segunda-feira, abril 29, 2013

E quando o feitiço vira contra o feiticeiro?


Imagine a seguinte situação: tudo começa com uma namorada ciumenta. Depois ela descobre que não amava o namorado tanto assim. Então, ela "fica" com vários rapazes e mais tarde, conhece o seu amor mais verdadeiro. Só que... surpresa! Ele é tão ciumento quanto ela foi no passado... Esse é o resumo da história da Luíza (nome fictício). 

Eu já falei sobre o ciúmes também aqui neste link:
http://consultasentimental.blogspot.com.br/2006/03/o-bichinho-verde.html

Acompanhe a angústia dela e a resposta, abaixo. 

E você, o que faria no lugar dela? 


Silvia, 

Descobri o seu blog hoje e vi que você dá conselhos quando solicitado e resolvi pedir ajuda, pois não sei mais o que faço, estou muito angustiada.

Tenho 27 anos, namorei e fui noiva por 6 anos, num relacionamento em que fui traída logo no começo, e passei o resto do namoro com brigas e desconfianças pq eu não conseguia esquecer e perdoar totalmente. Ficava neurótica  olhando o celular dele, carteira e bolsos pra ver se encontrava alguma pista. Enfim, percebi que não era o que queria, não gostava tanto dele assim e terminei. Mas quero salientar que nunca trai ele, nem passava pela minha cabeça, e não tinha interesse, pois se eu  cobrava fidelidade dele, como eu poderia fazer o contrario?

Passei quase 2 anos solteira  saia todos finais de semana, conheci muita gente e fiquei com muitos rapazes também, muito inconsequente, não me importando com o que as pessoas pensavam de mim, eu só queria aproveitar um tempo que foi jogado fora.

No final do ano passado conheci um rapaz maravilhoso, que hoje namoro, bateu tudo logo no começo, afinidades, interesses, química  etc. Ele é o melhor homem que conheci ate hoje, atencioso, carinhoso, companheiro, confiável (tenho absoluta certeza que posso confiar nele), posso ficar o dia inteiro falando das qualidades dele, que nunca pensei que encontraria em uma unica pessoa. Sou completamente apaixonada por ele, pra mim ele é o homem da minha vida, que quero casar e ter filhos.

Mas nem tudo é perfeito  ele já teve muitas desilusões, foi traído também e tem uma personalidade muito forte. Ele é muito desconfiado e fica investigando minhas coisas, meu passado e se decepcionou com o que descobriu desse tempo em que eu estava solteira.

Nunca trai ele e não faria isso. Amo ele de verdade, mas ele não consegue acreditar.

Ele me pergunta das coisas que já vivi antes dele e não fico confortável em falar, pq me envergonho muito, nunca pensei que o que eu faria quando solteira, fosse atrapalhar um namoro, e que meu passado fosse tão importante para alguém.

Dei minha senha do facebook para ele para provar que eu não estava conversando com ninguém (pois essa é uma das desconfianças dele) e ele achou algumas conversar antigas, antes da gente começar a namorar, e ficou com ciumes ( eu também ficaria), mas ele usa isso para me atingir, para me julgar e não aguento mais.
Depois que conheci ele, nunca mais conversei com ninguém  respeito muito alguém quando estou namorando. Queria que ele pudesse confiar em mim, mas devido as ultimas experiencias ele acha que eu faria o que já fizeram com ele.

Acho que ele tem medo de fazer papel de bobo e qualquer coisinha ele já quer dar uma de esperto, dizendo que sabe o que estou "aprontando" quando na verdade não estou fazendo nada.

A gente se  todos os dias, desde que começamos a namorar, mas um dia desses atras eu pedi para ficar na minha casa (normalmente ficamos na casa dele) pra poder fazer umas coisas, como unhas, lição de inglês  arrumar minhas roupas, etc., e ele não aceitou muito bem, disse que eu estava enjoada dele, que eu queria aproveitar para conversar com alguém pq ele não estaria perto, que eu minto o real motivo das coisas, etc etc.
Eu só queria fazer minhas unhas e arrumar meu quarto, mas ele já leva tudo pro lado negativo e desconfia de tudo.

Eu tenho certeza de que ele me ama, gosta da minha companhia, a gente é parceiro em tudo, até pescar nós vamos juntos e no salão de beleza, coisas que nunca pensei que faria com um namorado.

Mas a situação ta difícil  não consigo fazer ele acreditar em mim e relaxar. Pois já estive na mesma situação que ele no passado e sei que essa paranoia e desconfiança, sufoca a gente, faz mal, perturba, é ruim demais.
Eu sei o que ele sente quando está desconfiado, mas eu faço tudo certinho, tentando não dar motivos para ele brigar comigo, mas ele sempre arruma alguma coisa.

Sei que meu passado me condena, eu também teria ciumes de saber o que ele ja fez com outras meninas, por isso eu não pergunto, não quero saber. Amadureci muito nesse tempo e consigo enxergar que passado é passado, ele também teve o passado dele sem saber que um dia iria namorar comigo.

Tenho ciumes sim, mas sei que é tudo coisa da minha cabeça e não deixo a paranoia voltar como já esteve presente antes. Mas ele gosta de remoer o meu passado.

