segunda-feira, janeiro 11, 2016

Felicidade engorda



Sim, minha teoria é precisamente esta: a felicidade engorda. Se assim não fosse, por que se fala em COME-morar? Toda comemoração, em geral, envolve comida. Muita comida gostosa. E bebida. Daí você não come porque está de dieta. O que acontece com o seu humor?? Fica péssimo, é claro. Você vendo aquela pessoa magra devorando os doces à vontade e você ali, comendo só uma fatiinha. Ah, tenha dó. Não há humor que aguente...

Outro aspecto: todo gordinho é feliz e bem-humorado. Isso não é uma regra absoluta, mas digamos que é 80% verdade. Na minha família, basta a pessoa estar com fome (não aquela fome grave e cruel da desnutrição, mas aquela fome de quando o almoço atrasa por alguma razão, sabe??) pra o mau humor atacar. Não sei se é uma coisa genética, mas assim é.

Mais um aspecto: quando você está feliz e contente, você quer apreciar uma boa comida, um bom vinho, uma boa companhia, um bom papo. Tudo isso vem junto. Não dá pra dissociar uma coisa da outra.

E nas viagens, então?? Você está em férias, bem feliz e contente. Passeando, conhecendo novas pessoas, novos lugares. Bater perna nesses lugares dá uma fome danada. E na hora da fome, quem resite a uma boa batata frita na Bélgica, por exemplo? Ou a um chocolate suíço na Suíça? Ou a uma bacalhoada regada no azeite em Portugal?? Ou a um crepe em Paris? Não dá, simplesmente não dá pra resistir a isso.

Dai, pronto! O zíper da calça começa a denunciar o seu pecado da gula.

E então você faz dieta, emagrece, fica feliz quando o zíper sobre com facilidade. Gosta da sua silhueta no espelho. Mas tudo nesta vida tem um preço. Você fica magra, OK. Até a próxima festinha ou happy hour ou casamento... Happy hour... Porque é tão happy essa hour?? Porque tem bebida (em geral, cerveja, que engorda pra caramba) e/ou um monte de frituras... Coxinha, pastel, de novo a fatídica batata frita...

Já o oposto da minha teoria apenas a comprova: a tristeza emagrece. O que você perde primeiro quando está triste?? O apetite, é claro. Fica sem vontade de comer nada. Fica com aquela aparência triste e abatida. Magra, triste, abatida. Ninguém quer esses adjetivos para si, quando eles vêm assim, tudo junto e misturado.

Por isso é tão difícil emagrecer. É por isso, está explicado.

Por favor, convença-me do contrário nos comentários.

O único problema é que tem o lance da saúde nessa equação. Não estou aqui para defender as gordinhas não (incluindo a minha própria pessoa). Estou aqui para entender como funciona esse mecanismo da fome + alegria + gordura + regime + tristeza... etc.... Nunca fui boa em matemática e não sou boa nessa equação, devo reconhecer. Mas... é preciso manter a saúde, o que tem a ver com manter um peso saudável. E lá vamos nós buscar a felicidade na endorfina. Eu sei dizer que amanhã eu estarei firme e forte correndo na esteira do clube. E tenho dito.

