quarta-feira, junho 21, 2006

Arrependimento

Quem nunca se arrependeu de nada? Da palavra áspera dita da hora errada, da atitude que feriu, da falta de atenção dada aos avós, que sempre vem acompanhada de remorso, quando percebemos que eles já se foram...
Mas, na minha opinião, embora a gente tenha que ficar atento (e muito) com essas atitudes destrambelhadas, o pior arrependimento é daquilo que a gente NÂO fez. Do telefonema que não demos, por orgulho ou por timidez, do gesto de carinho espontâneo que "brecamos" no meio, com medo de sermos mal interpretados, da falta de atenção ao horizonte e à natureza, quando tudo o que precisávamos era de um raio de sol para alegrar o nosso coração...
É difícil saber sempre qual é a atitude certa.
Mas acho que a gente tem uma tendência a perceber que deveria ter aproveitado melhor a vida só depois quando já é tarde demais.

Pra ilustrar, aquele poema "Instantes" que é atribuído a Jorge Luís Borges, mas que já disseram que não é dele... enfim, não se sabe quem é o autor. Mas acho que serve para reflexão. Nesse primeiro dia do Inverno.

"Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito,
relaxaria mais, seria mais tolo do que tenho sido.

Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.

Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somente
de ter bons momentos.

Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia a parte alguma sem um termômetro,
uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas e,
se voltasse a viver, viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver,
começaria a andar descalço no começo da primavera
e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua,
contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças,
se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo".

Eu ainda não tenho 85 anos. Então, dá licença, que vou tentar aproveitar melhor a minha vida.
E quem for sensato (ou insensato o bastante), que me siga.

Carpe Diem!

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