segunda-feira, maio 02, 2016

Viva a globalização!!!!

Eu e a Adriana: parceria & amizade

Desde que decidi ter uma editora de livros, a Reality Books, em 2010, sempre tive uma amiga, excelente profissional, na parte gráfica para me ajudar com os meus projetinhos, a Adriana Viana, que conheci em um dos meus muitos empregos vida afora.

A gente se deu super bem desde o primeiro projeto, ainda dentro daquela fatídica empresa. Pra você ver... mesmo dentro das situações mais desfavoráveis, alguma coisa de bom fica - no caso, a Adriana!

Ela fez um trabalho primoroso na capa do livro que eu escrevi para a minha comadre: "Vilma, os anjos vão embora mais cedo".

Mais tarde, ela veio morar na rua de cima da minha - éramos vizinhas. Mais projetos aconteceram, estava tudo indo muito bem.... até que, um belo dia, ela me conta que estava de partida para a Europa! Pensei que perderíamos o contato... mas não! Bendita Internet! Acabamos de fechar um novo projeto em conjunto e eu estou muito feliz!

Empreender, para mim, significa trabalhar apenas com amigos/as. Simples assim. Só quero ao meu redor gente do bem, gente com quem a gente possa se entender, sem brigas, discussões, atritos.

O mundo já é um lugar tão complicado, tão cheio de guerrinhas abertas ou não, declaradas, ou por baixo dos panos, que eu quero é paz. Meu objetivo maior não é ficar rica, e nem ganhar em cima de ninguém. Cada qual merece ganhar um pagamento justo pelo seu trabalho e eu mereço também.

Eu só quero viver em paz. É tudo o que eu mais quero. Quando me disseram (em duas oportunidades): "Ele/ela não é seu amigo/a", aquilo soou muito mal para mim. Não quero trabalhar com pessoas que não sejam minhas amigas.

Quero juntar trabalho e amizade, quero que o mundo seja um lugar de paz e de amor. Por isso tenho até uma tatuagem com esse símbolo.

Não posso fazer algo que esteja contra a minha natureza. Não posso contrariar meus princípios, vestindo uma carapuça que não me caiba, só para agradar pessoas que não são minhas amigas no trabalho. Eu até admiro muito quem consiga. Mas eu não consigo. Meu "defeito" é ser transparente demais. Não consigo disfarçar. Não sou boa em fazer política, em puxar o saco. Será que é por isso que não consegui construir uma carreira tão sólida assim?? O fato é que tenho 57 anos e estou na luta. Não tem nem sombra de aposentadoria por aqui.

Preciso lutar, preciso me esforçar, preciso ser criativa, conseguir mais clientes, mais trabalho. Eu e a torcida do Corinthians, né?? A tal da "crise" - detesto essa palavra - chegou aqui também. Vamo que vamo....

quinta-feira, abril 07, 2016

Estrelas


Hoje, o Consulta publica mais uma colaboração inspirada de uma das minhas autoras favoritas: Luciana Praxedes. 

De repente, ao olhar para aquele céu estrelado ela relembrou de um hábito infantil. Quando menina, deitada de barriga para cima, mentalizava três pedidos. Escolhia a estrela, olhava para ela e pedia. Eram pedidos carregados de inocência, como ganhar no aniversário uma bicicleta cor de rosa ou ter o cabelo comprido igual ao da Rapunzel.  

Além dos desejos, ela tinha muitas perguntas. Tinha curiosidade por um futuro desconhecido. Como ela seria aos 30 anos? Qual seria a cor do seu cabelo? Eram questionamentos que habitavam sua mente de menina. Mas no fundo ela gostava de não saber todas as respostas e de não ter alguns desejos realizados. Era uma razão a mais para continuar sonhando e esperar por ele – o futuro.

Era impossível olhar para um céu estrelado e não sonhar acordada. Inevitável não imaginar o que estaria por vir e passar horas contando as estrelas e, muitas vezes, batizá-las. Lorena, Clarissa, Luiza, Maria... E talvez assim, chamando-as pelo nome, o pedido ganharia mais força e se tornaria realidade.

A menina cresceu. Um dia, ela não olhou mais para o céu. Tinha pressa. E nesta pressa esqueceu de contar as estrelas, de batizá-las e de imaginá-lo – aquele futuro misterioso repleto de perguntas. Até que hoje, ela adulta se deparou com aquele céu. Enxergou. Lembrou que alguns desejos aconteceram de fato, percebeu que seu cabelo está praticamente da mesma cor, que alguns sonhos foram esquecidos e deram lugar a muitas obrigações, boletos e relatórios.