terça-feira, dezembro 01, 2015

Um irmão ou uma irmã, por favor


Eu tenho certeza que pedi para vir filha única nesta vida para pagar algum pecado do passado. A falta que eu sinto de um irmão ou uma irmã é algo que dói muito dentro do meu peito, quase todos os dias. Agora, por exemplo, tenho que imprimir etiquetas. Coisa besta, que qualquer irmão mais velho diria assim: "Dá aqui que eu faço pra você!".
Não, não tenho esta pessoa.
Por um lado, é até bom, pois a dificuldade me obriga a aprender as coisas sozinha. Quase sempre eu consigo. Mas dói. Dói bastante.
Agora, acabei de ver um comercial, o mais lindo do Natal. O vovô informa aos filhos e parentes que morreu. Mas ele não morreu, ele quer apenas reunir a família em torno da mesa posta e tudo vira festa. Chorei litros.
Litros, litros...
Nessa época de Natal, muito mais do que em qualquer outra época, eu fico mais emotiva do que nunca. As famílias de margarina me fazem falta. Sinto falta de festa, de mesa cheia, de casa cheia.
Costumo convidar as pessoas para virem me visitar, E elas quase sempre vêm e sempre que vêm me dizem que gostam da minha casa, que ela é acolhedora e tal. Mas nesta época de Natal, eu tenho vontade de fugir para bem longe. Minha casa é grande, o que acentua a falta de gente circulando por aqui.
Sei que não há culpados.
Mas dói.
Se a intenção era me ensinar alguma lição com esta vida aqui, o Destino conseguiu.
Também tem o fato de a minha filha estar longe, bem longe de mim desde agosto.
Um pai que mora em uma outra cidade.
A mãe em outro bairro.
É tudo longe, distante, complicado.
Às vezes, tudo o que a gente mais deseja é um monte de gente ao redor de uma mesa bonita, festejando a vida.
Mas como é difícil que esses momentos aconteçam e, mais ainda, que aconteçam em plena harmonia!
Tudo o que a gente deseja é paz e amor.
Por que tem que ser tão difícil?

quarta-feira, novembro 25, 2015

Convite


O farol

Alguns chamam de semáforo, outros de sinaleira. Mas aqui, no primoroso texto da minha amiga Luciana Praxedes, é farol mesmo. Tenho o privilégio de sempre ler antes esses seus textos sensíveis, inspirados. Sou fã.
Aproveite você também....

O farol

Em apenas um intervalo de 30 segundos, entre o farol vermelho e o verde, ela percebe que aquele moço, de camisa xadrez e olhar perdido, não é mais o mesmo. Talvez a sombra, quase apagada, de alguém que um dia fez parte da sua vida, que um dia amou. Não era a mesma pessoa que explorou seu corpo, que dividiu o cobertor, que fez parte da sua história como personagem principal.

Parada no sinal, ela nem pensa em buzinar e oferecer uma carona. Não precisa cumprir o manual da boa educação. Não quer iniciar uma conversa, que parecerá tão distante, aprisionada nas fotografias daqueles dias claros de verão. Foi por aquele alguém que ela aprendeu a cozinhar, a fazer omelete de legumes e bolo de fubá. Era a voz, a boca daquele moço que emitia todos os sons mais urgentes, espécie de hino hipnotizante.

Depois de infinitos desejos de boa noite ao pé do ouvido, de sussurros e descobertas, ele não tinha mais nome, sexo ou cheiro. Era apenas um anônimo, com sua camisa xadrez desbotada, memória longínqua de um amor que existiu, que quase a absorveu, que transbordava pelos poros, gestos, olhos e movimentos. Não era o mesmo moço que a fazia perder o fôlego, que fazia seu mundo girar em uma ciranda sem fim.

Ele não era mais ele. Ela também não era mais ela. Começa a tocar no rádio a música que um dia amou, mas que agora é indiferente. Apenas uma canção qualquer, sem rimas ou versos. O sinal fica verde e ela vai embora. Sem olhar para os lados.

Luciana Praxedes

(Novembro de 2015)

quinta-feira, novembro 19, 2015

Oração ao Deus Tempo

Senhor Todo Poderoso TEMPO!

Eu me rendo ao seu poder soberano sobre a minha vida.
Admito que sou fraca e impotente perante o seu poder.
Agradeço pelos 57 anos que o Senhor me concedeu até aqui no Planeta Terra, com toda a humildade.
Mas PEÇO, por amor a Humanidade e à minha modesta pessoa, que me conceda a Habilidade de Bem Administrar o meu Tempo!
O meu tempo... preciso do Meu Tempo!
Imaginei que meu tempo seria outro, depois de junho, com meu grito de Liberdade. Ledo engano.
Você, Tempo Absoluto, consome meus minutos, como a água que escorre entre meus dedos.
E eu deixo os Ladrões de Tempo me assaltarem, perdendo o meu foco e a minha concentração.
Peço desculpas a você, Deus Tempo todo-poderoso, por deixar que o Facebook, o e-mail, o WhatsApp e a TV (sem falar nos trabalhos domésticos infinitos e indispensáveis) consumam meus minutos e minhas horas.
Me ajude, Deus Tempo, eu te suplico.
A ser uma pessoa consciente do seu poder sobre a minha vida e a entender definitivamente como devo lidar com você.
Me ajude a priorizar e a usar a sabedoria para lidar com a minha interminável e centopeica lista de tarefas.
Me ajude, Deus Tempo, a dizer "NÃO"! Principalmente para mim mesma.