Não gosto de tocar no assunto e ele fica bravo. Estou tao errada assim? Tenho que falar de tudo que ja fiz, sabendo que ele não tem nada a ver com isso, que isso só acrescentaria coisas ruins na cabeça dele? Queria poder esquecer tudo que já fiz, porque para mim, não tem mais importância nada daquilo, hoje estou feliz com ele e é o que me importa. Queria que ele aceitasse isso.
 
Não sei mais o que faço. Pode me ajudar? O que faço para ele confiar em mim e parar com as brigas?
Quero viver em paz com ele, aproveitar todos os momentos bons.

Eu o amo muito e não quero desistir, mas sinto que estou lutando com uma coisa que não posso controlar.

Espero que você possa me dar uma pal avinha de conforto.

Mesmo que não responda, ja me sinto melhor, só pelo fato de desabafar.
 
Obrigada, 
 
Abraços

Minha resposta foi assim: 

Luíza, 


A ajuda às vezes demora, mas não falha. Agora finalmente, consegui um tempo para responder p/ vc. 
Sua história é muito interessante e me lembrou um ditado antigo: "aqui se faz, aqui se paga!"  A impressão que eu tenho, sem conhecê-la pessoalmente e sem saber os detalhes da sua história, é que você está vivendo a mesma situação vivida pelo seu namorado anterior, quando você "pegava no pé" dele. Isso ficou muito claro para mim. 

Agora, o que você precisa decidir (e isso é você com você mesma) é se está disposta, em nome do amor que sente pelo seu namorado atual, a continuar nessa situação. Sempre lembrando que essas situações, ao longo do tempo, podem mudar. Amanhã ou depois, pode ser que ele mude de comportamento, mas eu não saberia o que te dizer para fazê-lo mudar. Eu não acredito que uma pessoa tenha o "poder" de mudar uma outra pessoa, só ela mesma. O que já é bem difícil.... 

Então, a decisão é sua.... só o que posso dizer é que se você o ama de verdade, acredito que vá escolher ficar ao lado dele e "pagar para ver" a transformação dessa situação passageira em uma outra situação mais favorável a você. No seu relato você diz que decidiu terminar com o namorado que te traiu porque percebeu que não gostava dele tanto assim. De fato, para ficar ao lado de alguém é preciso gostar tanto assim e mais um pouco. Porque problemas, sempre haverá. 

Também acho que seu namorado atual NÃO tem o direito de ficar chateado com o que vc fez antes de conhecê-lo. Você nem o conhecia, oras... E tinha sim o direito de aproveitar a vida assim como todos os homens fazem. Não vejo pecado algum nisso. Você deveria falar isso p/ ele, com toda a delicadeza, e parar de carregar essa culpa. 

Mais uma coisinha: você precisa ver como você reage aos ataques de ciúmes dele. Quando souber agir com naturalidade e carinho, sem brigar e sem responder, aí você encontrará a felicidade que tanto almeja. Ela está dentro de você e não fora. Está no comportamento que você escolhe ter. E então, me lembro de um outro ditado que diz: "quando um não quer, dois não brigam". 

Espero que você seja feliz. Se quiser, me escreva de novo. 

Boa sorte e bjs, 

Silvia 

sexta-feira, abril 12, 2013

O que vc faz quando ninguém está olhando?


Outro dia, fui até a janela do meu quarto p/ baixar o vidro (é aquela janela tipo veneziana) e daí um dos meus vizinhos da casa debaixo (eu fico 4 andares acima deles), um rapaz que eu nunca tinha visto antes, estava saindo e se benzeu. Achei tão bonitinho aquele ato singelo e solitário! E reforcei o pedido mental dele, pedindo também que ele fosse abençoado naquele dia.
A casa dos meus vizinhos de baixo é bem simples, térrea, tem telhado de "eternit" e é uma das coisas "feias" da paisagem. Por outro lado, é a casa da vizinhança que a gente mais observa, ao abrir e fechar a veneziana, ao longo dos 8 anos em que eu moro lá. Tem um quintal com varal, uns quartinhos independentes nos fundos, que podem ser para alguns membros da família ou talvez sejam alugados. Não sei. Um dia fizeram um "puxadinho" em mutirão, para cobrir a máquina de lavar, "luxo" antes inacessível às classes D/E.
Nunca tive a oportunidade de falar com os vizinhos de baixo (a distância é bem grande e o meu quintal fica bem acima do deles) Mas a gente acaba inferindo como é a rotina daquela família simples. Tem uma matriarca, a "vó", muito amada e respeitada, ela deve ser a dona da casa que abriga todo mundo. Ele deve ser a sustentação de toda a numerosa família. Tem um rapaz que deve ter problemas mentais, nem sempre ele está por lá, deve passar uns tempos internado em alguma instituição. Mas de vez em quando ele aparece, fala alto, com voz enrolada, Quando a "vó" sai, às vezes vem o som no volume mais alto: uma música popular, um rap, um pagode. Coisas assim. Mas quando a "vó" tá em casa, ninguém se atreve.
Outro dia, começamos a ouvir choro de bebê. Uma menina, vimos a manta rosa no carrinho.
Nesses 8 anos, criamos uma intimidade estranha com a família da casa de baixo.
Às vezes, penso em inscrevê-los naqueles programas do tipo que reformam as casas das pessoas, tipo o "Lar Doce Lar" do Luciano Huck, sabe?
Sem que eles jamais me conheçam, ou sequer imaginem o quanto eu sei a respeito da vida deles.
Ia ser bem bacana!
Achei lindo o gesto daquele rapaz saindo de casa bem cedinho naquele dia. Eles mereciam ganhar uma surpresa bem bacana na vida deles.
Vi quando o cachorro vira-lata deu cria e os filhotinhos foram sumindo, um por um, distribuídos entre vizinhos e amigos.
Vi quando teve uma briga horrorosa e ameaçaram chamar a polícia e tal...
Vejo a "vó" lavar a cozinha, cuidar dos queridos dela....
Enfim... essa é uma das coisas que faço quando ninguém está olhando: sou "voyer" da vida dos meus vizinhos da casa de trás. É mais bacana acompanhar a vida deles do que novela ou reality show. É a vida como ela é.

