terça-feira, novembro 29, 2016

Sem nome




O Consulta tem a enorme honra de mais uma vez postar aqui uma texto brilhante da minha amiga Lu Praxedes. Delicie-se. 

Sem nome

Não precisa ter nome ou roteiro para chamar de amor. As histórias efêmeras, transitórias e sem nome são, definitivamente, também uma forma de amar. São intensas, deixam marcas e refletem a nossa capacidade de acolher, de ser acolhido e de querer reescrever o rumo das nossas vidas, ainda que a ausência de adjetivos possa dificultar este desejo.

E pensar que tudo começou com o seu não sorriso. Sim, você sorri não sorrindo. É quase um sorrir com os olhos. Um sorriso quase não dado, mas ao mesmo tempo doado, explosivo. Luz no breu. Foram diversos sorrisos implícitos, inúmeras trocas de olhares e conversas sobre o que importava. E sobre o que não importava também. Foram beijos longos, memoráveis e caminhos desencontrados que se cruzaram em alguma conversão astral. Foi combustível, foi intensidade. Foi você e fui eu. Mas não teve nome. Ao menos não há um nome convencionalmente conhecido para o que foi vivido.

Talvez a forma de amor mais genuína seja aquela que sempre parece nos escapar, que não exige denominações. Ao mesmo tempo que nos fascina, que nos embriaga, a possibilidade de não tê-la num futuro próximo torna tudo ainda mais especial. O toque, aquele não sorriso que insiste em sorrir para você e a forma de pegar na sua mão. A incerteza acentua o amor. O inesperado torna o sentimento mais forte e mais presente. Dentro e fora de você.

As histórias sem nome e sem regras refletem que o amor também nasce e prospera no caos, ignorando padrões sociais. O certo ou o errado não se aplicam aqui. Estas relações têm força própria e vida autônoma. O bem querer e o desejo de felicidade do outro são o eixo, o norte, a expressão máxima da alegria. Os adjetivos, quaisquer que sejam eles, se tornam insignificantes diante de você. Diante de nós.

E ainda há o seu não sorriso. O seu não sorriso que insiste em permanecer. Porque é seu. Por que é você. Porque é aconchego. Porque é conforto. Porque não tem nome, mas tem morada.

Dentro de mim. O meu sorriso de todo dia.

segunda-feira, novembro 21, 2016

Filhos, o sentido da vida


Ultimamente, não sei se por causa dos malditos hormônios, eu ando meio pensativa demais, digamos. Para não dizer outra coisa pior.... Estou reavaliando o que é importante na vida e o que não é.
Deixando de assinar várias newsletters, deixando de ler o que não me interessa, me desapegando de coisas materiais variadas  - em suma, decidi entrar em 2017 muito mais leve.
Morar em casa grande é bom e não é... É a tal da faca de "dois legumes"!
A tendência é acumular coisas e mais coisas, e servir de depósito para as coisas que os filhos não querem mais, mas querem ter por perto.
Então, é preciso dar um BASTA e começar a limpar a área.

Isso é fácil.

O problema são as burocracias.
Eu pensei (erradamente, por sinal) que, ao deixar meu emprego, eu conseguiria viver da minha editora e/ou do meu blog de saúde cardíaca. Busquei ajuda, fiz o Empretec, etc e tal.
Mas nada disso adiantou e eu cheguei a me arrepender amargamente da minha decisão de deixar o trabalho. Todo mundo me dizia que eu era "louca" de abandonar um emprego em um cenário de crise e eu me lixei... não dei a mínima.
Eu sempre me identifiquei muito mais com a cigarra do que com a formiga, na famosa fábula......

