terça-feira, outubro 10, 2017

Quando foi que eu fiquei velha?


Saiu este post no grupo "DR entre jornalistas e assessores" no Facebook:

Olá!
Alguém assessorando escritores jovens com livros publicados recentemente? 


Não aguentei... e respondi:

Olha, Beatriz, eu entendo que você está em busca de escritores jovens, mas será que esse recorte não é um pouquinho preconceituoso? O que é jovem? Hoje eu me olhei no espelho e perguntei a mim mesma: "quando foi que você ficou velha?". Tenho 59 anos e, embora a sociedade insista em me colocar o rótulo de "velha", eu o rejeito, com todas as minhas forças. Acabei de lançar meu primeiro romance, na verdade é um e-book e está à venda apenas na Amazon. As pessoas da minha geração mal sabem o que é um e-book, quanto mais preencher toda aquela ficha lá e pagar com cartão de crédito, pela Internet, algo tão imaterial quanto um e-book... Mas algumas amigas conseguiram passar por esta peneira e leram o meu livro e disseram que gostaram.
Neste livro, conto a minha experiência (e do meu marido) de nos mudarmos no primeiro semestre deste ano para Portugal. Em geral, são os filhos que saem de casa. Mas com a gente foi diferente. Deixamos toda a nossa história de vida no Brasil e partimos para uma nova vida no velho mundo.
Meu livro é dividido em partes que se encaixam: o Ontem e o Hoje. No “Ontem”, reproduzo alguns textos que escrevi quando tinha apenas 13 anos. Eu era então uma jovem escritora!
Quando cheguei aqui em Portugal, ganhei do meu querido amigo Ricardo de Jesus, dois livros da escritora portuguesa Rosa Lobato de Faria e me apaixonei pelo estilo dela, pela leitura fácil, pela cultura portuguesa impregnada nos parágrafos. Foi nela que me inspirei para escrever o meu romance. E você acredita que ela lançou seu primeiro romance – “O Pranto de Lúcifer” quanto já tinha seus 63 anos? Para mim, ela era uma jovem escritora, quando teve a coragem de lançar seu primeiro romance, já sessentona. Fez o maior sucesso. Pena que morreu tão jovem, com apenas 77 anos. Tá vendo? Por isso que eu acho que essa conversa de “jovens escritores” realmente não condiz com a nossa época.
Se alguém aguentou a leitura até aqui e tem curiosidade, o meu livro se chama “Destino Algarve” e está participando do prêmio Kindle de Literatura. Custa aproximadamente 1 euro e pode ser comprado no seguinte link: 

(mas somente por quem estiver no Brasil, para outros países, o link muda).

sábado, setembro 09, 2017

Adeus, dona Florência!


Rezo aqui sozinha e peço a Deus que a receba aí no céu com uma grande festa, com muita azeitona, pão caseiro, biscoito de polvilho e queijo provolone. De sobremesa, bombom sonho de valsa.

No ano que vem, a gente ia fazer uma grande festa, pelos seus 100 anos. Mas não deu tempo. No dia 9/9, aos 99 anos, a senhora decidiu partir.

Muito obrigada por sempre ter me tratado tão bem, por sempre me chamar de "anjo", por ter cuidado e mimado os meus filhos, sempre que eu precisei. 

Obrigada pelas suas deliciosas comidas, temperadas com todo o seu amor e carinho para nós: frangos suculentos, pastéis inesquecíveis (que a senhora fazia até a massa!), seus pudins de leite, e suas carnes cheias. Eu me lembro muito bem como a senhora fazia: colocava tudo em travessas de vidro, empilhava umas por cima das outras e amarrava em umas trouxas de pano de prato com muita força, para não caírem no caminho de volta para casa.

Obrigada por todos os presentes e mais presentes, que a senhora comprava com tanto sacrifício, em crediários infinitos nas Casas Bahia. Me deu dois liquidificadores! Estão até hoje lá em casa. 

