sábado, março 28, 2026

A nossa vida multicultural de cada dia



Comente: quais palavras são mais curiosas para você?? 

Rotina matinal

Nós acordamos e ele me diz: - Anda cá! E damos o clássico beijinho de bom dia.

Visto minha calcinha, ele elogia a minha cueca. Depois, eu vou ao banheiro, faço xixi na privada, dou a descarga, lavo as mãos na pia, uso o fio dental e escovo os dentes. Ele vai à casa de banho, faz chichi na sanita, puxa o autoclismo, lava as mãos no lavatório, usa a fita dentária e lava os dentes.

Eu tiro o iogurte da geladeira e tomo o café da manhã, ele tira o kéfir do frigorífico e toma o pequeno almoço.

Eu tomo o café em uma xícara, ele toma o dele em uma chávena.

Eu lavo a louça e ele me agradece por lavar a loiça.

Eu visto uma camiseta legal, ele veste uma camisola gira.

Quando meu celular toca, eu respondo “Alô!” e quando o telemóvel dele toca, ele responde “Estou!”

Academia / ginásio

Eu pego a minha sacola, coloco por porta-malas do carro e vou à academia, ele mete o saco dele no porta-bagagens do carro e vai ao ginásio.

Eu vou ao vestiário trocar de roupa. Ele vai ao balneário fazer o mesmo.

Eu esqueci a chave do armário. Ele esqueceu-se da chave do cacifo.

Eu aviso a uma moça: - Cuidado, o cadarço do seu tênis está desamarrado! Ele avisa a uma rapariga - Cuidado, o atacador da sua sapatilha está desatado!

Para corrigir a minha postura, se fosse no Brasil, o personal me diria que eu preciso abaixar mais o bumbum. Aqui, o PT me diz que preciso abaixar mais o rabo.

Eu sinto coceira. Ele tem comichão.

No supermercado e nas compras

Eu pego um pote de sorvete, ele tira uma embalagem de gelado.

Eu quero abobrinha e ele tira uma curgete.

Eu gosto de caqui, ele adora diospiro.

Eu pego um pão francês e coloco no saquinho. Ele tira um cacetinho ou um pão brasileiro e mete no saco.  

Às vezes, encontramos produtos em oferta.

- Oferta é só quando nos oferecem de graça – ele me corrige. Vamos procurar alguma promoção.

Depois de finalizada a compra, as duas perguntas clássicas:

- Vai querer saco (sacola)? Contribuinte (número de contribuinte, ou o nosso CPF)?

E a despedida:

- Continuação de um bom dia!

Ou mais simplesmente:

- Continuação!

Atenção: Os sacos costumam sempre ser cobrados, por isso, é sempre bom ter um na bolsa, que também é chamada de saco!

Eu preciso comprar esmalte de unhas, desodorante e xampu. Ele me oferece verniz para unhas, desodorizante e champô.

Não como carne, portanto, não vou a açougues, e ele não vai a talhos, pela mesma razão.

Eu peço uma placa de isopor ao atendente de uma loja, mas ele tem a cara de pau de me dizer que está ocupado e não me atende. Ele pede uma placa de esferovite ao empregado de uma loja, mas ele tem a lata de dizer que está ocupado e não o atende.

Eu mostro a ele um livro bacana e incrível na vitrine. Ele me mostra um livro porreiro e brutal na montra.

Eu adoro as feiras de antiguidades, onde já compramos muitos lustres lindos. Ele adora as feiras de velharias, onde já compramos muitos candeeiros giros.

Eu compro calças jeans usadas que ficam perfeitas em mim. Ele não precisa comprar mais calças de ganga, porque já tem muitas.  

Comida

Na hora do almoço, estou em dúvida se como um sanduíche ou um bolinho de bacalhau e ele está em dúvida se come uma sandes ou um pastel de bacalhau.

Se eu comesse presunto, pediria um misto quente. Se ele comesse fiambre, pediria uma tosta mista.

Na cafeteria, eu explico à garçonete que quero um café expresso diluído com água quente, numa xícara grande, como se fosse um café expresso com mais água, mas não tão diluído quanto um carioca ou um americano. Ele vai à cafetaria ou à pastelaria e pede à empregada de mesa um abatanado.

Eu estou com vontade de comer bala, uma fatia de torta de limão e de tomar um suco de mexerica com canudinho. Ele tem vontade de comer um rebuçado, uma fatia de tarte de limão e de beber um sumo de clementina com palhinha.

Conto a ele que minha madrinha fazia um rocambole que era uma delícia! Ele traduz: tua madrinha fazia uma torta que era um pitéu!

Eu não gosto de chiclete. Ele não gosta de pastilha elástica.