Mas o que eu quero dizer aqui neste texto (e já desviei bastante do tema) é que o que importa mesmo, de verdade, na minha vida, não é o trabalho (e nunca foi, e por isso estou colhendo os frutos do que andei plantando vida afora). O que importa de verdade são os nossos filhos.
Meus filhos - o Tom e a Biba - são, sem sombra de dúvida alguma, minhas melhores obras, que fiz com a ajuda do meu marido, o Guilherme.
Eles me dão alegrias, me deixam orgulhosa, ficam bravos comigo, me dão broncas, me abraçam forte quando eu preciso, me carregam para onde eles acham que eu devo ir....
Ainda não virei criança de novo, para deixar a minha vida na mão deles totalmente e espero que isso nunca aconteça. Embora não dependa de mim.
Mas eu enxergo meus filhos agora como adultos que se responsabilizam também pelas escolhas deles e isso é muito bacana.
Se me arrependo de algumas decisões tomadas na minha carreira, não me arrependo de nada do que fiz no meu papel de mãe. Errei, é claro, e erro ainda.
Mas faço o melhor que eu posso, fiz o melhor que eu pude.
E o mais bacana: deu certo!!!! Eles dois são pessoas de caráter e isso me enche de orgulho e alegria.
São eles que me ajudam a afastar as ideias sombrias que andam rondando a minha mente e meu coração nessa fase decadente da vida....

Eu agradeço a Deus por ter me dado esses meus dois presentes magníficos. E agradeço muito a Deus também pela minha neta, a Helena. Que também preenche meu coração de alegria, sempre que eu a vejo.
Ela é o futuro vivo, o futuro da nossa família, é a esperança em dias melhores personificada.
É isso.

De tudo que fiz na minha vida, posso me arrepender de muita coisa. Mas não me arrependo nem um milímetro de ter trazido meus filhos para este Mundo LOKO!!!! Espero e acredito que só com a presença deles neste Planeta, ele já fica melhor. Já não me dá tanta vontade assim de ir embora e deixá-los aqui pra trás.
Eles me dão força e coragem. São tudo pra mim. Isso deve ser amor. Muito amor.
E eu agradeço.

sexta-feira, novembro 04, 2016

Para Mariana



Querida afilhada do meu coração,

Hoje é seu dia. E me peguei aqui pensando no enorme privilégio que tenho por ser sua madrinha! Sua mãe, minha querida comadre Vilma, foi uma amiga tão generosa comigo que me concedeu esse enorme privilégio de ser a sua madrinha, papel que eu nem sempre sou capaz de honrar à altura. Quisera eu ser muito mais presente na sua vida!

Mas tenho que conviver com a realidade dos fatos: sou uma pessoa meio ausente, que pouco fala com você.... Na verdade, sou mesmo uma pessoa que pouco fala. Prefiro quase sempre recorrer à palavra escrita. Porque a gente sempre pode corrigir, apagar alguma besteira, aperfeiçoar... Mas saiba, minha querida Mariana, e tenha a certeza absoluta que você mora no meu coração, mesmo distante fisicamente, graças à bondade da sua mãe, minha querida e inesquecível amiga-irmã, que me concedeu a honra de assumir este lindo papel de sua madrinha.

Porém, o que importa mesmo é que hoje é seu dia, o dia de celebrar mais um aniversário seu... de te desejar felicidades, alegrias, conquistas, sucesso, e tudo de bom que esta nossa vida aqui no planeta Terra é capaz de proporcionar. Que você sonhe, sempre e muito, e que parta para a conquista desses seus sonhos. Sonhar faz bem para a alma. Realizar os sonhos, um a um, e sonhar de novo, e de novo, e de novo. Que você tenha saúde para correr atrás dos seus sonhos, e que tenha muita paz e muito amor na sua vida. É isso o que eu te desejo hoje e sempre.

Eu gostaria de ser um tantinho parecida com a minha madrinha Alayde, de quem sinto tantas saudades. Ela tinha a vantagem de ser minha vizinha, então eu adorava ir até a casa dela, comer os quitutes que ela fazia (e, neste ponto, eu nunca teria como me equiparar a ela, pois sou uma negação na cozinha!). A gente ia até o galinheiro escolher uma galinha bem gordinha para o almoço (e eu não tinha o menor problema quanto a isso)... E ela fazia aquela galinha com todo o amor e carinho pra mim. Minha parte preferida era a coxinha. Hummmm, muito bom. Nas festinhas, eu sempre pedia o bom-bocado, e nunca mais comi outro igual.

