domingo, abril 13, 2008

Moral (a verdadeira)


Engraçado. Eu sei que quando alguém se atreve a cutucar a onça com vara curta, como dizia meu avô querido (como fiz no post anterior), corre riscos de ouvir opiniões contrárias, que eu respeito.

Cada um pode ter a opinião que quiser e fazer o que quiser da sua vida (e do seu blog). Mesmo porque cada ato tem as suas conseqüências (a tal da lei da ação e reação). Então, é por isso que a gente não tem que se incomodar com o que dizem, ou pensam ou fazem os outros. Essa é a minha filosofia de vida. Porém, aqui no meu blog, eu tenho o direito de dar a minha opinião sobre o que eu quiser, sentir vontade, inspiração, whatever.. . E, por outro lado, os comentários aqui são livres, cada um diz o que quer, o que pensa. E tem aquela história da minha eterna dúvida de como responder aos comentários... que eu já falei aqui no Efeito Pimenta (meu outro blog, p/ quem não conhece).

Mas hoje, em função do comentário do "Dono da Poltrona", que encontrou muito "falso moralismo" no meu post, quero falar aqui justamente sobre essa bandeira do "falso moralismo", que as pessoas levantam de vez em quando, como "desculpa" para certos atos. Ninguém gosta de ser tachado de falso moralista. Mas essa idéia é muito perigosa porque acaba fazendo com que a gente pense que a "moral" (a verdadeira) seja algo negativo, chato, careta. Mas não é! Quando eu tava na escola, as aulas de Moral e Cívica eram chatíssimas!!!! Mas eu acho que já tá na hora de resgatar esse conceito de Moral, no bom sentido. Moral não é algo chato ou algo do que se envergonhar. Quando eu entrei na ECA-USP, vi que idéias como Fé e Moral não eram nem um pouco valorizadas... Possivelmente, porque as idéias marxistas eram mais bacanas, não sei, mas aí é assunto p/ outro post, outro blog, inclusive.

A palavra ficou tão desgastada que as pessoas parece que têm vergonha de falar de Moral, em um tempo em que a TV - só para citar um exemplo - transita em sentido oposto.

Eu tenho uma filha de 15 anos. E acho que existem assuntos na TV, na Internet (principalmente no Orkut, que ela acessa every single day), até nas letras de música, que ignoram/ultrapassam a tal da Moral e ficam no campo do vulgar, do amoral, do podre, mesmo.

E pra mim, a minha religião (sou espírita kardecista, caso você ainda não saiba) serve de bússola, de parâmetro, de guia p/ me dar clareza de como enxergar a julgar as coisas. Porém, nem meu marido nem minha filha compartilham da mesma fé que eu. E eu tento aceitar isso também. Mesmo porque eu acho que a religião nem é o mais importante. O mais importante é o caráter da pessoa. E que valores ensinar? O que é "bom"? O que é "ruím"? O que a sociedade valoriza e deixa de valorizar? Como educar de verdade uma pessoa de 15 anos em meio a esse bombardeio de podridão que existe hoje na mídia, em geral (jornalismo e ficção, tudo no mesmo balaio de gatos)? Sem falar nos videogames, né, Evellyn??

Olha, é complicado. Muito complicado, mesmo.
Então, eu prefiro ser tachada de falsa moralista, quando defendo as idéias e os valores em que eu acredito, do que ficar de braços cruzados, vendo a personalidade da minha filha (e da minha neta, que ainda vai fazer um ano - e que ... bom, deixa pra lá) sendo formada, por essa avalanche de informações desencontradas que ela colhe nos meios de comunicação, sem filtro algum, sem Moral alguma....

Hoje em dia, parece que é um xingamento a pessoa ser tachada não só de "falsa moralista", mas de moralista, mesmo. O que é ser moralista? É defender a Moral, pobre palavra tão incompreendida... Vamos à definição do dicionário (Michaelis):

mo.ral
adj. m. e f. 1. Relativo à moralidade, aos bons costumes. 2. Que procede conforme à honestidade e à justiça, que tem bons costumes. 3. Diz-se de tudo que é decente, educativo e instrutivo. S. f. 1. Filos. Parte da filosofia que trata dos atos humanos, dos bons costumes e dos deveres do homem em sociedade e perante os de sua classe. 2. As leis da honestidade e do pudor. S. m. 1. Conjunto das nossas faculdades morais. 2. Disposição do espírito, energia para suportar as dificuldades, os perigos; ânimo. 3. Tudo o que diz respeito ao espírito ou à inteligência (por oposição ao que é material).

Será que é tão mal assim defender esse tipo de idéia?? O que você acha??

Eu não ligo de ser chamada de moralista... Acho até que é um elogio. Mas não gosto de ser chamada de falsa, porque aqui no meu blog, eu escrevo com o coração, com paixão, mesmo. Concordo que sou até meio chata de vez em quando. Agora, com esse papo de moral, então... Mas já que cutuquei a onça com vara curta, já que botei o dedo na ferida, então vamos lá...


mo.ra.lis.ta
adj. e s., m. e f. 1. Que, ou quem escreve sobre moral. 2. Que, ou quem preconiza preceitos morais.

Isso sem falar na moral cristã. Parece um palavrão! Mas a verdade é que eu acredito muito nessa moral. Acho mesmo que a Humanidade inteira precisaria conhecer um pouco mais sobre as idéias daquele judeu lá que chegou ao mundo há uns 2008 anos, um revolucionário. Amor. É isso. All you need is love, world. Por aí. Então, o aborto, definitivamente, não combina com nada em que eu acredito. E que me desculpem aqueles que pensam de maneira diferente. Se eu disser que não quero convencer ninguém estarei mentiindo. Quero sim, quero que as pessoas que pensam que um crime é uma coisa horrorosa mas que o aborto, tudo bem, pensem novamente. Think again. Só isso.

(ainda volto outro dia p/ falar da Ética, em um post tão intrincado quanto esse, provavelmente)
(Dono da Poltrona, obrigada pelo "gancho"!!)
UPDATE: O Dono da Poltrona explica, nos comentários, que não foi isso que ele quis dizer no comentário ao post anterior. Tudo bem. Serviu pelo gancho. Acho importante falar sobre moral, moralismo, falso moralismo. Acho que é um bom uso aqui pro meu espaço.

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