com a aparência do dia em São Paulo, hoje.
Tirei aqui deste link.
A Águia e o Mocho
Puseram termo águia e mocho
As antigas dissensões,
A ponto de se abraçarem
Em cordiais efusões.
Ao firmar os compromissos
Um invoca a fé real,
Outro os foros comprovados
De mocho honrado e leal.
Por juramento prometem
Poupar mutuamente os ninhos.
Pergunta o pássaro triste:
"Conheceis os meus filhinhos?"
"Nunca os vi (volve a rainha)".
Torna a ave de Minerva:“
Ai de mim, míseros filhos”,
Que sorte céu vos reserva!
Só poderão por milagre
Das garras vos escapar,
Sois rainha e os reis só querem
Seus caprichos escutar.
Surdos a nossos reclamos,
Reis e deuses têm por norma
Nivelar tudo, tratando
A todos da mesma forma.
Ái da pele de meus filhos
Se acertardes de encontrá-los!
"Bem, retoque-lhe a rainha,
Nesse caso é retratá-los,
Ou mostrar-m'os; quero vê-los
Para bem os conhecer;
Nem sequer hei de tocá-los;
Nada terão a temer".
"Meus filhinhos (disse o mocho)
São mimosos e bem feitos;
E entre os outros passarinhos
Os mais lindos e perfeitos.
Por estes sinais tão claros
Podereis saber quais são;
Não se vos risque da idéia
Esta fiel descrição;
Pois se a esquecerdes - a Morte,
Por vós própria conduzida,
Pode, o ninho penetrando,
A todos roubar a vida".
Teve o mocho uma ninhada;
E um dia, vindo a sair
Em procura do sustento
Para os filhinhos nutrir;
Noss'águia viu, por acaso,
Nuns penhascos algares
Ou nos vãos de uns velhos muros,
(Não sei em qual dos lugares),
Viu, digo, uns feios mostrengos
Tipo mal afeiçoado,
Ar triste e voz de Megera,
Sobrecenho carregado.
Disse a águia: "não são estes
Os filhos do amigo meu,
Trinquêmo-los".
Dito e feito:
Toda a ninhada comeu.
Não se contentam as águias
Com refeições à ligeira;
Esta nos pobres mochinhos
Fez, portanto, razzia inteira.
Quando o môcho, após momentos
No sangrento ninho entrou,
Dos seus diletos filhinhos
Somente os pés encontrou.
Queixa-se a Javé e lhe pede
Puna o pássaro perverso,
Que, salteando-lhe o ninho,
O deixa na dor imerso.
Disse-lhe alguém:
"Não te queixes
Senão de ti, ou da lei,
Que rege no mundo a todos
Da humana ou da bruta grei.
Por ela, os que nos semelham
São transuntos de beleza,
Lindos, bem feitos, amáveis,
Primores da natureza.
Disseste que eram teus filhos
Modelos de formosura;
Desconheceu-nos a águia
Naquela ingrata figura".
Jean de La Fontaine
Ah! "Mocho" é coruja.
E a moral da história é: "quem ama o feio bonito lhe parece".
Bom fim de semana.
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