Não sei se você terá alguma boa lembrança minha no futuro, e sei que para isso preciso ser muito mais presente na sua vida. Espero que sempre tenha um lugarzinho pra mim nas suas memórias... Porque eu me lembro de você desde quando você estava dentro da barriga da sua mãe e seu irmão e o meu filho eram companheiros na escolinha Suruê. Me lembro também que você foi a dama de honra no meu casamento, toda bonitinha, de franjinha, com o cabelo preto lisinho, com um vestido azul-marinho, fazendo contraste com a Biba, loirinha, de vestido igual, mas vermelho. Umas fofas!!!

Sem falar nos muitos Natais que passamos todos juntos, inesquecíveis. Muito amor envolvido. A gente era quase que uma só família, ali. Muitas lembranças boas....

Mas vamos voltar ao dia de HOJE! Neste dia, eu desejo a você que receba todo o carinho da família e dos amigos, como uma bagagem de amor para os 365 dias desta sua nova idade. E, naqueles momentos mais difíceis, que sempre existem na nossa vida, que você se lembre que você é uma menina muito querida e especial, que merece muito ser feliz.

Saiba ainda que pode sempre contar comigo. Estou aqui para o que der e vier. Um beijo enorme e um abraço muito apertado!

Da sua madrinha que tanto te ama,


Silvia  

quarta-feira, novembro 02, 2016

A Silvia morreu



Calma, não a de carne e osso, mas a Silvia pessimista, aquela que se menospreza e desvaloriza, aquela Silvia que pensa que ganhar dinheiro é muito difícil, quase impossível. Aquela Silvia que está pronta pra criticar e achar defeitos em tudo e em todos.

Aquela Silvia que sempre coloca os outros em primeiro lugar e enterra seus desejos e vontades.

Hoje morreu a Silvia que fica encontrando desculpas para as suas falhas. Aquela Silvia que não se permite errar.

Hoje morreu a Silvia baixo-astral.

Hoje morreu aquela Silvia sem graça e tímida, que não consegue se expressar oralmente direito, embora seu raciocínio seja afiado.

Morreu a Silvia que se perde entre mil afazeres e que não sabe priorizar.

Aquela Silvia que não quer levantar a bunda da cadeira para fazer o que é preciso fazer.

Morreu a Silvia que não sabe manter o bom humor e o alto astral, nas situações mais difíceis e espinhosas.

Morreu aquela Silvia que deixa o seu ego dominar tudo, sempre encontrando maneiras de deixá-la "para baixo" porque ela ainda não escreveu seu primeiro romance, ou porque ela ainda não obteve o sucesso profissional que imaginava conseguir quando estava na faculdade. Em uma das melhores faculdades do País, by the way.

Morreu aquela Silvia que não sabe argumentar, que não sabe se defender, quando está certa e quando tentam puxar o tapete dela, por ciúmes, inveja ou simplesmente porque não vão com a cara dela.

Morreu aquela Silvia que espera tudo acontecer e que fica de braços cruzados esperando um "milagre"!

Morreu aquela Silvia que não tem coragem de enfrentar os problemas, e que prefere se esconder a encarar de frente uma discussão que seja.

Na verdade, quem morreu foi o EGO da Silvia. Hoje, quem está no domínio é a CONSCIÊNCIA superior, a centelha divina que brilha no peito da Silvia. Hoje, está no comando a Regina, que ela também é.

Hoje, assume o controle a Silvia segura de si, madura, confiante, inteligente, capaz.

Hoje, quem manda aqui é a NOVA Silvia Regina que encara tudo e todos de frente e que ainda tem muitos sonhos para sonhar e realizar.

