terça-feira, setembro 27, 2005

Uma vida

É um bom tempo para um ser humano ir se aperfeiçoando.
Quando eu era uma mocinha bobinha também feri o coração da minha mãe. A gente, quando tem de 17 a 22 anos, acha que sabe tudo sobre a vida e o mundo. Acha que todos os outros estão errados, mas a gente está certo. A gente se acha incompreendido. Ninguém entende a gente. Nossos pais, então... A gente quer se revoltar contra Tudo e contra Todos. A gente resolve tomar algumas atitudes só pra Chocar. A gente quer ser diferente, único. A gente só liga pros amigos da gente e pra Diversão. Daí, a gente quer experimentar tudo o que tem de Diferente e de Proibido na vida, porque isso que é legal. Legal é a gente fazer o que der na Telha. Ter vontade de alguma coisa e ir de encontro a ela, ao Prazer da Vida. Por que a vida não é só Prazer?
Trabalhar e Estudar são coisas chatas. Enjoativas. Que estão ali só pra deixar a vida da gente sem sentido nenhum. Porque o que seria bom seria passar o tempo todo curtindo músicas, bebendo (muito) com os amigos, fumando e Etc.

Mas hoje, eu sou mãe.
Ser mãe é uma coisa bem difícil de se fazer durante as 24 horas por dia. Se eu acabei de lavar a Louça e o filho está com fome, e eu trabalhei fora o dia todo, ele tem que se virar. Não sou daquele tipo de mãe abnegada, que deixa de lado tudo o que quer e gosta só por causa do filho, não. E acho que tô certa. Acho que filho tem que ter liberdade. Prender muito é errado. Ele tem que ter a vida dele, os amigos dele, o espaço dele.

Minha mãe também me disse hoje que já esqueceu como era a cabeça dela quando ela era uma mocinha.

Mas e quando o filho extrapola? E quando ele não dorme em casa de sexta p/ sábado (chega sábado às 7 da manhã e passa o sábado inteiro dormindo)? E quando ele sai de novo no sábado á noite e vem de madrugada? e, o pior de tudo, quando ele resolve passar TAMBÉM a noite de domingo na rua e volta às 8 da manhã na segunda e pede pra gente ligar pro trabalho dele pra inventar uma desculpa bem esfarrapada e nem se dá ao trabalho de levantar da cama o dia inteiro?

Isso sem mencionar que essa segunda-feira era SÓ o dia do aniversário do pai desse
moleque...

E quando uma das nossas melhores amigas conta que a filha de 15 anos (minha afilhada, by the way) fez piercing no peito? O que a gente faz / pensa numa hora dessas?

Sei que tem problemas no mundo, no trabalho, chefes chatos etc e tal. Mas nada se compara à dor de uma mãe vendo, de camarote, o filho tendo umas atitudes assim estapafúrdias. A gente se culpa. Sabe aquela clássica frase: onde foi que eu errei?
Ela passa pela cabeça da gente e fica dando voltas e mais voltas. E o exemplo que ele tá dando pra irmã dele, que só tem 12 anos?

Juro. Tem dias em que dá vontade de puxar a cordinha do ônibus e saltar fora. Juro.

Um comentário:

  1. Anônimo9:13 AM

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