Ao olhar mais uma vez para o céu estrelado ela lembrou do nome de cada estrela. Recordou-se do entusiasmo que acompanhava cada pedido. E desejou com o mesmo fervor de menina. Tudo estava lá, adormecido em algum lugar da alma. Ao se deixar emocionar mais uma vez pelo brilho das estrelas, ela apenas lembrou. E isso foi o suficiente.


Luciana Praxedes – Socorro, 5 de abril de 2016.

segunda-feira, abril 04, 2016

Vidas...


Hoje seria aniversário do Cazuza (58 anos), se ele estivesse vivo. O Michael Jackson também nasceu em 1958. Assim como a Madonna, o Keith Harring, que, se você não conhece pelo nome, deve conhecer pelo traço da ilustração que escolhi para este post. E mais: Ron Mueck. Por coincidência, vi a exposição de Ketih Harring e de Ron Mueck em Paris, na mesma viagem. E fiquei admirada ao constatar que ambos tinham nascido no mesmo ano em que eu nasci. Eu nasci em 1958 e completarei 58 anos em 6/6 (se Deus quiser, é claro....)

Tanta coisa aconteceu... Alguns ficaram bem famosos. Outros até já morreram. Outros ainda estão aqui, bem vivos, com os problemas que o fato de viver na matéria acarretam: calor, contas para pagar, frio, trânsito, brigas, desentendimentos, falta de grana.... Mas também com as delícias de admirar um por do sol (ou nascer), um riso infantil. um animalzinho, comer comidas gostosas, rir com os amigos, apertar as pessoas que a gente ama e que ainda estão por perto (também graças à bondade de Deus).

Já a Amy Winehouse nasceu no mesmo ano em que nasceu meu filho. E também já morreu.

Por que estou falando tanto em nascimento e morte?? Não sei.... Vai ver é porque a minha numeróloga preferida, a Priscilla Tavolassi falou ontem no Facebook que estamos em um ano 9. Ano das finalizações. Ela falou coisas tão bacanas que eu não quero perder. Quero ler de novo em dezembro... Então, vou republicar aqui:

2016 é um ano em que sua somatória dá 9. Eu, como muitos sabem, além de jornalista/assessora de imprensa, sou numeróloga. Estamos no mês de abril, ou seja, no quarto mês do ano, e tenho me deparado com muitas "mortes" de amigos e conhecidos, muito jovens, pelo mesmo motivo: infarto fulminante.
Isso me fez pensar e refletir sobre o ano 9. Sem falar nas questões políticas, financeiras que o país está vivendo e os ataques que estão ocorrendo em outros países.
O 9 é o número da finalização, da mudança que não se pode deter e do desapego ao passado. Além disso, o 9 é um número focado na benevolência, na caridade, na compaixão, no carisma, na espiritualidade e criatividade. Mas, perceba que o ano de 2016, cuja somatória dá 9, advém de 2, 0, 1 e 6. Portanto, é um ano que traz o aprendizado das finalizações e/ou benevolência no âmbito das parcerias, dos relacionamentos, da cobrança divina, da liderança, proatividade, ideias e ideais, realizações, coragem, determinação e, acima de tudo, o cultivo dos afetos na família, os sentimentos, a dedicação ao amor, ao relacionamento afetivo e à resolução de problemas.
O que tudo isso tem a ver com os infartos fulminantes de pessoas tão jovens?
De acordo com a linguagem do corpo, cuja sabedoria é egípcia, o coração é o órgão que representa sentimentos e quando doente, representa sentimentos de perdas. O cardíaco, mesmo que não saiba que é um cardíaco, têm características semelhantes: autoritarismo, inflexibilidade, teimosia, preocupação em demasia, são agitadas, aceleradas e, normalmente, não sabem lidar com as emoções. Sofrem demais, são duros demais!
Num ano 9, composto de dois números de dedicação, amor, benevolência, família e relacionamento, como 2 e 6, se não cultivarmos estes sentimentos e tivermos a propensão à doença do miocárdio, sem nenhuma flexibilidade, apenas fingindo para nós mesmos que somos alegres e felizes sem sentir de fato, a finalização acontece. Sem falar que o ano de 2016 tem como "dom" a energia 7 (1+6), que é o número da espiritualidade, intelectualidade, desapego...
Sei que é muito complicado explicar num post do face toda esta reflexão por meio dos números, que é pitagórico, ou seja, foi criado por Pitágoras. Mas, minha mensagem a todos é:
Amem, vivam, sejam flexíveis, sejam leves, cultivem o sentimento da doação sem querer nada em troca, façam o bem, ajudem suas famílias, convivam com suas famílias, sejam líderes do bem, iniciem projetos com parcimônia, tenham cuidado com o que desejam...busquem a espiritualidade interior, esqueçam o passado, aprendam a viver um dia de cada vez. Limpem seus corações, pensem positivo, mandem todas as energias negativas embora, pensem só em coisas boas e por mais que estejam passando por dificuldades, enxerguem como aprendizado e não como castigo. O ano 9 pede isso. Se não o fizer, independente do seu mapa numerológico, você terá perdas. Para não ter perdas, se doe, cultive o bem e deixe a raiva de lado, a reclamação de lado, tudo de lado....apenas pense em coisas boas e energias positivas.
Cuidem dos seus corações com sentimentos bons e não com remédios. Cuide da sua mente e, então, seu corpo será saudável.
Bom domingo a todos e que eu consiga, de alguma forma, tocar ou ajudar alguns dos meus mais de 1 mil amigos que estão no meu facebook.
Beijos e muito amor e energias positivas a todos!!!