Descanse em paz, Silvia do passado.

quarta-feira, outubro 26, 2016

O mais belo livro de Natal que já se viu


Um livro escrito com sensibilidade (e alguma teatralidade) para um filho curioso: assim é o Calendário de Natal, da médica pediatra e psicoterapeuta Joseane Borges, que ela agora generosamente compartilha com o Mundo. Uma estória singela, que fala de uma terra muito distante chamada Noeland City. Eu já me apliquei para ir morar lá. Vamos ver se eles me aceitam, né?? Eu acho que sim, porque lá ninguém tem preconceito de idade. Afinal de contas, qual será a idade do Papai Noel?? Isso ninguém sabe e ele nunca revelará.

Você pode não acreditar mais no Bom Velhinho e, se este for o caso, sinto pena de você... É perigoso deixar de sonhar....

No mundo inteiro, circulam muitas histórias sobre o Papai Noel. Em Portugal, é o Pai Natal, e em cada país ele assume uma personalidade diferente, até um nome diferente, uma roupa diferente. O que importa, de verdade, é que a Terra onde ele mora é uma Terra em que o sonho perdura pra sempre. Não tem essa de parar de acreditar. Não tem idade para abdicar de sonhar. O sonho é o que faz a Humanidade se mover em direção ao Bom, ao Melhor, ao Mais Perfeito... Ninguém deveria se contentar com pouco. Nós somos seres humanos, destinados a ser felizes. Mas, para isso, temos de construir a nossa felicidade. Como?? Criando sonhos novos, realizando esses sonhos, de preferência, em boa companhia. A cada sonho realizado, a gente vai melhorando um pouquinho o nosso planeta Terra. Ele precisa de pessoas melhores e mais felizes. Se cada um de nós acreditar um pouquinho nesse destino luminoso que está reservado para a Terra, ela vai melhorar, sim, com certeza.

Não será destruindo um sonho que se chegará a esse novo patamar. Não... de jeito nenhum. Não tem necessidade de destruir nada para avançar. Ao contrário, quanto mais sonhos e ilusões "do Bem" permanecerem vivas, mais essa sensibilidade vai se fortalecer entre as crianças e os adultos também.

É muito legal que os pais e as mães tentem o exercício de desligar as TVs e os celulares, por alguns instantes, e que se dediquem a ler uma estória para seus filhos. É um simples ato que pode trazer mais ternura para o cotidiano de todos.

Eu tenho o privilégio de poder trabalhar com esta matéria fluida e sutil chamada sonho. O sonho de ver seu livro publicado e muitas pessoas lendo aquela história que ficava lá guardada em alguma gaveta ou em alguma pasta dentro de um computador escuro e frio.

Essas histórias precisam ganhar vida, voz e vez neste mundo tão triste e violento, algumas vezes. Elas precisam vir à luz, invadir lares, mentes e corações. E é este o meu propósito atual nesta Vida: espalhar esse tipo de literatura que não interessa (talvez) às grandes editoras, mais preocupadas com o lucro acima de tudo.

Eu não. Estou muito mais preocupada em manter vivo o sonho. É isso.

Espero todo mundo lá no sábado.

segunda-feira, outubro 03, 2016

Ser básica ou excêntrica? Eis a questão


Vi ontem no Now um documentário do GNT chamado "Estilosas e excêntricas" e mudei meu estilo, automaticamente, como boa geminiana que sou. Recomendo fortemente que todos vejam este documentário. O fato é que passei a usar minhas pulseiras todas juntas, broches, e acessórios descolados. Mas minha filha achou que eu estava brega.
O limite entre o brega, o mau gosto e a excentricidade às vezes é difícil de ser definido.
Mas eu estou com 58 anos e estou farta de seguir padrões.
Eu sempre me achei mais para básica do que para estilosa, mas eu uso óculos com armação verde, não pinto mais os cabelos... então, achei coerente mudar, e ser como aquelas mulheres maravilhosas de 60, 70, 80 e até 95 anos do filme.
Eu adorei o documentário, Acho que essas mulheres (e também as básicas) precisam ser cada vez mais valorizadas. A ditadura da juventude me enfastia.


