quarta-feira, maio 02, 2018

Wedding Ana & Cid


Tive a imensa felicidade e a grande honra de ter sido convidada a ler um trecho do meu e-book Destino Algarve na cerimônia de casamento da Ana e do Cid.

Foi emocionante.

Estou muito grata! Gratidão, gratidão, gratidão.

Foi uma cerimônia incrível! Cada detalhe foi cuidado, pensado, tudo muito cool e elegante na simplicidade, do jeito que eu gosto. Fiquei feliz também com o reconhecimento da Luisa, que veio conversar comigo, com o namorado, o Antônio, e elogiou o meu texto. Bacana demais, Foi muito giro. Bué da fixe.



Resolvi postar os vídeos aqui para deixar registrado esse momento especial. Eu lendo, os inesperados aplausos e o tamanho da audiência. Foi mais fácil ler porque, exceto os noivos, eu não conhecia mais ninguém e nem ninguém me conhecia. Eu, a tímida disfarçada, até que me saí bem!



sexta-feira, abril 20, 2018

Onde é o lar?


Dedico esta canção à minha filha Marjorie Schibik. Por mais que a gente mude pra lá e pra cá, nunca se esqueça que você tem um lar aqui do nosso lado. Independente das coisas materiais que deixamos para trás, o que importa é que nosso coração estará sempre aberto pra te receber, em qualquer situação, em qualquer circunstância e em qualquer país. Obviamente o mesmo se aplica ao Tomás Schibik, mas ele já tem um lar bem estruturado e amoroso ao lado da Natália Tozi! O nosso lar é o lugar onde estão as pessoas que a gente ama, nem que não seja propriamente um "lugar físico". E tenho certeza que muitos dos meus novos amigos de infância, aqui de Portimão, identificam-se com o que estou a dizer. Meu desejo hoje é de uma luminosa sexta-feira a todos, daqui e de lá. A quem está longe de casa e a quem está perto do coração.

domingo, março 25, 2018

Porque não posso mais ser sua amiga



Oi, Carla Pontes, tudo bem?

Fui toda feliz e contente nesta tarde ver o seu concerto de voz & acordeão, acompanhada pelo talentoso Gonçalo Pescada, no Convento São José, em Lagoa, no primeiro horário.
Agora, enquanto derramo essas palavras aqui no computador, você deve estar concentrada para entrar no palco pela segunda vez. E enfeitiçar o público de novo. Assim como fez comigo.
Quando cheguei ao teatro (ex-igreja?), os lugares estavam todos ocupados e tive que me contentar em sentar na última fila. Justo eu, que sempre gostei de sentar na primeira.
Mas mesmo lá longe a sua mágica me alcançou, me atingiu em cheio. Imagino o que você não deve ter feito com aquelas pessoas que estavam bem pertinho de você.
Quando você entrou no palco, com seu vestido encarnado, pura emoção, já entendi que aquela apresentação seria especial.
O encarnado cintilante do seu vestido simbolizou todo o amor com que você impregnou aquele ambiente. Dizer que sua voz é angelical seria permanecer no lugar-comum.
Fui ver uma amiga cantar. Mas o que vi foi uma diva, uma deusa, uma fada. Sua voz preencheu cada espaço vazio, cada coração. O repertório traçou uma trajetória em que só estavam autorizadas as músicas de alta qualidade. Quer fossem estrangeiras ou portuguesas. Tudo com uma naturalidade e uma delicadeza comoventes. Parecia tão fácil para você entoar aquelas canções. No entanto, sua voz me transportou para fora daquele espaço, me fez viajar. Eu flutuava acima do meu corpo, no ritmo das músicas. Meus olhos me enganavam, criando uma aura de luz ao seu redor e ao redor do fantástico músico que a acompanhava no acordeão.
Seu sorriso, no intervalo entre as músicas, explicando tudo em português e em inglês, em respeito ao público multicultural que a aplaudia entusiasticamente, nos conduzia de volta ao espaço charmoso do Convento São José.
Porém, como disse no título deste post, infelizmente não posso mais ser sua amiga. Minhas amigas habitam o mesmo Universo que eu. Confuso, corrido, real. Mas você não. Assim como a bailarina, da “Ciranda da Bailarina”, do Chico Buarque, você mora em outro mundo, outro plano, um Olimpo reservado apenas a poucos. Como posso continuar a ser sua amiga? Não vai dar.... Agora, sigo na condição de fã. Gratidão pela sua arte que nos comove, e nos move. Isso sim foi show. Gratidão por ter iluminado minha tarde de domingo! Envio vibrações de muita LUZ e muito SUCESSO na sua trajetória. 