segunda-feira, março 28, 2016

Passou a Páscoa...



... e eu quero hoje falar sobre arrependimentos. Tenho a maior inveja daquelas pessoas que enchem a boca pra falar: eu não me arrependo de nada! Nossa, que bom, né?? Eu, não.... Eu me arrependo de muita coisa. Principalmente no campo profissional.

Me arrependo de ter desistido de muitos empregos, logo ao primeiro sinal de problema. Me arrependo de não ter ido trabalhar no Paço das Artes, quando tive a oportunidade, e de ter ficado no Banespa, de onde fui demitida, logo a seguir, o que desencadeou a mais profunda crise profissional e pessoal que tive na minha vida. Me arrependo de muita coisa. Me arrependo de ter agido por medo e não por convicção, em muitas ocasiões da minha vida. Me arrependo amargamente de ter tido a péssima ideia de abrir um cafezinho na  Corifeu de Azevedo Marques, o que foi um desastre, em todos os sentidos.... O que eu ainda não sei é o que fazer com esse monte de arrependimentos. Uma bela trouxa e jogar tudo fora. Acho que seria a coisa mais adequada a ser feita.

Também me arrependo de ter comigo mais chocolate do que eu deveria nesses últimos dias. Mas este é outro assunto...

Aliás, arrependimento é um dos assuntos recorrentes deste blog. A pessoa que trai o ser amado e depois se arrepende e quer se redimir.... Meu post mais acessado de todos os tempos se chama Confiança se recupera? - é um post de 2008.

Por isso, por influência e inspiração de uma amiga de infância, a muito querida Ana Maria, comecei a fazer uma novena para a Santa Luzia, para que ela "abra meus olhos" e para que eu enxergue o caminho que preciso tomar nesta minha vida. Eu já deveria estar aposentada, mas não... Nunca dei ouvidos para os conselhos que queriam me dar sobre a aposentadoria. Sempre me achei jovem demais para esse tipo de assunto.

Já falei aqui neste blog sobre a famosa fábula da cigarra e da formiga. Quem nasceu para cigarra nunca chega a formiga... fazer o quê?? (na verdade, menti quando disse que não me arrependia de nada em 2006)....

Mas a resposta que a Santa Luzia tem me dado é a fé. A gente costuma ter uma fé com efe minúsculo, uma fezinha de nada.

A Fé, com letra maiúscula, no entanto, é aquela da qual Jesus nos falou, capaz de remover montanhas. É só quando a gente caminha nesta vida com Fé que os supostos "milagres" acontecem.

No momento, minha família e eu estamos precisando de um desses milagres.

Eu espero e tenho Fé em Deus e nos desígnios do Universo que este milagre, assim como uma sementinha que brota na terra, sem que ninguém veja seus movimentos de expansão, está prestes a eclodir nas nossas vidas.

