domingo, setembro 06, 2015

Eu sempre soube...



Não desde o dia em que ela nasceu, mas certamente desde o dia em que ela decidiu não dormir mais no berço. No dia em que ela decidiu (com gestos, já que ainda não falava tão bem) que não ia mais usar fralda noturna. E no dia em que ela, do alto dos seus dois anos de idade, resolveu dormir na casa de uma amiga minha, com quem pouco convivia. Ela sempre foi assim. Teve também aquele dia (inesquecível) em que ela me pediu para ser filha da professora de desenho.
Enfim... minha filha é assim. Metade mulher, metade cavalo: ela é de sagitário. Não tem sutileza. Não tem papas na língua. Quer abraçar o mundo, sorver a liberdade, se jogar. E o dia chegou. Ela já foi para o Canadá sozinha com 17 anos, estudar inglês e depois francês.
Para a Europa já foi várias vezes. E fazer trabalho voluntário na África. Minha conquistadora provavelmente conhece mais países do que eu tive a oportunidade de conhecer. Certamente conhece muito mais países do que eu conhecia quando tinha a idade dela. Minha primeira viagem internacional só aconteceu quando eu já tinha sido mãe, ou seja, nossas aventuras são outras. Mas eu tenho um enorme orgulho de ser a sua mãe.
Desta vez é um pouco diferente. Vai ser duro aguentar o quarto dela arrumadinho durante seis longos meses, que é o tempo previsto desta viagem. É duro ver que ela não precisa de mim. É dificílimo o meu coração entender que a gente cria os filhos para o mundo. Minha cabeça até entende. Mas o coração... Esse fica apertadinho, as saudades são espinhos que ficam furando e cortando o coração de mãe. Isso porque se passaram apenas duas semanas.
Só peço a Deus que a proteja, que ela ouça a sua própria consciência e que só faça escolhas certas. Que cresça, que se divirta, que aprenda e que volte pro meu abraço apertado.
Amo mais do que o oceano Atlântico que nos separa.
Vibro pela sua felicidade neste mundo.
Pelo seu sucesso, pela sua realização.
Nosso sonho, o de mandá-la estudar fora, finalmente se concretizou. Mas dói, viu?? Como dói.... Também peço a Deus que me dê forças e coragem.

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