Um beijo.

Da sua ex-amiga,

Silvia  

sexta-feira, março 23, 2018

Porque não gostei do show do Bob Dylan



Tudo na vida é uma questão de balancear a realidade com a expectativa. O show do Bob Dylan, por exemplo. Sempre gostei das músicas dele, sempre o admirei. Portanto, fiquei muito empolgada quando descobri que ele tocaria em Lisboa. Em dezembro do ano passado compramos os ingressos: 3, para que pudéssemos levar a nossa filha também. Porém, realidade e expectativa não se coadunaram desta vez.

Lá fomos nós, bem cedinho, do Algarve para Lisboa, para ver o show à noite e passar o dia com a nossa filha. Claro que na nossa bagagem foi a expectativa de ouvir as canções mais famosas dele. Seria a primeira vez que tínhamos a oportunidade de estar em um show dele ao vivo.

Bem, começou o show. Mas antes mesmo de começar, reparamos que não havia telão. Ou seja, para nós, que conseguimos comprar 3 ingressos por 39 euros cada, no balcão 2, a possibilidade de ter a sensação de simplesmente VER o Bob Dylan já se esvaneceu por completo, antes mesmo de o show começar. No máximo, veríamos uma formiguinha no palco.

Até aí, tudo bem, pensamos que era devido à suposta autenticidade do músico. Vamos lá! Vai ser o máximo quando ele tocar aquelas músicas que desejamos ouvir.

Mas... ele entrou no palco e nem deu um simples "boa noite". Começou a tocar músicas desconhecidas e desanimadas. Uma atrás da outra. Teve um solo do baterista que foi bacana, devo reconhecer. Porém, ele nem ao menos apresentou os músicos, como se faz em todo show. Tocou "Blowing in the wind" no "bis", mas no mesmo ritmo cansado das demais músicas. 

Não falou “Boa Noite, Lisboa!” (nem em inglês). Agradecer, então... nem se atreveu. Nem um “muito obrigado”, nem mesmo um “thank you”!

No site, nada de setlist – o que deu para ver foi que este foi o primeiro show de uma turnê que percorrerá a Europa todinha. Eu só espero que ele não decepcione fãs em todo o continente, assim como me decepcionou.

O show era pobre. Parecia que tinha sido teletransportado diretamente dos anos 60 para o Altice Arena, em Lisboa, sem mudar nada. Nada de luzes, nada de emoção. Foi um show frio. A plateia estava igualmente fria. “Poxa, mas ninguém nem mexe os ombrinhos?”, perguntou minha filha, visivelmente decepcionada.

Bob, sei que você não tá nem aí. Meu marido disse que ele podia até ter tocado de costas para a plateia! Mas acabastes de perder uma fã.

Eu nem esperava que ele tocasse a “nossa” música (“Wedding Song”, pinçada por nós do álbum “Planet Waves”, de 74 – nós nos conhecemos em 75). Mas não teve nem “Forever Young”, do mesmo álbum?? Poxa... Agora a sensação é que precisamos escolher uma outra música para ser “nossa”, porque Mr. Bob, pra mim, você já era. E olha que fui daquelas que o defendeu quando ele esnobou o prêmio Nobel.

Há alguns anos, tivemos a oportunidade de ver o Sir Paul McCartney em Viena e ele tocou com grande prazer e emoção muitas das músicas dos Beatles. Mandou muito bem! Ou seja, não venha me dizer que o Bob estava “cansado” de tocar as mesmas músicas há anos. São as músicas que todo mundo espera, não apenas eu. Desculpe... mas não tem desculpa para esse repertório chato que me deu até sono!