Quem sabe assim, eu entenda melhor qual é o meu propósito neste Mundo, para que eu nunca mais me arrependa de nada.




quinta-feira, março 17, 2016

Blog para guardar


Achei agora um blog pelo qual eu agradeço, comovida, por despertar lembranças tão doces do meu passado. Resolvi postar aqui para deixar registrado o endereço e ler todos os posts da autora, a Fabiana Tavares. Que lindo trabalho de resgate ela fez. Estou encantada. Que delícia!

quarta-feira, março 16, 2016


Vídeo de amor. Do amor de um filho pela mãe. Muito bacana!! Olha o tanto de visualizações que obteve até hoje: 13.850.482. Viralizou.

É do dia das mães do ano passado. Eu fiquei na curiosidade, se apareceu de fato o Adam. Mas acho que não... Tem um segundo vídeo, mas ela ainda estava lendo as milhares de cartas que chegaram e tal. O bonito mesmo é ver o que o filho fez pela mãe.

E o vídeo remete ao slogan deste blog: "all you need is love".

Temos que ter auto-estima e acreditar no amor. Sempre.

Os dias nublados


Tem dias em que a alma da gente fica nublada.
Miopia também é isso: a gente enxerga tudo meio embaçado, não tem clareza de nada, não sabe que rumo tomar, que direção seguir, que sentimento escolher para vestir a nossa alma, naquele dia....
Nesses dias de alma nublada, o melhor a fazer é..... O que? Não sei.... se você esperava uma resposta pronta, uma receitinha de bolo, sinto muito informar que não, não vamos estar dando receitinhas no dia de hoje.
O jeito é tentar acalmar a mente e o coração e (pra quem tem fé) pedir ajuda a Deus, aos seus santos de devoção. Agora, estou muito devota de Santa Luzia, que é a padroeira da visão.
Eu me lembrei dela em uma conversa com uma amiga de infância, outro dia.
Minha ideia era fazer uma novena, rezar nove dias seguidos para ela abrir a minha visão para o caminho que eu preciso seguir nesta minha vida.
Porém, eu esqueci de ser uma pessoa certinha e fazer todos os dias aquilo a que me propus.
Espero que a Santa Luzia seja paciente e compreensiva comigo e que me perdoe pela falta de pontualidade naquilo que eu prometi para ela e para mim mesma.

Assim como o tempo, a lua e a metereologia, a nossa alma é feita de fases. Umas mais alegres e felizes, outras menos. E tudo bem! Mesmo porque tudo passa. Isso vai passar também.

terça-feira, março 08, 2016

Cansada da alergia!


Alergia... sua estúpida. Vá te catar, sua besta, boba, chata e feia.

Quando eu era menina, era feio xingar. Proibido, Deus ia me castigar. Uma garota míope, tímida, que usava aparelho e roía as unhas. Sacou? Só poderia me tornar uma adulta alérgica. Alérgica ao mundo, às pessoas, aos fatos desagradáveis da vida.

Minha mais recente crise de alergia (agora há uns 15 minutos) me levou a pesquisar o que faz com que as pessoas desenvolvam esse tipo de reação alérgica. E dei com um artigo bacana sobre psicossomática. Nos meus primórdios como jornalista freelancer da revista Nova, sempre me mandavam fazer matérias sobre saúde (que, by the way, eu achava chatíssimas...). Uma dessas matérias me levou à rua Silvia (eu acho), para entrevistar um médico, um senhor, que afirmava que todas as doenças são psicossomáticas. Ele me convenceu. Eu até hoje acredito nisso. Daí encontrei a seguinte frase, neste artigo:
A pessoa tem grande agressividade, porém, esta se mantém reprimida. Se a pessoa tivesse plena consciência de sua carga de energia agressiva, então ela não seria alérgica. 

Achei que é uma excelente colocação. Mas ter consciência da enorme carga de energia agressiva é o suficiente para me livrar da alergia?? Não sei... Outra frase que me descreve à perfeição:

Na psicossomática, sabemos que o pólo aceito pela consciência é o que se expressa no comportamento. A personalidade que se expressa é a de uma pessoa muito amável, bondosa, compreensiva, um verdadeiro santo(a); (coitada da fulana, ela é uma mulher maravilhosa, e no entanto, sofre tanto com aquela alergia!)    