E os pudins que a senhora levava para dar de presente para as meninas do hospital? E no Jóquei? A senhora tratava todo mundo por querido e querida. Às vezes, a senhora ficava brava também, e não deixava de encarar uma boa briga, se preciso fosse. 

Quanto a senhora lutou nessa vida, hein?? Teve tudo na infância, levava presentes para a professora, para que pudesse ficar do lado de fora da sala brincando. 

Mas perdeu o pai muito cedo, precisou ajudar a mãe, encantou os rapazes com toda a faceirice de menina moça, usava uma flor nos cabelos ondulados. Ganhou um concurso de culinária, preparando dois frangos no lugar de um - um dos frangos era só a pele, recheada de farofa. Quanta criatividade! Dançou tango, e conquistou aquele jóquei magrinho, que, de tão apaixonado, cobriu-a de jóias, casacos de pele, perfumes.   

Passados os tempos áureos da juventude, a senhora ainda usava aqueles xales de todas as cores e até foi parada na rua para ser fotografada para um blog de moda e estilo, lembra? Quando ia comigo na Seara Bendita. Nunca saia de casa sem um xale ou um lenço, super charmosa e elegante. De preferência verde, que era a sua cor preferida. 

Minha querida sogra, rezo agora e peço a Deus que envie os seus mensageiros mais felizes para recebê-la aí no céu. Que a senhora possa se reunir novamente com todos os seus parentes e amigos que partiram antes. 

Envio daqui da Terra as vibrações mais amorosas que sou capaz de transmitir, para que tenha muita LUZ no seu novo caminho, minha sogra tão querida. Obrigada por tudo. 

sábado, setembro 02, 2017

O que foi que aconteceu com a nossa criatividade?


Uma pessoa posta uma determinada foto naquela famosa rede social. Na maior parte dos comentários encontraremos a palavra "linda". É uma boa palavra, Inclusive tenho uma amiga querida que se chama Linda. Nada pessoal contra a palavra em si.

Mas, vamos combinar, que existem muitos outros adjetivos que estão abandonados, à míngua, em desuso, porque todo mundo (inclusive eu mesma) usa o "linda" à exaustão. Vamos exercitar a criatividade, minha gente: formosa, bela, graciosa, simpática, adorável, deslumbrante, elegante, encantadora, extraordinária, maravilhosa, exuberante, primorosa, perfeita, magnífica, formidável, bem-apessoada, garbosa, esplêndida, estupenda etc. etc. etc.

Por que ficar só no "linda"? Eu me pergunto.


sexta-feira, setembro 01, 2017

Dormir em quartos separados pode salvar seu casamento



Vou te contar o que nunca ninguém te contou sobre o casamento...
Ele não é sempre um mar de rosas, mas isso você já deve imaginar, né??
Toda aquela beleza e poesia da cerimônia de casamento não dura a vida inteira, de jeito algum. E se alguém disser que sim, está mentindo.
Vocês vão brigar, discutir e até se desrespeitar algumas vezes. Vão dormir brigados, vão se perdoar, vão resolver tudo na cama, vão ser cúmplices um do outro, fazer planos, ter filhos, brigar um pouco mais, se xingar, se arrepender de ter xingado, ficar sem se falar um dia, alguns dias. Um vai querer uma coisa e o outro, outra. Um vai querer dormir no claro e outro no escuro. Um vai ter frio, outro calor. Um vai roncar e atrapalhar o sono do outro. Você vai ficar com raiva. Ou vai despertar a raiva.
Um vai querer transar e o outro vai querer dormir, ou vai estar com dor de cabeça, ou cansado, ou em outra.
Mas se tiver amor, os dois vão passar por cima de todas essas picuinhas.
Nada disso é razão para separação.
Eu acho que nem mesmo a traição (se houver arrependimento) não é motivo de separação.
Você quer ser feliz. Ele/ela também.
Para um casamento feliz, a fórmula mágica é fazer o outro feliz. Colocar o outro em primeiro lugar (e não o seu orgulho bobo).
É assim que você cria o círculo virtuoso.
Mas a minha dica de ouro é: durmam em quartos separados.
Se você está com uma "vontadinha" de separar, pode funcionar. Se for uma "vontadona", aí pode ser que não.
Não precisa combinar isso. Apenas dê boa noite e diga que hoje você vai dormir no outro quarto (ou na sala). E durma lá.
No dia seguinte, dê bom dia e pergunte se ele (ou ela) dormiu bem
Eu juro que só isso já vai resgatar um pouco do clima de namoro, do qual você já se esqueceu.
Se você acordar antes, prepare o café da manhã dele (ou dela) e leve na cama, em uma bandeja bem bonita.
Mas não se iluda.
Aquela paixão do comecinho do namoro, aquela chama, aquele ardor, isso não volta mais.
O tempo anda pra frente, o relógio não volta e uma onda não quebra duas vezes na praia.
Se ainda tiver amizade, companheirismo, respeito, aquele amor calminho e suave, não desperdice isso. Conserve o seu amor.
Conheço muitos casais felizes, que dormem em quartos separados.
A felicidade sempre está onde a pomos. O problema é que quase nunca a pomos onde nós estamos.
Depois, me conte se funcionou.