Então, vou continuar (pelo menos por um tempo) explorando mais as possibilidades de ter um estilo mais diferenciado, ainda que corra o risco de ser chamada de brega pela minha filha.

terça-feira, setembro 13, 2016

Rugas, cabelos brancos, cansaço



O melhor de um blog é poder usar este espaço aqui para o que bem entender. Lê quem quer, comenta quem está a fim, ignora quem não se identifica. E hoje o assunto é menopausa, aposentadoria, esquecimentos, rugas e cabelos brancos. Não são assuntos muito populares. E daí?? O blog é meu e escrevo o que quiser.

Tenho 58 anos. Não vou falar "bem vividos", pois é um lugar comum ridículo. Bem, mas são 58 anos.
Não paguei o INSS anos suficientes para que eu pudesse hoje estar tranquila a viver de aposentadoria. (Se bem que não conheço quase ninguém que me diga que vive tranquilamente de aposentadoria... - mas este é um assunto para outro post). Mas, enfim, ainda tenho vontade de trabalhar, desejo de realizar um monte de coisas. Ao perder o desejo, acredito que a gente morre um pouco. Desejos e sonhos são o nosso combustível para a vida.

Mas aí entra em cena a maledeta da menopausa. Vi ontem um teste que perguntava o seguinte:

Quais as principais mudanças que sinalizam o início da perimenopausa?
a) a irregularidade dos ciclos e do fluxo menstrual são os primeiros sinais do início da perimenopausa;
b) o agravamento dos sintomas pré-menstruais físicos como inchaço dos seios e do corpo todo;
c) o aumento de sintomas como variações de humor, com predomínio de sensações de irritação, nervosismo e depressão;
d) todas as anteriores

Óbvio que a resposta certa é "todas as anteriores". Por isso, a comparação da menopausa com a adolescência não é assim tão absurda quanto se poderia pensar. Estamos deixando de ser uma coisa (mulheres adultas) e passando a ser outra (velhotas). Não sem dor. 

A gente fica com as emoções à flor da pele. E eu tenho uma tendência dramática, não sei bem porque. Então, zero de objetividade é a tônica do momento. Uma hora tô superfeliz, animada, empolgada. Daqui a pouco, quero desistir de tudo... Certas estavam nossas avós, que faziam tricô, crochê. Devia ser mais fácil de suportar tantos altos e baixos com as mãos sempre em movimento. Já a minha "válvula de escape" é escrever aqui meu blog "vintage"! 

Sem falar no corpo, que não é mais o mesmo faz tempo. Coisas que a gente fazia sem o menor esforço parecem provas de obstáculos. Tipo: agachar, subir escada, ajoelhar, ficar acordada até tarde.... 

Sem falar também nas rugas e nos cabelos brancos. A luta contra os sinais naturais da idade é acirrada. Muitas mulheres se entregam a tratamentos doidos e doídos para se ver livres de rugas e dos indefectíveis cabelos brancos. Pelo menos esse estresse eu decidi não ter. Aceito tranquilamente as minhas rugas e os meus cabelos brancos. Se eu te contar que ando recebendo vários elogios espontâneos sobre meus fios brancos, você acredita?? Nem eu. 

Bom, mas é isso. Tô aqui abrindo meu coração, porque tudo isso é muito novo pra mim. Nunca "ouvi" nenhuma mulher confessar a verdade de como é essa fase. E tô aqui tentando fazer isso. 