Esta é a minha opinião.
(Nem vou dar ibope para ele publicando foto do show, mesmo porque a antipatia já começou aí. Antes do show, anunciaram em português e em inglês que era terminantemente "proibido" fotografar e filmar - em uma era que todo mundo quer mais a hashtag... Quem fosse pego cometendo esses delitos seria convidado a se retirar!!! Façameofavor.... Estamos felizes na foto, pois foi ANTES do show) 

segunda-feira, março 19, 2018

Você vive me chamando de louca...



Louca, eu??

Pensando bem, sou louca mesmo. Perdi a razão. Sou alienada, doida, maluca.
Sou desprovida de sensatez; insensata, temerária, estroina.
Por vezes, fico repleta de fúria; furiosa, alucinada.
Outras vezes, sou completamente dominada por uma emoção intensa: louca de alegria, choro, me descabelo.
Meu teor é intenso, sou viva, sou violenta: meu amor é louco.
Sigo no rumo contrário à razão; sou absurda: mergulho em projetos loucos.
Não tenho controle sobre mim mesma; sou descontrolada!
Gosto excessivamente de muita coisa; sou apaixonada: sou louca por leitura, livros, palavras, literatura, minha pequena família.
Não ligo para as aparências e adoto um aspecto incomum; não pinto mais meus cabelos, sou anormal. O normal me enfastia.
Não tenho bom senso, nem moderação, nem prudência. Sou imprudente.
Não sou previsível, nem controlada; sou imprevisível.

Qual é a etimologia, a origem da palavra louco? De origem controversa, como não poderia deixar de ser.

Louca é sinônimo de: alienada, doida, maluca, insensata, estroina, alucinada, furiosa, violenta, absurda, descontrolada, apaixonada, imprudente, imprevisível.

Louca é o contrário de: racional, prudente.
Não me identifico com a normalidade. Nunca fui racional e muito menos prudente. Sou intempestiva. Intensa. Inteira. Não preciso medir os passos e nem as palavras.

quarta-feira, março 14, 2018

Sete dicas para atrair o amor verdadeiro



Escrevi este post em homenagem a uma amiga que escreveu uma carta para Deus. Ela sabe que é especialmente para ela. Lá vai!

Nós somos bombardeados o tempo todo por frases comuns que acabam por se tornar verdades universais na nossa cabeça. Uma dessas frases é “ninguém pode ser feliz sozinho”, tem também aquela da tampa e da panela, e uma série de outras no mesmo estilo.
Então, a tendência é que aqueles de nós que estão momentaneamente sozinhos (entenda-se, sem um parceiro ou parceria amorosos) passam a sentir-se pior do que o cocô do cavalo do bandido.
Mas será que precisamos sentir que somos tão miseráveis assim?
Para sair dessa frequência, vamos tentar virar a chavinha dos nossos pensamentos, que os sentimentos virão atrás.

Em primeiro lugar, vamos apreciar a nossa completa, total e absoluta LIBERDADE! Tanta gente gostaria de ter a liberdade que temos quando não precisamos dar nenhuma satisfação para ninguém! Ah, que maravilha.  

Em segundo lugar, vamos parar de olhar para dentro de nós e de nos lamentar com a nossa (falta de) sorte e começar a olhar para aqueles que têm menos ainda do que nós. Mães que perderam os filhos, órfãos, pessoas que não têm teto, ou não têm trabalho, ou que sofreram algum tipo de violência. Ou ainda que estejam com alguma doença incurável. Nenhuma dessas pessoas devem sentir-se abandonadas por Deus, mas, ao contrário, devem ter certeza absoluta que nosso Pai celestial sabe o que é melhor para cada um de nós, que nos arrastamos pesadamente aqui no planeta Terra, com nosso corpo carnal. Na comparação com essas pessoas, estamos até que bem.

Em terceiro lugar, vamos olhar e agradecer por tudo aquilo que existe de bom na nossa vida. E por tudo aquilo, quero dizer tudo mesmo. Tipo os nossos cinco sentidos, nosso corpo, que nos leva daqui para lá, nosso pensamento inteligente que nos faz resolver questões das mais complicadas. Nossa força para resistir às “tentações”! Uma das tentações mais difíceis de resistir é a de nos considerarmos “vítimas” e nos entristecermos com a “falta” daquilo que ainda não temos, no momento. Eu queria tanto... um parceiro, uma promoção, um filho, uma casa nova, uma viagem, etc. etc. etc. Somos humanos e, por isso, estamos sempre a desejar alguma coisa que nos falta. Isso é muito natural.

