quinta-feira, maio 30, 2013

Mamãe


Estava procurando um texto para participar de um concurso literário para sócios de clubes, quando achei um texto que escrevi p/ minha mãe, faz uns cinco anos. Mas é atual, ainda. Eu precisaria publicar também uma foto escaneada, a foto que inspirou o texto. Mas vai ficar para depois.... Também não sei porque o primeiro parágrafo ficou diferente e não consigo mudar. Vai assim mesmo...

Querida mamãe


Silvia Angerami

Estamos abraçadas, sentadas no degrau do abrigo do carro, na frente da minha casa. Sorrimos, as duas. Afinal, acabamos de fazer as pazes. Minha mãe, quando sorri, mostra uma linda covinha na bochecha, o que dá um charme adicional a essa jovem vaidosa e delicada. Eu, ali grudada no pescoço dela, me sinto segura, reconfortada, feliz. Inocente, não tenho a mínima ideia de como vai ser a minha vida. Mas, naquele instante, tudo o que preciso saber é que, por mais que eu tenha mania de ficar emburrada, assim como o meu pai também ficava, minha mãe sempre estará ali, ao meu lado, pronta para me abraçar, me perdoar, por mais que eu tenha magoado o seu coração com minhas atitudes infantis.

Minha mãe. Doce, calma, tranquila  aquela que termina de almoçar por último, porque come devagar, mastigando tudo muito bem mastigadinho. Minha mãe, moça vaidosa, que não sai de casa de chinelo e nem sem o seu batonzinho, nem que seja para ir só até a padaria na esquina. Minha doce mãe, que me ama incondicionalmente, ainda que fique meio chateada se eu deixo de telefonar algum dia para ela. Minha mãezinha que pensa que é uma pessoa frágil, mas que sempre me deu o exemplo do trabalho, dentro e fora de casa, sempre me deu o exemplo da dedicação, da boa vontade, da simpatia, da amizade e da força. Mocinha nova, que deixou de trabalhar fora quando se casou, pois o marido pediu e naqueles idos tempos dos anos 50, não era muito comum mulheres trabalharem fora.

Minha mãe, que se esforçava em fazer tudo direitinho, ainda que para minha avó paterna nada estivesse tão bom. Minha avó Flora, muito dominadora e exigente, assustava a menina que acabara de se casar e que nunca conseguia fazer as coisas do jeito “certo”, como faziam as mulheres da família, aquelas sim, sabiam fazer isso ou aquilo, uma ou outra comida, muito melhor do que aquela mocinha bonitinha, mas bobinha. Nem assim, minha mãe nunca discutia com ela. Minha mãe sempre me ensinou a respeitar os mais velhos. E não me ensinou só com palavras, mas principalmente com o seu exemplo.

Mais tarde, começou a trabalhar como “sacoleira”. Íamos as duas ao Bom Retiro, onde, com seu jeitinho cativante, minha mãe fazia amizade com as vendedoras (algumas duram até hoje) e comprava roupas em consignação para vender às amigas. E eu sempre ia com ela. Mas para mim, ela não comprava as roupas ali. Eu só queria roupas do Shopping Iguatemi, e lá ia ela, com o dinheirinho ganho a duras penas, comprar o que eu queria nas lojas mais bacanas do shopping. Ainda assim, ela sempre me dava conselhos sobre economizar, sobre gastar o dinheiro com parcimônia, pensar no futuro.

Minha mãe deixava todas as tardes o chinelo do meu pai perto da porta da entrada da casa e levava a toalha para ele no banho. Aqueles gestos simples marcaram a minha infância. Ela fez tudo o que estava ao alcance dela para termos uma família, feliz, harmoniosa, equilibrada, feliz. Tudo. Mas as coisas nem sempre são do jeito que a gente gostaria que fossem e um belo dia meu pai anuncia a separação. Foi um choque.