Ficam tagarelando um monte de baboseiras sobre "melhor idade", "idade dourada" (nome da associação que a minha mãe frequenta). E isso tudo soa muito falso pra mim. Uma hipocrisia social para que a gente se sinta um pouquinho melhor. O fato é que ficar velho/a não é mesmo nada agradável. Na Bienal do Livro, uma moça me perguntou: "quantos anos a senhora tem?". Eu: "58". Ela: "Que pena!" Como assim, que pena?? Quer me ver mais velha?? Era porque pessoas acima de 60 entravam sem pagar na Bienal do Livro. Sorte delas... Eu entrei sem pagar também, porque afinal de contas tenho uma editora. 

O que me resta agora é buscar fazer o que eu gosto, ficar perto das pessoas que eu amo, procurar realizar o que diz a propaganda do Pão de Açúcar, identificando o que me faz feliz. Colecionar pequenas felicidades, alegrias salpicadas nos meus dias. 

No meu caso, tem o clube, que me estimula a sempre buscar coisas novas. Por exemplo, ioga. Ontem fiz uma aula de ioga e achei extremamente difícil, complicado pra caramba. Tanto as posições, quanto a respiração. Eu, hein?? Amanhã já vou faltar à segunda aula, por conta de um compromisso de trabalho em Campinas. Mas durante a aula, me imaginei como uma aluna brilhante, que faz a postura da vela com muita facilidade. Mas me imaginei também desistindo, e dizendo pra mim mesma: "O que você tá fazendo aqui?? Sai dessa, meu!"  

E daí apareceu essa alergia nos antebraços, dos dois lados, parecida com a alergia nas pernas do ano passado. Aquela crise culminou com a minha saída do trabalho. Achei que eu tava com alergia ao trabalho, especificamente, ao trabalho de assessoria de imprensa. Não era. 

E tem o Vigilantes do Peso. Minha frase preferida, nos últimos tempos, é "dane-se"!. Como o segundo pedaço de bolo. "Dane-se". Como o terceiro pedaço de pizza. "Dane-se". Tomo a terceira taça de vinho. "Dane-se". Essa coleção de "dane-ses" não resultou em nada de bom e de uma hora pra outra identifiquei uns 3 quilos extras na balança. 

Putz. Foi a gota d'água. Decidi nadar 1000 metros todos os dias, durante um mês. Comecei no domingo (11/9) e vou nessa toada até o dia 11/10, pelo menos. Prometi isso pra mim mesma. Preciso de foco, de luz, de força. 

E meu pensamento voador, então?? Ontem esqueci minha roupa no vestiário do clube. Resolvi ficar com a roupa da ioga e fui com a minha filha comprar biquíni. Peguei minha sacola no armário e saí tranquilamente. Só lembrei da roupa hoje de manhã. Por sorte, tava lá quando fui procurar. Mas quando fui tomar banho, lá no vestiário, primeiro esqueci a toalha e depois esqueci a esponja. E só não larguei meu maiô lá, porque uma alma boa me avisou que eu tava deixando meu saquinho plástico pra trás. 

Portanto, vou comprei na Estante Virtual aquele livro "O Poder do Agora" e vou ler para ver se encontro algumas respostas por lá.

Até mais! 

sexta-feira, setembro 09, 2016

Por que reconquistar é mais difícil do que conquistar?



Conquistar uma pessoa não é assim tão difícil. A gente lida com sentimentos como atração, desejo, amor, prazer, envolvimento, emoção, coração palpitando, risos, cumplicidades.

Porém, reconquistar é outro departamento. Neste caso, as emoções são outras: orgulho ferido, vaidade, falta de compreensão, de perdão, superioridade, traição, dor, lágrimas, raiva, revolta. Todas essas emoções se misturam e fica complicado lidar com tantos sentimentos desencontrados.

A boa notícia é que o amor é o mais poderoso de todos os sentimentos humanos. Se há amor, ele supera tudo. O amor cura as feridas, lava a alma, completa as vidas das pessoas, é um bálsamo divino para superar a dor da perda, dores em geral.