sexta-feira, julho 28, 2017

Cacilda e Deolinda


Minha amiga Luciana Praxedes, que tem o dom da escrita e já escreveu algumas vezes aqui, me "emprestou" mais um dos seus textos inspirados e "bordados" com muito amor e carinho para as suas duas avós, para eu publicar aqui no Consulta. Como todos os textos muito bem tramados e urdidos, o dela, embora fale de pessoas muito particulares, tem a capacidade de alcançar a universalidade das avós deste planeta Terra.

Parabéns, Lu! E obrigada pela honra de compartilhá-lo aqui no meu espaço internético.

ELAS

No final de junho comecei um texto para tentar traduzir em palavras a saudade que sinto, sentia e sempre sentirei dela, da minha avó Cacilda. A emoção não permitiu que eu fosse capaz de concluir este desabafo, mas eis que a vida, com suas esquinas e travessuras, praticamente me obriga a rascunhar algo. Para deixar o coração mais leve ou apenas para repetir ao universo o que ele já sabe, divido com vocês meu sentimento.

Cacilda

Acho que sempre será impossível falar, pensar ou escrever sobre a senhora sem deixar que algumas lágrimas me façam companhia. O tempo passou, já são quase 30 anos que a senhora virou luz e foi brilhar do lado de lá, mas ainda assim, vira e mexe, algum cisco entra no olho. 

A gente se fala com frequência, mas rolou muita coisa por aqui enquanto a senhora virou encantada. Eu cresci (literalmente!), estudei (bastante, como a senhora sempre previu), me apaixonei, desapaixonei, construí relações, fiz amigos, viajei. E lembra aquele carro cor-de-rosa que seria nosso? Eu comprei um carro! Mas não tinha cor-de-rosa. Era preto e se chamava Vulcão. E nos nossos quase três anos de relacionamento sério, nem um dia sequer, ao estar dentro dele, deixei de lembrar como seria levá-la para passear por aí. 

A mãe, sua filha querida, está lindona! Continua a figura rara de sempre, dando nó em pingo d´água. A gente ri, chora, conversa, ri de novo, conversa mais um pouco e seguimos assim: companheiras uma da outra. Juntas. Sempre juntas! Se a senhora ainda estivesse por aqui, certeza de que aquele romance histórico, “Os Três Mosqueteiros”, seria reescrito numa versão tropical, feminina, arretada e bem-humorada. 

E como falar de humor sem lembrar da sua gargalhada e do jeito que todo o seu corpinho se balançava sempre que alguém contava um “causo” ou quando a Lucilene, minha irmã e sua outra neta, aprontava das dela?! Se eu fechar os olhos agora, sou capaz de reproduzir em minha mente (ou seria no meu coração?!) o som mágico que emanava da senhora.