Minha mãe, a mocinha frágil e delicada, ao invés de se deprimir com a situação, como poderia ter acontecido, ao contrário, começa a lutar, de todas as maneiras que ela conhece, para que aquela separação não aconteça. Vou com ela a tudo quanto é seita, religião, adivinhos, cartomantes, “mesa branca”, tudo quanto é religião. Compramos um guarda-roupa grande para o apartamento novo, com um espaço reservado para as roupas do meu pai, na esperança de que ele resolva voltar. Mas é tudo inútil, em vão. Nem assim minha mãe se deixa abater. Volta a estudar, faz o supletivo do segundo grau, encontra novas amizades, começa a namorar.

Minha querida mãe é meu modelo de força, de coragem, de levantar a poeira, dar a volta por cima. Não me lembro de tê-la visto chorando. Começa o curso de estética no Senac e se encontra na profissão. Dedicada, aplicada, adora fazer limpeza de pele. Mas não é só isso. Quer ajudar os outros. Se a pessoa tem algum problema, logo se abre com ela, que dá conselhos, faz massagens, faz de tudo para que a pessoa saia do tratamento de pele sentindo-se bem, não só na aparência, mas também na alma.

Mamãe, que eu chamo de senhora (hábito que vem do interior, influência da minha avó), sempre esteve comigo em todos os momentos. As coisas mudaram um pouco depois que se fortaleceu o relacionamento dela com o segundo marido, o Nelson. Uma viagem “inadiável” a tirou de perto de mim quando meu primeiro filho nasceu. Para mim, foi muito duro não poder contar com ela naquele momento da minha vida. E ainda assim, eu a chamava, quando vinham as dores do parto. Ela chegou no dia seguinte, mas eu estava ferida no meu orgulho, no meu amor próprio e levei vários anos para perdoá-la por essa ausência. Hoje, porém, enxergo tudo com muito mais clareza. Vejo que ela mesma nunca se perdoou por não ter estado comigo naquele instante. Eu, que sempre fui muito dependente dela, precisei me virar, e até a sua ausência fez bem para mim, por mais estranho que pareça e por mais difícil e demorado que tenha sido compreender isso.

Mamãe, eu quero dizer que te amo, profunda e reconhecidamente, e que agradeço por todos os momentos que pudemos permanecer unidas, coladas, agarradinhas, assim como naquela foto. Quero dizer que te agradeço pelos seus exemplos de vida, durante toda a sua vida. Quero te dizer que espero ser perdoada pelas minhas criancices, pelo meu egoísmo de filha única, mimada. Quero te dizer que estou muito feliz por tê-la a meu lado hoje e que agradeço a Deus nas minhas orações pelo seu exemplo de fé, de coragem, de renúncia, de dedicação, de trabalho, de caráter, de respeito, de atitude, de amor.

Se eu pudesse fazer um pedido ao Universo, eu queria que fosse aprender a retribuir o que a minha mãe tem feito por mim durante esses anos todos (quase 55). Hoje também sou mãe, sou avó, mas nunca fui uma aluna muito aplicada, com relação às lições que minha mãe me ensinou. Ainda bem que ela ainda está ao meu lado e, quem sabe, eu ainda tenha mais uma chance. Sei que, se depender dela, eu terei todas as chances do mundo.

Mamãe, querida, amada, adorada, muito obrigada por tudo, por me dar a VIDA, por estar ao meu lado sempre que eu preciso. Por me dar seu colo, seu carinho, seu abraço, sua atenção. Obrigada por existir, por me dar sempre mais uma chance de acertar. Obrigada pelo seu amor incondicional, por me perdoar sete vezes setecentas vezes. Obrigada por tudo. Te amo.   

segunda-feira, abril 29, 2013

E quando o feitiço vira contra o feiticeiro?


Imagine a seguinte situação: tudo começa com uma namorada ciumenta. Depois ela descobre que não amava o namorado tanto assim. Então, ela "fica" com vários rapazes e mais tarde, conhece o seu amor mais verdadeiro. Só que... surpresa! Ele é tão ciumento quanto ela foi no passado... Esse é o resumo da história da Luíza (nome fictício). 