O meu post mais acessado de todos os tempos sempre volta à tona, com um comentário aqui e outro ali.... A questão que o pessoal procura no Google é: "confiança se recupera?"

Bem, a minha resposta é SIM. Só que não é nada fácil. Como eu falei no começo deste texto, reconquistar é muito mais difícil do que conquistar.

Isso pode fazer com que algumas pessoas se distraiam vida afora querendo conquistar outras pessoas, sem comprometimento algum. Conquistar pelo simples prazer de conquistar. Mas a felicidade real não está nesta coleção de almas conquistadas. Pra mim, a felicidade real está em construir um caminho, uma trajetória de vida. E a vida, como eu já disse antes, nunca foi uma propaganda de margarina. A vida é cheia de altos e baixos, dúvidas e certezas, erros e acertos. Ninguém é perfeito neste mundo. Portanto, meu caro/ minha cara, se você ama aquela pessoa de verdade, esteja preparado/a para se humilhar. Sei que a expressão soa forte mas é isso mesmo. Você vai ter que se humilhar pra provar àquela alma ferida que ela é tudo para você, que você não consegue viver sem ela.
Mas se não for tudo isso, quem tem que partir para outra é precisamente VOCÊ!

Não vá iludir de novo a namorada ou o namorado (ou o marido, ou a esposa) se você vai se distrair de novo com o próximo rabo de saia ou o próximo ombro largo do pedaço, por favor...

E agora, vou postar aqui o comentário mais recente daquela minha postagem mais famosa do blog e a minha resposta, em seguida.

Anônimo:
vdd, eu tbm estou numa situação assim, meu namorado terminou comigo ja tentei de todas as formas fazer ele voltar atras esgotei dos as minhas forças mais ele me disse que por mais que ele quisesse não conseguem mas confiar em mim, que esta sentindo minha falta, que ja pensou em voltar pra mim mais que tem um bloqueio que não permite, que tbm esta sofrendo mais não consegue e que não quer um relacionamento sem confiança .isso esta doendo tanto não sei o que fazer para mudar isso.

Silvia: 
Olá, cara Anônima. Você diz que tentou de todas as formas fazer com que ele volte atrás. Quais formas foram essas e por quanto tempo?? No filme que eu cito no post, o rapaz dormiu na porta da casa da moça durante várias noites. Precisa ver até que ponto você está disposta a tomar atitudes que deixem bem claro para ele que você o quer de volta. Mas você não pode ter dúvida. Porque se você tiver alguma dúvida, ele não vai se con vencer de novo. A questão é que todo mundo erra. por isso, todo mundo precisa perdoar e precisa de perdão. Talvez, voc~e tenha primeiro que convencer a você mesma do que você quer. Como já falei antes, reconquistar é muitíssimo mais difícil do que conquistar. Pergunte ao seu coração o quanto você está disposta a "se humilhar" (no bom sentido) para provar ao seu ex-namorado que ainda o ama. Caso não esteja tão disposta assim, o jeito será aceitar o orgulho ferido dele e partir para outra. Boa sorte!!!

E você, qual é a sua opinião sobre a traição e o arrependimento? 


quinta-feira, agosto 11, 2016

Os nossos ídolos

Há um tempo atrás, eu percebi que se fosse deixar as coisas como estavam, eu só ia gostar de artistas do "passado", do "meu tempo"! Mas decidi que não tem essa de meu tempo... Meu tempo é agora, como já disse alguém. E decidi pesquisar, entre os artistas mais moderninhos, de quem eu gostava. Foi quando me apaixonei pelo Paralamas (sim, faz um tempinho, isso).
E tem uma música deles, que também não é nova, que eu adoro e que tem tudo a ver com este blog. Por isso, coloco aqui pra você ouvir também.

Hoje, tem a Zaz, que eu adoro também. Mas preciso pesquisar de novo quem serão meus novos ídolos... Para isso, vou precisar da ajuda da minha filha. É um exercício constante de renovação.... Aos 58 anos, a tendência é a gente se apegar aos sons e emoções do passado, mas não pode. É preciso se renovar, se reinventar.... Como diz e aconselha a minha xará e querida amiga Silvia Furgler....