quarta-feira, abril 03, 2013

Viagem ao passado não existe


No ano de 1977 (por aí), alugamos uma casinha em Monte Verde, com uns amigos. Ela ficava em uma esquina, na Vila Operária. Nosso programa, durante muito tempo, foi ir p/ lá todos os fins de semana. Foi um tempo tão bom da nossa vida!!

Monte Verde se resumia a uma rua principal, um posto de gasolina, pouquíssimas pousadas, um hotel que não aceitava crianças (!!!) - sempre achei um absurdo... e lareiras, caminhadas sem fim, frio de noite, calor de dia, amigos novos, geleia de ruibarbo e apfelstrudels da dona Zenta, o pão quetinho da padaria, na própria Vila Operária.... Uma delícia.

Corta para 2013.

Outro dia, estávamos burlando a reeducação alimentar em grande estilo, na pizzaria Braz, em Pinheiros, e eu reparei em um moço na mesa ao lado, que eu sabia que conhecia de algum lugar. Mas como estava com o meu marido, parei de olhar e desisti de lembrar de onde o conhecia.

Dali a pouco, vem ele até a nossa mesa:
- Guilherme! Você não está me reconhecendo...de Monte Verde...
E eu:
- Maurício!
Lembrei na mesma hora. Com esse encontro, por acaso, todas aquelas lembranças do passado afloraram com força e deu muita vontade de voltar a Monte Verde.

O Maurício contou que um amigo nosso daquela época, o Nico, tinha uma pousada lá: "Nico on the Hill". Mais do que depressa, fui ao Google, achei a pousada e fiz uma reserva para o feriado da Páscoa.

Estivemos lá neste fim de semana.

A casa que alugávamos virou uma espécie de cortiço, foi dividida no meio e várias famílias moram lá, embora ela permaneça ainda com aquele seu charme rústico-alpino.

A avenida principal tem até shoppings!!! A fila de carros é grande, o som dos restaurantes é alto, tem muita coisa lá que não combina em nada com as minhas lembranças do passado.

Tentei reconhecer alguns lugares, mas foi difícil.

Fizemos um passeio até a Pedra Redonda, onde uma vez passamos a noite, morrendo de medo de onça.... e encontramos um caminho quase que "urbanizado" com escadas, patamar de madeira, corrimão... tudo bem que o conforto da trilha melhorou muito, o que nós e as nossas pernas, que já passamos dos 50, agradecemos. A paisagem lá de cima compensa a caminhada.

Comemos trutas fresquinhas no Paulo das Trutas, desfrutamos de um rodízio delicioso de sopas (e barato) no Galinha da Roça, almoço caseiro no delivery Bom Di+ (na Vila Operária, a melhor comida de Monte Verde, sem dúvida), e na noite de sábado, uma pizzada animada na Taberna dos Irredutíveis Gauleses, que fica na pousada do Nico e da Bite (justiça seja feita, ela é que a responsável pelas leves e saborosas pizzas).

Conclusão: a viagem ao passado não existe. É impossível rever os mesmos lugares, sentir a mesma emoção daquela época que não volta mais. Mas ainda assim, a gente pode aproveitar a viagem, o que ela trouxe de NOVO para nós, o descanso, o verde, a lareira no quarto, o céu azul de doer.... a amizade que reavivou, os novos amigos...

Com o relacionamento, com a vida, acontece a mesma coisa. Cada dia é diferente do outro, cada minuto que passa não volta mais. Por mais que a gente queira isso. Portanto, o melhor que temos a fazer nessa nossa jornada doida pela vida afora é nos divertir, aproveitar, levar a vida do jeito melhor que pudermos, para que a nossa coleção de boas lembranças seja o tesouro que levaremos conosco ao partir daqui para uma melhor (assim esperamos, pelo menos, né??).

Portanto, leitor/a, aproveite a sua vida, curta cada bom momento, releve e apague da memória os maus e viva o hoje (porque o ontem já passou e o amanhã ainda não chegou, como já disse alguém)!