Eu já falei sobre o ciúmes também aqui neste link:
http://consultasentimental.blogspot.com.br/2006/03/o-bichinho-verde.html

Acompanhe a angústia dela e a resposta, abaixo. 

E você, o que faria no lugar dela? 


Silvia, 

Descobri o seu blog hoje e vi que você dá conselhos quando solicitado e resolvi pedir ajuda, pois não sei mais o que faço, estou muito angustiada.

Tenho 27 anos, namorei e fui noiva por 6 anos, num relacionamento em que fui traída logo no começo, e passei o resto do namoro com brigas e desconfianças pq eu não conseguia esquecer e perdoar totalmente. Ficava neurótica  olhando o celular dele, carteira e bolsos pra ver se encontrava alguma pista. Enfim, percebi que não era o que queria, não gostava tanto dele assim e terminei. Mas quero salientar que nunca trai ele, nem passava pela minha cabeça, e não tinha interesse, pois se eu  cobrava fidelidade dele, como eu poderia fazer o contrario?

Passei quase 2 anos solteira  saia todos finais de semana, conheci muita gente e fiquei com muitos rapazes também, muito inconsequente, não me importando com o que as pessoas pensavam de mim, eu só queria aproveitar um tempo que foi jogado fora.

No final do ano passado conheci um rapaz maravilhoso, que hoje namoro, bateu tudo logo no começo, afinidades, interesses, química  etc. Ele é o melhor homem que conheci ate hoje, atencioso, carinhoso, companheiro, confiável (tenho absoluta certeza que posso confiar nele), posso ficar o dia inteiro falando das qualidades dele, que nunca pensei que encontraria em uma unica pessoa. Sou completamente apaixonada por ele, pra mim ele é o homem da minha vida, que quero casar e ter filhos.

Mas nem tudo é perfeito  ele já teve muitas desilusões, foi traído também e tem uma personalidade muito forte. Ele é muito desconfiado e fica investigando minhas coisas, meu passado e se decepcionou com o que descobriu desse tempo em que eu estava solteira.

Nunca trai ele e não faria isso. Amo ele de verdade, mas ele não consegue acreditar.

Ele me pergunta das coisas que já vivi antes dele e não fico confortável em falar, pq me envergonho muito, nunca pensei que o que eu faria quando solteira, fosse atrapalhar um namoro, e que meu passado fosse tão importante para alguém.

Dei minha senha do facebook para ele para provar que eu não estava conversando com ninguém (pois essa é uma das desconfianças dele) e ele achou algumas conversar antigas, antes da gente começar a namorar, e ficou com ciumes ( eu também ficaria), mas ele usa isso para me atingir, para me julgar e não aguento mais.
Depois que conheci ele, nunca mais conversei com ninguém  respeito muito alguém quando estou namorando. Queria que ele pudesse confiar em mim, mas devido as ultimas experiencias ele acha que eu faria o que já fizeram com ele.

Acho que ele tem medo de fazer papel de bobo e qualquer coisinha ele já quer dar uma de esperto, dizendo que sabe o que estou "aprontando" quando na verdade não estou fazendo nada.

A gente se  todos os dias, desde que começamos a namorar, mas um dia desses atras eu pedi para ficar na minha casa (normalmente ficamos na casa dele) pra poder fazer umas coisas, como unhas, lição de inglês  arrumar minhas roupas, etc., e ele não aceitou muito bem, disse que eu estava enjoada dele, que eu queria aproveitar para conversar com alguém pq ele não estaria perto, que eu minto o real motivo das coisas, etc etc.
Eu só queria fazer minhas unhas e arrumar meu quarto, mas ele já leva tudo pro lado negativo e desconfia de tudo.