No trânsito

Ele adora dirigir e é ótimo em fazer manobras em marcha a ré. Ele me diz que adora conduzir e que prefere estacionar em marcha atrás. 

Quando um motorista de um caminhão faz uma besteira, eu xingo: “que pessoa desagradável!”. Quando um motorista de um camião faz um disparate, ele pragueja: “que aventesma!”

Eu vejo uma moça muito magricela passando na faixa de pedestres com seu vira-lata na coleira. Ele vê uma rapariga escanzelada a passar pela passadeira de peões com seu rafeiro na trela.

Eu sigo pela rotatória, passo no caixa eletrônico e saco uma grana. Ele segue pela rotunda, passa no multibanco e levanta uma massa.

Antes de viajar, temos que passar no posto de gasolina para abastecer o tanque com diesel. Ele passa na bomba para encher o depósito com gasóleo. 

Antes de abastecer, é preciso puxar o freio. Ele puxa o travão de mão.

Na estrada, temos que pagar pedágio e ele me diz que na autoestrada temos que pagar as portagens.

O pneu do nosso carro furou, paramos no acostamento e é preciso ver se a roda está bem. Ele para na berma para verificar se a jante está em boas condições.

Eu pergunto se temos estepe e ele me responde que temos pneu sobressalente.

Eu digo a ele para colocar o pneu furado no porta-malas e ele me diz que vai colocá-lo no porta-bagagens.

Eu lembro a ele que precisamos passar a chapa do carro para a seguradora. Ele me diz que é preciso informar a matrícula da viatura para a companhia de seguros.

Temos que decidir se vamos de ônibus (nesse caso temos que ir até o ponto) ou de trem. Ele me diz que temos que escolher se vamos de autocarro (nesse caso temos que ir até a paragem) ou de comboio.

Conto a ele que gosto de carro conversível e ele me responde que um carro descapotável costuma dar problemas.

Diversão e estudo

Eu preciso fechar um envelope e procuro um durex ou um grampeador na escrivaninha. Ele precisa fechar um envelope e busca uma fita-cola ou um agrafador na secretária.

Quero usar meus lápis de cor, mas estão sem ponta, e eu preciso de um apontador. Ele me empresta o apara lápis dele.

«Meu mouse parou de funcionar», digo eu. «Tu precisas de um rato novo», diz-me ele.

Minha amiga reclama da criançada e diz que vai a um bar com a galera para espairecer. O amigo dele reclama dos miúdos e diz que vai sair para beber uns copos com a malta para espairecer.

A filha caçula da minha amiga é um bebê, usa chupeta e toma mamadeira. O filho mais pequeno do amigo dele é um bebé, usa chucha e toma biberão.

Minha amiga gosta de chope. O amigo dele gosta de imperial.

Penso em voltar a me inscrever na faculdade, mas acho que a mensalidade deve ser alta. Ele me explica que a propina geralmente é alta, porque é anual e deve ser paga de uma só vez.

Eu vou ao cartório e pedem o meu sobrenome e o meu RG. Ele vai à conservatória (ou ao cartório) e solicitam o seu apelido e o número do seu cartão de cidadão.

Decidimos ir à piscina e eu levo o meu biquini. Ele leva o fato de banho dele para a piscina (e diz assim: «pixina»).

Eu passo filtro solar para não ficar vermelha do sol. Ele não tem medo de pegar um escaldão.  

Festas

No fim do ano, costumo enfeitar a casa com o Papai Noel. Ele gosta que eu enfeite a casa com o Pai Natal.

Eu digo a ele que entrei de bicona em uma festa e ele me responde: - Cá não se usa essa palavra. E me convida a ir com ele comprar legumes e frutas à Hortícola Xana.

Eu digo que preciso fazer depilação e ele me pergunta se quero comer migas de grelos com ovos escalfados no jantar.

No fim do dia

Ao chegar em casa, adoro tomar um banho de chuveiro. Ele adora tomar um duche.

Recebemos a triste notícia de que um velhinho da aldeia bateu as botas. E ele: «Ele foi fazer tijolo no jardim das tabuletas».

Ele me pede para tratá-lo por tu, porque «você» aqui é muito formal. Eu me esforço muito e já fiz alguns progressos. Tento argumentar: - É muito difícil, depois de toda a minha vida a só dizer «você», aprender a conjugar os verbos na segunda pessoa do singular.

E ele responde: - É, pois.

Reconhece minha dificuldade e diz que não liga mais quando escapa um “Cê não acha?...” ao invés de “Tu não achas?...” 

Estamos cansados, o dia foi longo. Está na hora de fazer naninha... ou de fazer oó.

Eu estico o edredon na cama e ele puxa o edredão para cima de nós.

Eu digo a ele: «eu te amo, boa noite». Ele me diz: «amo-te, um bom soninho descansado».

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