Bom, vou continuar a pesquisar. E a tomar antialérgico assim que aparecerem essas malditas placas vermelhas que coçam mais do que o inferno (pronto, estou liberando a minha enorme agressividade!!!)

quinta-feira, março 03, 2016

Personalidade tripla, quádrupla...



Não contente com a personalidade dupla, comum a quase todo/a geminano/a, eu inventei uma personalidade tripla para mim: uma editora de livros de não ficção (a Reality Books), um selo infantil (Fantasy Books) e um blog de saúde cardíaca (Clube do Coração).

Isso sem falar nas atividades como diretora de comunicação e marketing do Anhembi Tênis Clube, nas aulas de francês e no trabalho voluntário. E nas minhas incursões secretas como ghost writer.

É bastante coisa junta e misturada.

Meu problema sempre foi esse: falta de foco. Sempre pensei que houvesse algum tipo de problema comigo, até ouvir uma moça muito bacana, a Emilie Wapnick (escritora, artista, coach...  - tá vendo?? Ela não se define com uma só profissão) falar sobre o que ela chama de "multipotentialite".  Sou eu! Me achei, me encontrei. Mas isso não quer dizer que tá tudo bem comigo, não. Ainda não descobri uma maneira honesta e de acordo com a minha chamada "consciência" - digamos - de ganhar dinheiro (ou melhor "fazer" dinheiro, como dizem os americanos).

Pelo menos, isso me mantém jovem, Me sinto como uma adolescente, embora já esteja beirando a terceira idade.

Aqui vai o link para a palestra da Emilie no TED.


domingo, fevereiro 28, 2016

Lucas



O Consulta Sentimental tem a enorme honra de publicar (com um atraso imperdoável!) o texto da minha mais querida colaboradora Luciana Praxedes.

Aproveite!

Lucas

─ “Você irá chorar quando o médico chamar seu nome?”
─ “Acho que não, nem deve doer, acho eu”.
Em meio ao frenesi da recepção do hospital, um “jovem” de aparentemente quatro anos começa uma prosa com a moça de macacão estampado. Acabado o Carnaval, foliões e foliãs se amontoam entre bancos e poltronas a espera do doutor.
O pequenino, meio ressabiado com seu encontro de logo mais, dispara a falar:
─”Qual é o seu nome?”
─ “Luciana”, respondo.
─ “Nossaaaaa, será que a gente é parente? Meu nome é Lucas. Nosso nome é muito igual, né?”
Abro um sorriso e engatamos uma conversa sobre remédios, injeções e os motivos que nos levam até os hospitais. Ele, acometido por uma suposta virose, precisava de cuidados. Explicou que “toda hora ia ao banheiro” e que a “mamãe” dele até sugeriu uma fralda descartável. Mas ele refutou:
─ “Eu “tô” grande e não preciso disso. Se quiser, que me leve ao “doitor”, disse com um invejável ar viril.
Mas a aparente coragem escondia, na verdade, um sentimento genuíno de pânico.
─ “Se chamarem você antes de mim, você me conta como é?”
─ “Não se preocupe, não há de ser nada. Você até está com uma carinha boa para quem está dodói”, analisei, na tentativa de animá-lo.
Entre os lamentos de dor, de reclamações sobre a espera interminável e do som frenético dos últimos repiques de samba – transmitidos na pequena TV que tentava, inutilmente, entreter os candidatos à espera de um diagnóstico – o pequeno Lucas passou a divagar sobre a vida, sobre o tal do “zica, um mosquitinho bem pequenininho que pode machucar gente grande, gente pequena e até velhinho”.
─ “Luciana Praxedes, por favor, sala 2”, anuncia um rapaz ruivo, com voz de tenor.
─ “Chegou minha vez, Lucas. Preciso ir. Você fique calmo que tudo dará certo”, falo em tom encorajador.
Eis que, repentinamente, o paciente infantil dispara com um ar confiante:
─ “Tá tranquilo, tá favorável”.
Eu esboço um sorriso sem entender ao certo o que a frase quer sugerir.
─ “Pra você também”, digo com cara de interrogação.
Ao adentrar na sala 2, o “doitor” é categórico no meu diagnóstico:
─ “É dona Luciana, não ‘tá´ nada tranquilo, não ‘tá´ nada favorável”.

A tosse, até então esquecida durante a conversa com o falante mirim, volta a dar o ar de sua graça. Olho para o médico e penso: o mundo e seus inusitados neologismos.