Eu tenho certeza de que ele me ama, gosta da minha companhia, a gente é parceiro em tudo, até pescar nós vamos juntos e no salão de beleza, coisas que nunca pensei que faria com um namorado.

Mas a situação ta difícil  não consigo fazer ele acreditar em mim e relaxar. Pois já estive na mesma situação que ele no passado e sei que essa paranoia e desconfiança, sufoca a gente, faz mal, perturba, é ruim demais.
Eu sei o que ele sente quando está desconfiado, mas eu faço tudo certinho, tentando não dar motivos para ele brigar comigo, mas ele sempre arruma alguma coisa.

Sei que meu passado me condena, eu também teria ciumes de saber o que ele ja fez com outras meninas, por isso eu não pergunto, não quero saber. Amadureci muito nesse tempo e consigo enxergar que passado é passado, ele também teve o passado dele sem saber que um dia iria namorar comigo.

Tenho ciumes sim, mas sei que é tudo coisa da minha cabeça e não deixo a paranoia voltar como já esteve presente antes. Mas ele gosta de remoer o meu passado.

Não gosto de tocar no assunto e ele fica bravo. Estou tao errada assim? Tenho que falar de tudo que ja fiz, sabendo que ele não tem nada a ver com isso, que isso só acrescentaria coisas ruins na cabeça dele? Queria poder esquecer tudo que já fiz, porque para mim, não tem mais importância nada daquilo, hoje estou feliz com ele e é o que me importa. Queria que ele aceitasse isso.
 
Não sei mais o que faço. Pode me ajudar? O que faço para ele confiar em mim e parar com as brigas?
Quero viver em paz com ele, aproveitar todos os momentos bons.

Eu o amo muito e não quero desistir, mas sinto que estou lutando com uma coisa que não posso controlar.

Espero que você possa me dar uma pal avinha de conforto.

Mesmo que não responda, ja me sinto melhor, só pelo fato de desabafar.
 
Obrigada, 
 
Abraços

Minha resposta foi assim: 

Luíza, 


A ajuda às vezes demora, mas não falha. Agora finalmente, consegui um tempo para responder p/ vc. 
Sua história é muito interessante e me lembrou um ditado antigo: "aqui se faz, aqui se paga!"  A impressão que eu tenho, sem conhecê-la pessoalmente e sem saber os detalhes da sua história, é que você está vivendo a mesma situação vivida pelo seu namorado anterior, quando você "pegava no pé" dele. Isso ficou muito claro para mim. 

Agora, o que você precisa decidir (e isso é você com você mesma) é se está disposta, em nome do amor que sente pelo seu namorado atual, a continuar nessa situação. Sempre lembrando que essas situações, ao longo do tempo, podem mudar. Amanhã ou depois, pode ser que ele mude de comportamento, mas eu não saberia o que te dizer para fazê-lo mudar. Eu não acredito que uma pessoa tenha o "poder" de mudar uma outra pessoa, só ela mesma. O que já é bem difícil.... 

Então, a decisão é sua.... só o que posso dizer é que se você o ama de verdade, acredito que vá escolher ficar ao lado dele e "pagar para ver" a transformação dessa situação passageira em uma outra situação mais favorável a você. No seu relato você diz que decidiu terminar com o namorado que te traiu porque percebeu que não gostava dele tanto assim. De fato, para ficar ao lado de alguém é preciso gostar tanto assim e mais um pouco. Porque problemas, sempre haverá. 

Também acho que seu namorado atual NÃO tem o direito de ficar chateado com o que vc fez antes de conhecê-lo. Você nem o conhecia, oras... E tinha sim o direito de aproveitar a vida assim como todos os homens fazem. Não vejo pecado algum nisso. Você deveria falar isso p/ ele, com toda a delicadeza, e parar de carregar essa culpa. 

Mais uma coisinha: você precisa ver como você reage aos ataques de ciúmes dele. Quando souber agir com naturalidade e carinho, sem brigar e sem responder, aí você encontrará a felicidade que tanto almeja. Ela está dentro de você e não fora. Está no comportamento que você escolhe ter. E então, me lembro de um outro ditado que diz: "quando um não quer, dois não brigam". 