Não posso esquecer de contar que estou cuidando deles. Do pai e da mãe. Do jeito que a senhora faria. Mas a senhora acredita que eu tenho fama de chata?! Precisava tê-la aqui para me defender. Eles me chamam de general só porque eu controlo a comilança de doces ou pego no pé quando faltam na academia... Só isso. Mas eu não estou certa, vó?! 

Vó, eu sei que a senhora está sempre comigo. Por isso preciso pedir um favor. A minha outra vó, a Deolinda, lembra-se dela?! Então, ela também virou luz. Acho que será sua vizinha. A senhora cuida dela pra mim? Cuida dela pra gente? Só um lembrete: nunca, em hipótese alguma, pergunte quantos anos ela tem. Isso deixa a dona Deolinda “avexada”. É besteira, eu sei. Ela também sabe. Mas por que criar caso, né? O que importa mesmo é que agora o céu e o universo contam com mais duas estrelas. As estrelinhas mais arretadas que se tem notícia na história das galáxias. Nem posso calcular a bagunça boa que vocês duas irão aprontar. Promete uma coisa? Quando tocar “Cintura Fina”, do Gonzagão, pensa em mim? 

Deolinda

Sabe o par de olhos azuis mais lindos que eu já vi? São os seus, vó. Sei que a sua vida acaba de mudar, mas olha só: vai dar tudo certo. Não tenha medo, não. Já conversei com a vó Cacilda e ela irá cuidar da senhora. Tenha nela uma amiga, alguém para estar ao seu lado quando precisar de um colo quentinho e cheiroso. 

Eu tenho dificuldade com esse negócio de despedida, mas se teve algo bonito no seu desencarne foi perceber que o amor estava lá do seu lado. Amor em forma de filhos, netos, cunhados, noras e amigos. Seus meninos e sua menina estão sofrendo, cada um do seu jeito, mas todos têm a mesma certeza: a vida nunca acabará enquanto houver amor. E teve. E tem tanto amor, vó.

Até agora eu dou risada sozinha ao lembrar a nossa última conversa. Eu, inconformada, querendo entender o motivo de não ter nascido com o seu par de olhos azuis. A senhora achando graça e tentando me consolar. E eis que o pai, todo metido, pergunta se eu, a filha do Zé Vermelho, não sou a que mais parece com o meu avô Chico entre tantos rostos existentes na nossa grande família. A senhora, toda compenetrada, me olha séria para avaliar se a afirmação tem mesmo validade. E me diz: “pois é, parece mesmo com Chico. Até o jeito todo ‘renhenhem’”. Eu devolvo: “mas o que é ‘renhenhem’, vó?”. A senhora esclarece: “você é bagunceira como o Chico, minha filha”. E o coração desta neta só fez explodir de tanto orgulho. Porque percebi nessa frase que ele, o avô que a vida não me permitiu conhecer, iria ajudar a vó Cacilda a cuidar da senhora. Não sei explicar direito, mas tive uma certeza esquisita de que eu e a senhora, de alguma forma, estávamos nos despedindo.

Mas não fique triste, não. Ainda estamos muito emocionados por aqui, é verdade! Mas tudo aconteceu como deveria acontecer. A senhora não precisa olhar para trás: eu, a Jane e meus outros primos e primas cuidaremos da sua prole. Seus meninos e a sua menina ficarão bem, vó. Pode acreditar. Já sinto saudade das suas histórias sobre o sertão e do seu par de olhos azuis. Mas se tem algo que aquece o meu coração é saber que conseguimos construir uma história bonita, delicada, cheia de amor e de risos. Eu nunca levei muito a sério o seu jeitão que muitos consideravam ”seco”. Balela! Sempre soube que dentro da senhora havia muito amor. Um amor que eu conheci. E que permanecerá vivo toda vez que meus olhos avistarem o seu Zé Vermelho ou o seu Neném. O amor vive, vó. Porque a senhora sempre viverá!