Pela atenção e pelo seu TEMPO, obrigada!

Silvia
(9h34, dia nublado, mas quente).
 

quarta-feira, novembro 11, 2015

Não aceitamos devolução



Não se pode desejar o que um dia, espontaneamente, foi entregue. Cartões, poemas, amores, detalhes, uma tarde. Dos castanhos dos meus olhos até o lado mais confuso das minhas ideias, tudo foi dado a você.

Como irá se lembrar de mim? Não sei... Nem queria ter me despedido. Minha vontade era ser você e eu, eu e você. Não foi preciso um céu estrelado, uma tarde com céu azul para lhe dar tudo. Foi em um minuto, em um singelo beijo.

Dos detalhes seus dados a mim, faço o que o coração mandar. Por vezes, choro ou até escondo qualquer lembrança. Mas como esquecer o primeiro tocar de lábios? Em qual gaveta devo trancá-lo?

Um dia, talvez, espero não lembrar os traços do seu rosto, o gosto da sua boca, o som da sua risada. Sentirei que algo aconteceu. Você permanecerá na minha memória, distante.

Mas, a verdade é que não pretendo esquecer. Amores que não querem ser lembrados nem são contados, tampouco escritos. E se um dia você não mais se lembrar de mim, se eu desaparecer naquele blues, em novos beijos, no silêncio sussurrado do seu quarto, em outros sexos, ainda sim estarei aqui. Nesta história.

Luciana Praxedes

(19 de abril de 2011)

sábado, novembro 07, 2015

Início de carreira

 


Fico impressionada como tudo, absolutamente tudo, está no Google.

Achei agora uma matéria que escrevi para a revista Música, quando eu ainda estava na faculdade e achava então que seria uma jornalista. Talvez desta área de "variedades" - era assim que se chamava. Lá tem até uma crítica de disco que eu escrevi. Fantástico.... e eu nem me lembro mais do nome da editora que me passava esses frilas.

As matérias são do longínquo ano de 1980.

Gostei de reencontrar esses textos.

Obrigada ao blog Velhidade.  

quinta-feira, novembro 05, 2015

A lenta morte da abelha



Entrou uma abelha aqui na minha sala e eu não queria matá-la. Fiquei esperando ela sair pela janela por onde entrou. Ela não saiu. Pousou ao lado da garrafa d'água. Ficou fácil colocar a garrafa em cima dela. O barulho cessou e eu pude voltar a trabalhar Mas não paro de pensar nela. Morte lenta e gradual. Coitada. Tô com pena dela e admirada com a minha crueldade. Pelo menos confessei meu crime.

quarta-feira, novembro 04, 2015

A gaveta



A partir de hoje, o Consulta Sentimental passa a publicar também alguns textos brilhantes e transbordantes de emoção pura da minha amiga, jornalista e advogada Luciana Praxedes. Como sempre gostei muito de ouvir as histórias que ela sabe contar como ninguém, no curto tempo em que trabalhamos juntas, decidi convidá-la para ser colaboradora aqui no blog.

Ela hesitou durante algum tempo, mas acabou aceitando o convite.

Enviou alguns textos tão sensíveis e delicados que me emocionaram e eu sei que emocionarão quem chegar até aqui.

Deixe um comentário com a sua opinião sobre esta nova faceta do blog Consulta Sentimental.

A Gaveta

Ela resolveu mudar os móveis de lugar, pintar as paredes. É ano novo, faz sentido. Na arrumação, logo na primeira gaveta da velha cômoda encontra uma dobradura e a letra de duas músicas, não canções insignificantes, mas a trilha sonora de uma história. A sua história.