Espero que você seja feliz. Se quiser, me escreva de novo. 

Boa sorte e bjs, 

Silvia 

sexta-feira, abril 12, 2013

O que vc faz quando ninguém está olhando?


Outro dia, fui até a janela do meu quarto p/ baixar o vidro (é aquela janela tipo veneziana) e daí um dos meus vizinhos da casa debaixo (eu fico 4 andares acima deles), um rapaz que eu nunca tinha visto antes, estava saindo e se benzeu. Achei tão bonitinho aquele ato singelo e solitário! E reforcei o pedido mental dele, pedindo também que ele fosse abençoado naquele dia.
A casa dos meus vizinhos de baixo é bem simples, térrea, tem telhado de "eternit" e é uma das coisas "feias" da paisagem. Por outro lado, é a casa da vizinhança que a gente mais observa, ao abrir e fechar a veneziana, ao longo dos 8 anos em que eu moro lá. Tem um quintal com varal, uns quartinhos independentes nos fundos, que podem ser para alguns membros da família ou talvez sejam alugados. Não sei. Um dia fizeram um "puxadinho" em mutirão, para cobrir a máquina de lavar, "luxo" antes inacessível às classes D/E.
Nunca tive a oportunidade de falar com os vizinhos de baixo (a distância é bem grande e o meu quintal fica bem acima do deles) Mas a gente acaba inferindo como é a rotina daquela família simples. Tem uma matriarca, a "vó", muito amada e respeitada, ela deve ser a dona da casa que abriga todo mundo. Ele deve ser a sustentação de toda a numerosa família. Tem um rapaz que deve ter problemas mentais, nem sempre ele está por lá, deve passar uns tempos internado em alguma instituição. Mas de vez em quando ele aparece, fala alto, com voz enrolada, Quando a "vó" sai, às vezes vem o som no volume mais alto: uma música popular, um rap, um pagode. Coisas assim. Mas quando a "vó" tá em casa, ninguém se atreve.
Outro dia, começamos a ouvir choro de bebê. Uma menina, vimos a manta rosa no carrinho.
Nesses 8 anos, criamos uma intimidade estranha com a família da casa de baixo.
Às vezes, penso em inscrevê-los naqueles programas do tipo que reformam as casas das pessoas, tipo o "Lar Doce Lar" do Luciano Huck, sabe?
Sem que eles jamais me conheçam, ou sequer imaginem o quanto eu sei a respeito da vida deles.
Ia ser bem bacana!
Achei lindo o gesto daquele rapaz saindo de casa bem cedinho naquele dia. Eles mereciam ganhar uma surpresa bem bacana na vida deles.
Vi quando o cachorro vira-lata deu cria e os filhotinhos foram sumindo, um por um, distribuídos entre vizinhos e amigos.
Vi quando teve uma briga horrorosa e ameaçaram chamar a polícia e tal...
Vejo a "vó" lavar a cozinha, cuidar dos queridos dela....
Enfim... essa é uma das coisas que faço quando ninguém está olhando: sou "voyer" da vida dos meus vizinhos da casa de trás. É mais bacana acompanhar a vida deles do que novela ou reality show. É a vida como ela é.

terça-feira, abril 02, 2013

Viagem ao passado não existe


No ano de 1977 (por aí), alugamos uma casinha em Monte Verde, com uns amigos. Ela ficava em uma esquina, na Vila Operária. Nosso programa, durante muito tempo, foi ir p/ lá todos os fins de semana. Foi um tempo tão bom da nossa vida!!

Monte Verde se resumia a uma rua principal, um posto de gasolina, pouquíssimas pousadas, um hotel que não aceitava crianças (!!!) - sempre achei um absurdo... e lareiras, caminhadas sem fim, frio de noite, calor de dia, amigos novos, geleia de ruibarbo e apfelstrudels da dona Zenta, o pão quetinho da padaria, na própria Vila Operária.... Uma delícia.