Mas a Lei da Atração já foi muito explorada e explicada. Portanto, para atraímos aquilo que nos falta, o que temos a fazer é nos sentirmos felizes já, sentirmos que quilo que nos “falta” já faz parte da nossa vida. A dica de ouro é: abra um espaço na sua vida, na sua casa, no seu coração para esta pessoa e ela surgirá. Elimine imediatamente todas as crenças limitantes da sua mente (eu não mereço, não sou bonita, ninguém olha pra mim etc...) Como fazer isso?

1)      Tenha um espaço vago na sua cama, compre um travesseiro novo, extra, para essa pessoa.
2)      Enfeite sua casa com flores e deixe sempre um espaço vago à mesa para o caso de chegar alguém para te fazer companhia. Cuide de você e do seu espaço com carinho e atenção. 
3)      Procure no passado. Conheço um monte de histórias de amores resgatados do passado e já escrevi sobre isso no blog.  
4)      Para desbloquear o fluxo do amor, ame mais. Sabe aquilo de amar o próximo? Quem é o próximo? É a pessoa que está ao nosso lado em todos os momentos. Olhe para o seu lado, procure identificar se você pode ser útil para quem está do seu lado, em cada momento. Sabe aquela conversa dos escoteiros, de fazer uma boa ação por dia? Você vai se surpreender ao descobrir que pode sim ser útil nas mais singelas ocasiões.
5)      Estude o feng shui e descubra onde é o canto do relacionamento na sua casa e no seu quarto. Use as ferramentas que estão à sua disposição para energizar este canto (objetos em pares, cores rosa e vermelho, o que simboliza o amor para você)
6)      Não fique parada. Entre em sites de relacionamentos, procure essa pessoa no setor de livros de viagens em uma livraria, descubra como é a pessoa que você gostaria de ter na sua vida e tente ir aos lugares onde ela iria, entenda melhor quais seriam os assuntos pelos quais ela se interessaria... Seja proativa.
7)      Acredite ardentemente que a pessoa que você deseja também a deseja, que você merece encontrá-la e ela a você. Que você tem as qualidades que ele procura e vice-versa. Confie no Universo, que o Universo fará a sua parte.

As doídas saudades...



Aqui é o paraíso. O único problema são as saudades.

Como explicar esse sentimento? Essa palavrinha que só existe em português?
Saudades são como espinhos que pinicam a alma. São como fios invisíveis que te prendem a outro lugar, a outras pessoas, a outros cheiros.
Saudades são como uma falta. Uma falta concreta de uma presença determinada do seu lado.
Saudades são pequenas lembranças de fatos corriqueiros que só podem acontecer em determinado local, em determinado tempo, em determinado contexto, com determinadas pessoas.
Saudades são ansiedades da alma, é uma batida mais forte do nosso coração.
Saudades são como ventos quentes que nos trazem memórias de um tempo que não volta mais.
Saudades são como uma doença sem remédio.
São como uma poesia sem rima.

O pior de tudo é que não adianta se locomover no espaço para tentar curar as saudades. Porque quando você for para lá, ficará com saudades daqui.

Saudades... uma dor que só dói no peito de quem sente.

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Sobre o dia dos namorados


No Brasil, o dia dos namorados é 12 de junho, mas na Europa e nos Estados Unidos é hoje, 14 de fevereiro, dia de São Valentim. Alguém descobriu que frio combina melhor com namoro, por isso, a data é sempre comemorada no frio, quer seja no hemisfério norte ou no sul.

Eu já ganhei meu presente, que não foi propriamente um presente. Foi um abraço bem gostoso e quentinho antes que eu acordasse hoje pela manhã. Me senti realizada e confortável. Foi um ótimo presente. Depois de 43 anos de parceria, a gente fica menos exigente. Não nos interessam mais os jantares românticos, cheios de salamaleques e em geral muito caros. Não nos interessam as joias... depois de viver aqui no planeta Terra durante mais de meio século, a gente finalmente aprende que as coisas mais valiosas não são coisas.