Percebeu o óbvio: não é de um dia para o outro que se tira alguém da nossa vida. Ela concluiu que fácil é esconder, colocar na gaveta, mas abri-la é como um tapa no rosto, um murro no boca do estômago.

Foi ela que decidiu, que chorou e, corajosa, colocou um ponto-final. Mas não sabia que o fim, o de verdade, só acontece depois do primeiro fim. É quando se chega em casa, no vazio, para juntar as lembranças que insistem em permanecer. O porta-retrato, as roupas no canto do quarto, o travesseiro com aquele cheiro.

Ela desconhecia que se separar de alguém também é reencontrar pequenos momentos: uma mensagem no celular, um bilhetinho na carteira. O fim também é saudade, é cotidiano, que às vezes se camufla de alegria e conforto para que possamos “abrir as gavetas” e seguir em frente.

Luciana Praxedes
06 de janeiro de 2011 

sexta-feira, outubro 30, 2015

Carta para Larissa



Querida Larissa,

Sei que hoje você pode não acreditar no que eu vou te dizer. Mas você pode ter certeza disso: você está fazendo um bom trabalho como mãe. Bom, não, mas sim ótimo!
Você é uma mãe dedicada, que se preocupa com o caráter que seus filhos terão no futuro, quando forem adultos.
E isso vale muito.
É algo que não se mensura, algo subjetivo. Mas que quando o tempo passar, você vai olhar pra trás e ver que sim, você fez um excelente trabalho.
Tenho certeza que seus meninos ainda vão te orgulhar.
Eles vão crescer, vão amadurecer, vão enxergar tudo o que você fez e faz por eles.
Vão se arrepender dos erros que cometeram.
Mas você precisa dar um desconto, agora.... eles ainda são imaturos.
São como frutas ainda "verdes" que não podem ser colhidas do pé.
Eles estão na fase de testar os seus limites.
Eles vão até onde acham que conseguem, como se estivessem esticando um elástico até ele se quebrar. Ou enchendo uma bexiga ate ela estourar.
Sinceramente? Não acredito que as ações intempestivas farão algum efeito.
Mas você pode ter certeza que seus filhos estão atentos, sim, a cada ato seu, a cada palavra sua.
Tudo isso será processado internamente e terá um efeito, positivo, tenho certeza, daqui a alguns anos.

O fato de eu ter mais idade que você não me credencia a nada. Também tenho dúvidas (muitas) e também não sei qual a melhor maneira de agor e muito menos de sentir. Cada um sabe a dor e a delícia de ser quem se é... parafraseando o poeta... Mas eu vivi mais anos, sim.... E tenho a felicidade de constatar hoje, que eu pensava e sentia exatamente como você hoje, no passado não tão distante...

Tinha dúvidas de quem viriam a ser esses meus filhos, que, de repente, se tornaram uns perfeitos desconhecidos, com atitudes estranhas, egoístas, nada a ver com a educação que a gente pretendia dar a eles....

Pois é.... Mas meu filho aos 24 anos (mesma idade em que eu mesma me tornei mãe) se tornou o pai da Helena - e assumiu a filha 100%. Ele é um paizão, presente, preocupado com a filha dele de um jeito que me enche de orgulho.

Minha filha já é diferente. Antigamente iam dizer que ela tem "bicho carpinteiro" e só os antigos entenderão esta expressão. Ela quer conhecer o mundo, tem rodinhas nos pés e provavelmente já conhece mais países do que eu. Ainda não fiz as contas. Mas com a minha idade, certamente ela terá conhecido pelo menos o dobro de países. Ele também me enche de orgulho. Vai trabalhar em Calais nas férias, em um campo para refugiados. Ela se importa com os menos favorecidos, E eu acho isso lindo!

Não to falando isso pra me exibir, mas eu sinceramente queria que você se lembrasse desta carta daqui a uns... digamos 10 anos. Tenho certeza absoluta que você também terá motivos para se orgulhar dos seus dois então rapazes.

Ah, sim.... pra finalizar, segue a minha dica: peça ajuda ao Plano Espiritual, para iluminar a mente e o coração dos seus pequenos.

Um beijo, com carinho,

Silvia