Corta para 2013.

Outro dia, estávamos burlando a reeducação alimentar em grande estilo, na pizzaria Braz, em Pinheiros, e eu reparei em um moço na mesa ao lado, que eu sabia que conhecia de algum lugar. Mas como estava com o meu marido, parei de olhar e desisti de lembrar de onde o conhecia.

Dali a pouco, vem ele até a nossa mesa:
- Guilherme! Você não está me reconhecendo...de Monte Verde...
E eu:
- Maurício!
Lembrei na mesma hora. Com esse encontro, por acaso, todas aquelas lembranças do passado afloraram com força e deu muita vontade de voltar a Monte Verde.

O Maurício contou que um amigo nosso daquela época, o Nico, tinha uma pousada lá: "Nico on the Hill". Mais do que depressa, fui ao Google, achei a pousada e fiz uma reserva para o feriado da Páscoa.

Estivemos lá neste fim de semana.

A casa que alugávamos virou uma espécie de cortiço, foi dividida no meio e várias famílias moram lá, embora ela permaneça ainda com aquele seu charme rústico-alpino.

A avenida principal tem até shoppings!!! A fila de carros é grande, o som dos restaurantes é alto, tem muita coisa lá que não combina em nada com as minhas lembranças do passado.

Tentei reconhecer alguns lugares, mas foi difícil.

Fizemos um passeio até a Pedra Redonda, onde uma vez passamos a noite, morrendo de medo de onça.... e encontramos um caminho quase que "urbanizado" com escadas, patamar de madeira, corrimão... tudo bem que o conforto da trilha melhorou muito, o que nós e as nossas pernas, que já passamos dos 50, agradecemos. A paisagem lá de cima compensa a caminhada.

Comemos trutas fresquinhas no Paulo das Trutas, desfrutamos de um rodízio delicioso de sopas (e barato) no Galinha da Roça, almoço caseiro no delivery Bom Di+ (na Vila Operária, a melhor comida de Monte Verde, sem dúvida), e na noite de sábado, uma pizzada animada na Taberna dos Irredutíveis Gauleses, que fica na pousada do Nico e da Bite (justiça seja feita, ela é que a responsável pelas leves e saborosas pizzas).

Conclusão: a viagem ao passado não existe. É impossível rever os mesmos lugares, sentir a mesma emoção daquela época que não volta mais. Mas ainda assim, a gente pode aproveitar a viagem, o que ela trouxe de NOVO para nós, o descanso, o verde, a lareira no quarto, o céu azul de doer.... a amizade que reavivou, os novos amigos...

Com o relacionamento, com a vida, acontece a mesma coisa. Cada dia é diferente do outro, cada minuto que passa não volta mais. Por mais que a gente queira isso. Portanto, o melhor que temos a fazer nessa nossa jornada doida pela vida afora é nos divertir, aproveitar, levar a vida do jeito melhor que pudermos, para que a nossa coleção de boas lembranças seja o tesouro que levaremos conosco ao partir daqui para uma melhor (assim esperamos, pelo menos, né??).

Portanto, leitor/a, aproveite a sua vida, curta cada bom momento, releve e apague da memória os maus e viva o hoje (porque o ontem já passou e o amanhã ainda não chegou, como já disse alguém)!

sexta-feira, março 15, 2013

Dias nublados



Adoro dias nublados!
Acho que é porque eles anunciam que algo vai acontecer, no caso, uma chuva.
A chuva lava a alma, lava a cidade, acaba com a poeira, o sufoco, o mal estar.
A chuva carrega as más energias embora.
A chuva alimenta as sementes que clamam por nascer, por brotar.
A chuva, com seu barulhinho suave, acalma, relaxa.
A chuva, quando acompanhada de trovões e raios, nos faz lembrar o quão pequenos somos diante da força da Natureza.
Adoro dias nublados!