Palavras duras em voz de veludo....


sábado, julho 30, 2016

Fazendo as próprias regras

Estamos vivendo tempos muito interessantes. Eu, principalmente. É absolutamente delicioso não ter mais patrão nem horário a cumprir. É absolutamente perfeito fazer só o que dá na telha, na hora em que a gente bem entende.

Acabei de fazer um post no meu blog de saúde cardíaca, que seria o blog "sério" (este aqui o de soltar a franga!) Estou descobrindo agora que adoro bagunçar tudo, adoro fazer minhas próprias regras, adoro não ter que cumprir nenhuma agenda, nenhum manual de redação, adoro não ter de seguir nenhuma das lições que aprendi na faculdade.

Escrever é o que me move neste mundo. Mas quero escrever do meu jeito, no meu ritmo e na hora em que eu quiser.

Não tenho que contentar ninguém, não preciso aprovar o que eu escrevo com ninguém, não tenho que pedir por favor e nem que mudar uma palavrinha ou outra por implicância de alguém. A sensação de liberdade é absolutamente maravilhosa! As palavras fluem, pulam para fora da minha cabeça e vão criando sua dinâmica e sua dança no papel, no teclado, na tela... onde for. Liberdade não tem preço.

Tudo bem que também não estou recebendo nada pelo meu "trabalho", mas são os ossos do ofício. No momento, é assim, Silvia. Escreva, Silvia, escreva. Quem sabe você não será um caso como o do Van Gogh, só reconhecido depois que morreu? Pode ser, né?

Quando eu estava na faculdade, imaginei que teria um bom emprego, ganharia um bom salário, CDF que eu era. Mas quis a vida que não fosse assim. Quando tive que escolher entre a vida particular e a carreira, escolhi a vida, sem pestanejar. Eu tinha um bebê de nove meses esperando por mim em casa. E não me arrependo dessa escolha. Felizmente, hoje ninguém precisa mais fazer esse tipo de escolha. Nem jornalismo quase não existe mais. Qualquer pessoa pode hoje "produzir conteúdo", seja escrevendo, fotografando, em vídeo, seja o que for.

Se a qualidade do que se produz é questionável, aí é outra história. Mas o "poder" é de todos. Isso mudou tanto de alguns anos para cá! E eu gosto de assistir ao espetáculo. A indústria cultural treme nas bases. E isso é altamente estimulante.

Criei meu blog Clube do Coração pensando que conseguiria monetizá-lo rapidamente. Mas ele já está prestes a completar um ano e ainda não consegui esse objetivo. No entanto, me sinto cada vez mais solta e livre para fazer as coisas do meu jeito. O problema é que talvez o meu jeito não agrade as massas. E aí, não tem muito o que fazer. A minha única certeza é que nem assim eu vou parar. Tem um impulso interno que me move a escrever e vou continuar a fazer isso até quando as minhas forças vitais o permitirem.

Enquanto isso, vou criando projetos, tendo ideias e sentindo a criatividade fervilhar.

Muito boa esta fase! Obrigada, Deus / Universo! É muito bem me sentir viva.

Quero recomendar a leitura de uma apostila muito bacana, de autoria da Dra. Gudrun Burkhard, médica antroposófica fundadora da Clínica Tobias e da Weleda. Este texto me foi recomendado há mais de 20 anos pelo Cidão, baterista da Traditional Jazz band (a banda foi minha cliente de assessoria de imprensa nos anos 80) e tem me acompanhado no decorrer das várias fases da minha vida. Sempre trazendo uma luz, uma interpretação diferente daquilo que estou vivendo nos diferentes momentos da vida. Tem também um vídeo bacaninha dela (3 minutos) aqui neste link:


Espero que seja útil para quem "caiu" aqui sem querer.