5 de agosto:
§  Esta data concentra a saudade de uma vida: há 30 anos a vó Cacilda desencarnava. Foi quando soube que ela virou luz!
§  Daqui a alguns dias a vó Deolinda completará mais um aniversário. Como toda família nordestina que se preze, há controvérsias sobre a idade exata dela. Alguns, como o meu pai, defendem que ela nasceu em 1918, ano que consta em seus documentos e, portanto, faz jus aos seus quase 99 anos. Outros, entretanto, acreditam que sendo ela de 1915, já é uma centenária. Eu, se bem a conheço, aposto que ela ficaria com a primeira versão na qual ela se torna mais “moça”. Vida longa, vó Deolinda! Sua nova aventura acaba de começar! Não se esqueça de mim, tá?! Pois eu jamais esquecerei esse seu par de olhos azuis...


Luciana Praxedes Ventura

Santos, 25 de julho de 2017


(Amanhã, 26 de julho, é celebrado o Dia da Avó. Como eu não acredito em coincidências...)

sexta-feira, abril 21, 2017

Facebook = ego trip

Foto: Keiny Andrade, da revista IstoÉ

No Facebook todo mundo é lindo, sorridente, feliz, saudável, ryco. Isso não me incomodava, até que começaram a pulular na minha timeline as tais listas de 9 verdades e 1 mentira. Esse fenômeno me levou a refletir sobre a era do EGO que estamos vivendo e que está demorando para passar pra trás....

Eu acredito que o mundo precisa urgentemente de pessoas que não olhem apenas para seus próprios (e lindos) umbigos sarados e bronzeados de sol e bem alimentados de produtos veganos, politicamente corretos. É enjoativo ver esse tipo de movimento no mundo, e o Facebook apenas reflete essa neurose coletiva.

O meu blog não deixa de ser uma ego trip, eu sei. Mas sei lá, eu to aqui quietinha no meu canto, pouca gente se dá ao trabalho de ler textos longos e eu encaro o meu blog como aquele meu diário de chavinha dos anos 70.

Não culpo as pessoas individualmente, porque acho todo mundo legal, quem posta e quem não posta esse tipo de coisa. Não se trata de encontrar culpados. Mas de refletir se, de verdade, isso serve para alguma coisa.

Pensando bem, até que serve, vai. Serve para o autoconhecimento. E o autoconhecimento é algo bom, positivo. Tomara mesmo que as pessoas se conheçam e saibam identificar quais escolhas devem fazer vida afora.

E uma escolha importante é: o que vou fazer com o meu tempo?

Eu tenho passado bem menos tempo no Facebook. Tirei o aplicativo do celular, o que foi ótimo. Não ficam aqueles círculos vermelhinhos com números me atrapalhando o tempo todo. Ainda não consegui bani-lo totalmente da minha vida. E nem farei isso. Mas é preciso escolher o que fazer com os minutos que escoam entre os nossos dedos.

Eu, por exemplo, estou dedicando grande parte do meu tempo a dois grandes projetos, atualmente:

1) Coletivo de Conteúdo - minha grande motivação e acredito mesmo ser a razão da minha existência no Planeta, profissionalmente falando. Porque pessoalmente, já deixei meus filhos e minha neta, então, missão cumprida.

2) Projeto Portugal - sim, nós vamos embora. Pode ser seis meses, um ano, dois meses, 10 anos. Vamos experimentar como é morar fora do Brasil. Para quem nunca mudou nem de cidade, é algo importante de se fazer com quase 60.

E dei voltas e voltas e acabei caindo na minha ego trip particular. Veja que bacana ficou a nossa foto e a entrevista que demos para a Revista IstoÉ desta semana: "Descobrimento às avessas".


quinta-feira, abril 06, 2017

Mais um presente aos leitores!


Ganhei mais um belo texto da minha querida amiga Luciana Praxedes. exclusivo aqui para o Consulta. Aproveite!