Também adoro as segundas-feiras.
Mas essa é uma outra história.

(a foto foi feita por uma amiga minha, a Adriana, que publicou no Facebook bem no momento em que eu vi a mesma paisagem assustadora)

segunda-feira, março 11, 2013

Qualidade

Eu já falei deste livro, mas vale falar de novo....

Precisa entrar neste link e conhecer mais.

A poesia faz falta neste mundo. Muita falta! Aproveite, inspire-se.

Lançamento nesta sexta (22) às 19h, na livraria Cultura do Cjto. Nacional.

terça-feira, março 05, 2013

A mardita pinga!



Ou seja lá o que for que a pessoa escolha beber... Minha opinião é que a gente é que tem que dominar a bebida, e não a bebida dominar a gente. Adoro tomar vinho de vez em quando e uma cervejinha gelada cai superbem em certas ocasiões, principalmente sociais. Mas beber até ficar bêbado? Aí já é um exagero dispensável.

Um leitor aqui do blog, por exemplo, está cheio de problemas com a amada dele, que não aceita a ideia de perdoá-lo pela segunda vez. Tudo por causa da MARDITA!!! E ele me pede umas ideias criativas para tentar reconquistar a moça.

Só que eu esgotei todo o meu estoque de ideias criativas ao responder aos comentários daquele famoso post sobre a confiança, que deu tanto pano p/ manga. Ali mesmo no post e nos comentários tem um monte de ideias boas. Se funcionam? Não sei, espero que sim. Nada nessa vida tem garantia... E o "Consulta Sentimental" também não dá garantia de nada.

Naquele filme que eu citei no post, o rapaz fica dormindo dias e dias na soleira da porta da moça. Você estaria disposto a tanto?? Ela acaba se comovendo e decide dar a ele outra chance. Não é fácil não....

Quer ver a longa cartinha que ele me escreveu contando o desenrolar da história dele? Tá logo aqui embaixo... E convido você, que chegou agora ao meu blog, a ajudá-lo com as tais ideias criativas.... Vamos fazer uma listinha, OK?

Achei bem bonitinhas as tentativas dele. Em primeiro lugar, achei ótima a sua disposição em não beber mais. Mas pela linguagem (e pelos erros de português!!! rsrsrs) me parece que estamos falando de um rapaz bem jovem. E como eu disse outro dia a uma amiga, os homens, por natureza, sempre são mais imaturos que as mulheres... Eu, particularmente, torço para que ele não beba mais, que ele consiga reconquistá-la e que ela a perdoe. Isso aqui tá melhor do que a novela das oito.

ola eu visitei seu blog, sou o ultimo anonimo que postou sobre o termino do namoro por causa da bebida
e que quer mto reconquista a ex
hj jah fazem qse 40 dias que terminamos o nosso namoro, e eu ainda sinto mto a falta dela.
3 dias depois do termino eu liguei pra ela, pedi uma nova chance, disse que tinha aprendido a liçao.
mais ela apenas confirmou que assim seria melhor para nos dois. e que nao ia mais voltar.
2 semanas depois do termino eu fui na casa dela, cheguei lah com um lindo buque de rosas, e ateh de terno eu fui,
o discurso dela havia mudado um pouco, ela dizia que nao sabia se amava ainda, que estava confusa com os sentimentos dela,
eu disse que nao precisa me dar a resposta na hr, soh pedi pra ela que mantivessemos contato pelo facebook.

uma semana depois conversamos pelo face e eu perguntei pra ela
se eu deveria esquecer ela de vez e proucura outra mulher, ow se agente poderia conversa depois de um tempo
para podermos decidirmos se voltariamos ow nao,
e ela disse que agente poderia conversa daki a um tempo.