Nenhuma coisa material é capaz de nos fazer felizes. Por isso, passei a colecionar pequenas felicidades nos meus potes de vidro, no decorrer dos anos, como já disse aqui no Consulta Sentimental

Todo esse blá-blá-blá é para desejar a toda a minha meia dúzia de leitores um Feliz Dia dos Namorados. Aprendam a valorizar as coisas realmente importantes. A verdadeira chave da felicidade é descobrir que é mais bacana dar um presente (material ou não) do que receber. Quando a gente entende isso, nossa vida instantaneamente se torna mais feliz. E isso vale também para quem não tem namorado, ou namorada. Pare de pensar em só receber e procure maneiras de dar/doar seu tempo, seu carinho e sua atenção. A um "prospect" (como diz minha amiga Estela), ou a um amigo ou amiga, um vizinho idoso e solitário, uma criança, um desconhecido. Tenho certeza que dá certo. Depois, me conte.

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Sobre o direito à tristeza


Nos dias de hoje, todos nós nos sentimos obrigados a sempre nos mostrarmos felizes, seguros, bem-resolvidos, poderosos, vencedores. Mas às vezes, bate uma tristeza... o que fazer? Disfarçar com aquele risinho amarelo? Lutar e combater esse sentimento? Eu acho que não. Acho que temos direito a ficar tristes de vez em quando. Não devemos nos entregar à tristeza e nem nos acomodarmos a ela. Mas temos o direito de ficar tristes sim de vez em quando. De nos fechar para balanço, de nos recolher, nos preservar.

Nesses momentos, temos que entender que nós somos a nossa melhor companhia. Podemos olhar para dentro e buscar as nossas qualidades, relevar os defeitos, dormir. Sei lá... de vez em quando dá vontade de deitar debaixo das cobertas e ficar lá bem no fundo, no quetinho, esperando a tristeza passar.

Ela vai passar. Ela tem que passar. Não pode se instalar do nosso lado e pronto. Não podemos achar que ela é uma boa companhia, uma boa conselheira.... Não.

Mas de vez em quando, sim. Não adianta lutar e nem mesmo tentar disfarçar. Ela tá ali e nos olha bem no fundo dos olhos. Procurando uma lágrima, uma fraqueza qualquer... E penetra ali, atinge o nosso coração, que começa a doer.

Só sei que temos que tentar sair depressa disso. Não sei como, mas precisamos....

Nem que seja comendo chocolate.

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Para ela, com amor

De vez em quando, o Consulta Sentimental tem a enorme honra de receber um dos primorosos textos da amiga Luciana Praxedes, que nos brinda com seu imenso talento literário. Segue mais um dos seus contos. Delicie-se.

Para ela, com amor

Ela prometeu que não escreveria. Que não faria contato, que não provocaria. Prometeu para ela e para você. Mas cada palavra atravessada, cada olhar cruzado, cada verbo seco a fizeram ter coragem de escrever para contar que ela sabe que chegou ao fim. Que ela sabe do silêncio. Ela sabe que você não é mais. Não está mais.

Por isso ela empacotou as caixas. As caixas de boas lembranças. São suas agora, se você quiser. Você não quis conversar, não quis explicar. Ela entende. Por isso pode levar. Leve cada caixa e faça o que quiser com elas, pois ela já guardou tudo em seu devido lugar. Na proporção que merece ter. Cada sorriso, cada beijo, cada lágrima. Tudo guardado, cuidadosamente. Está tudo aqui. Sempre estará.

Ela sabe que tudo foi do jeito que tinha que ser. Ela queria ter falado, ter gritado, ter tido a chance de compreender. Mas ela percebeu que seria inútil ignorar o fim. Deve ser por isso que o fim guarda uma espécie de serenidade que só acontece quando as lágrimas secam, quando já não há esperança de reverter o final do filme. O fim é esgotar as alternativas, é não acreditar em desculpas. É encaixotar cada memória. É deixar doer.

Fique com elas. Fique com as boas lembranças. Abra cada caixa com cuidado e com zelo. Com amor. Guarde-as, por favor. Mas apenas se quiser. Ela e você têm uma vida inteira para preencher novas caixas. Para gostar. Para desgostar. Para sofrer. E gostar de novo. Fique bem, porque ela, um dia, também se sentirá melhor...


Luciana Praxedes
14 de janeiro/2018