Sobre o tempo que devemos ter

O relógio é um dos seus amigos mais íntimos. Ela precisa acordar na hora certa, sair de casa com precisão e correr contra o tempo. Ela tem pressa porque a vida é rápida, acelerada. O dia dela, e da maior parte das pessoas que conhece, é formado por etapas e atividades que devem ser concluídas com sucesso num determinado período de tempo.

Mas foi num dia, como outro qualquer, que tanta pressa passou a não ter importância. O tempo parou por alguns minutos quando ela descobriu que a vida é efêmera, quase um sopro. Naquele café, enquanto sua amiga contava sobre o diagnóstico do médico, tudo voltou a ganhar a proporção que merece ter. Nem mais e nem menos. Diante do desconhecido e na tristeza da notícia, o relógio da moça travou no momento presente. Na conversa, na dor da sua amiga.

A amiga ficará bem. Tem que ficar. Não é uma dessas coisas que se entrega para a força do destino ou do acaso. Trata-se simplesmente de uma constatação: sim, a amiga irá superar este desafio com graça, amor e rodeada de pessoas com tempo. Tempo para estar ao lado dela, para mimá-la, para conversar e planejar as férias europeias que há anos tentam coordenar. O tempo, ao contrário da pressa, requer disponibilidade, querer. E elas querem.

Com os acontecimentos recentes, ela se deu conta que perder um amigo ultrapassa o fim da vida como conhecemos. A gente não perde as pessoas para a inevitável morte. Também perdemos amigos vivos. E perder alguém querido quando se tem a chance de revê-lo, de tocá-lo, é imensamente mais triste porque decorre de uma perda consentida. A morte da alma, a morte do vínculo, é ainda mais dolorida porque depende apenas de nós. Depende da nossa inércia, da falta de tempo. Esta dor não se aplica a elas, mas o caso a fez lembrar no tanto de pessoas que foram esquecidas no meio da jornada por conta do relógio e dos compromissos assumidos para toda a eternidade.


Aquele diagnóstico trouxe proporção para a vida. Ela não perdeu ou perderá uma amiga. Ainda terá as conversas madrugadas a dentro, as compras no shopping, o dia de comer tranqueira e um futuro repleto de momentos felizes e infelizes. Juntas, ela e a amiga olharão para trás com a sensação de que estavam ali, uma ao lado da outra. Não cederam a vida ao tempo voraz e implacável. Construíram uma vida que ainda se mantém viva. Dentro e fora delas.

segunda-feira, março 13, 2017

La siesta


Eu estava trabalhando com horário e tudo... Naquela época, o que eu mais desejava, depois do almoço, eram 15 minutinhos pra deitar e descansar. Sria um lugar com redes, natureza, e também salinhas fechadas. Pensei até na logomarca da empresa, que se chamaria La Siesta: um mexicano com chapelão, sentado abraçado nas pernas, cochilando. Mas é claro que não fiz nada de concreto. Tenho várias desculpas... a principal: falta de $$ para investir.

Daí, meu filho me chama hoje pra ver uma matéria que estava passando no Jornal Hoje. Lá estava a minha ideia: uma empresa chamada Cochilo. Bacana!

Hoje à tarde, descobri o blog de uma jornalista que está participando do Coletivo de Conteúdo.

No post que li, havia um vídeo com a fala de uma moça chamada Mel Robbins, no TEDx de São Francisco, sobre "Como parar de se ferrar", que tem a ver com a situação que eu descrevi. Quantas ideias não deixamos passar, por, principalmente, muita preguiça de sair da zona de conforto, né??

Amanhã, como ela recomenda, vou me levantar meia hora mais cedo.