uma semana depois disso, minha irma conversou com ela pelo face, e ela disse a minha irma
que pensava em mim antes, mais que agora jah nao pensava mais
e depois eu falei com ela tbm, e ela me disse que nao ia voltar a tras em sua decisao
que erra uma vez ela perdoa, todo mundo pode errar, mais nunca no mesmo erro. se fosse outro erro ela ateh perdoaria
mais duas vezes nao.

eu sei que ela me ama, mais ela tem esse orgulho besta, ela diz que isso nao eh orgulho
mais sim mta magoa, pelas coisas que eu disse a ela.
mais eu de fato mudei, no primeiro erro ela perdoou de cara, e agente nem se separou
e eu nao pude sentir o que estou sentido agora. 
eu jah falei isso pra ela, mais ela nao que entender.
eu estava bebado, e nem direito oq eu disse, soh lembro de cobrar o mesmo amor
que eu demosntrava por ela. parecendo que ela nao me correspondia.
mais eu sei que esse eh o jeito dela. eu tava bebado.

eu nao quero mais beber. mais ela nao acredita em mim. ela disse nao confiar em mim
e q nao da pra voltar a namorar sem confiança.
eu gostaria mto de reconquistar a confiança dela,
vou tentar fazer o que vc me pediu,
vou mandar uma amiga minha entregar flores na sala dela amanha na escola.
vou tentar contato pessoal, mais tenho medo que ela me rejeite ow algo assim.

eh mto dificil mesmo reconquista a confiança
mais eu vou fazer de td, estou disposto a fazer qqr coisa
ateh pedi a um amigo que toca violao, para aprender uma musica,
para eu poder cantar pra ela com a ajuda dele.

vc pode me dar algum conselho de como agir?
alguma ideia criativa para eu fazer com que ela perceba que eu mudei realmente?

desde jah obrigado

segunda-feira, março 04, 2013

Dia da Mulher

Por que eu não gosto do Dia da Mulher? Pelo mesmo motivo que o Morgan Freeman não gosta da ideia de ter um mês da história negra, o que equivaleria ao nosso dia da consciência negra:


Eu acho que se nós, mulheres, lutamos tanto pela "igualdade dos sexos", por que agora queremos ser "diferentes" e termos um dia só nosso e recebermos homenagens só pelo fato de termos nascido com os cromossomos xx ao invés de xy?

Desculpe, mas não me convenço da utilidade de ter um dia da mulher. Mesmo porque não existe um dia do homem.

Eu achei que já tivesse escrito isso no blog, mas como não achei, resolvi escrever de novo o que penso a esse respeito.

Mas existe uma explicação para esse dia internacional da mulher, para quem tiver curiosidade, na Wikipédia.


Nireuda Longobardi


A Nireuda é minha amiga talentosa, que ilustra livros infantis como ninguém. E hoje descobri que ela escreve muito bem, também!! Sou uma grande fã do trabalho dela! Ela é uma pessoa talentosa, que está sempre correndo atrás daquilo em que ela acredita. Fez (e faz) um magnífico trabalho na diretoria cultural do Clube Anhembi e graças a ela é que me inscrevi no coral!!! Me encontrei lá. Não sei se canto bem, toda a vida meus lindos filhinhos do coração me fizeram acreditar que sou uma baita desafinada. Mas que amo cantar, isso eu amo. Sou a verdadeira cantora "amadora" - no sentido de ser amadora mesmo e de amar o que estou fazendo.

Incluí o link do blog da Nireuda aqui ao lado. Estou tentando ser mais presente aqui no meu blog, se bem que, às vezes, acho que já escrevi sobre tudo o que eu desejaria escrever....

Conheçam a Nireuda e depois me contem.

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Filhos



O filho de uma amiga vai estudar fora e o coração da mãe tá apertado.
Precisa ter coragem de deixá-los voar sozinhos pelo mundo.
Mas não tem outro jeito, não...

Boa ocasião para compartilhar com ela esse lindo, famoso e antigo texto aqui:


Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.
( Gibran Khalil Gibran )