E vamo que vamo.

quinta-feira, março 09, 2017

Sessão da tarde


Quando eu trabalhava fora, uma das minhas maiores fantasias e sonhos de consumo era imaginar como seria bom ver a sessão da tarde em casa, refestelada no sofá. Bom, eu saí do meu último emprego em 2015 e nunca tinha me dado esse direito. Porque ao mesmo tempo que me parecia uma coisa muito legal, que tem a ver com o ócio criativo e coisa e tal, também representava pra mim o símbolo da preguiça, o estereótipo do pior lado daquela aposentadoria vazia e "de pijamas" de antigamente.

Mas hoje (me invejem, pessoas que trabalham com horário) eu me larguei na minha poltrona preferida e vi o clássico dos clássicos "A Lagoa Azul" na sessão da tarde, sem medo de ser feliz. É um dos mais reprisados na sessão da tarde e não pode existir diversão mais inocente e descomprometida do que essa. O filme é de 1980 e eu nunca tinha visto, acredita??

Sempre dei ouvidos às críticas que falam que é fantasioso, fake, bobinho, etc. etc, etc... Mas hoje, joguei todas essas análises para o alto e vi o filme todinho, do começo ao fim. Ele é mesmo bobinho, falso, etc... Mas como é lindo aquele casal! Como é linda aquela suposta ilha paradisíaca! Como é fantástica a vida que eles levam ali! Comida farta, sol, mar, o Richard e aquela sua habilidade inacreditável de construir um palacete em plena praia... tudo mais que perfeito.

Eu também gosto de assistir aquele programa Largados e Pelados e o contraste não pode ser mais absoluto. Acho ambos um exagero. Tanto o filminho água com açúcar dos anos 80 quanto o "reality" show de hoje.

Tudo isso me leva a crer que boa mesmo é a minha vida de semi-aposentada de hoje: sem dinheiro na conta, mas esbanjando qualidade de vida. Posso até me dar ao luxo de ver a sessão da tarde de vez em quando!

sábado, março 04, 2017

Meu filho primogênito


Um homem: é emocionante quando a gente constata que o filho cresceu e está prestes a completar 34 anos. Ele me tornou mãe e me deu o meu melhor papel nesta vida, o de mãe. Dar à luz, criar uma vida, isso é fantástico. Se eu não tivesse feito mais nada nesta vida, apenas o fato de ter gerado o meu filho já bastaria para dar significado à minha existência.

Meu bebê, meu menino, meu filho, meu arquiteto número 2 (o pai dele é o número 1). O tempo foi passando e me revelando este homem que eu tenho aqui na minha convivência: um homem sensível, que tem os valores mais preciosos que se pode querer, um homem do bem, um pai incrível e amado, um filho dedicado e amoroso, um irmão com quem se pode contar, um neto carinhoso e atencioso.

Tenho muito orgulho desse meu lindo menino. Lembro dos seus cachinhos dourados, do seu sorriso (não muito constante, mas sempre sincero), do seu primeiro par de óculos de armação vermelha, do sapato de verniz preto, do skate que chegou com toda a parafernália correspondente (joelheira, cotoveleira, capacete). Ele ainda era muito pequeno para ganhar skate. Mas ganhou assim mesmo.

Entendo porque as mães se recusam a enxergar os filhos como homens feitos. Elas sempre se recordam daquele bebê indefeso que dependia delas para tudo. Mas o exercício de enxergar este homem crescido é necessário e saudável. Hoje, na véspera do aniversário dele de 34 anos, me descubro emocionada em registrar a sua trajetória nesta vida. Ele prefere ter poucos e excelentes amigos. Não é de muita conversa. Mas não duvido um pingo do seu bom caráter e do seu amor pela vida e pelas pessoas mais próximas. Me sinto privilegiada e agradeço por poder conviver com ele quase todos os dias e já sinto saudades desse tempo.

Desejo zilhões de felicidades para ele, que ele realize todos os seus desejos e sonhos. Vibro com o seu sucesso e quero que ele seja exageradamente feliz ao lado de quem ele ama. Eu e meu colo estaremos sempre prontos a recebê-lo, toda vez que ele precisar.

I love you, Tom!