sábado, dezembro 15, 2007

Festa sem aniversariante? Como assim?


Eu fiz sim as flores de papel crepom gigantes. E o pessoal do crepe veio sim e estava tudo uma delícia, sim.

Fui trabalhar na sexta na maior ansiedade. Até então, eu tinha certeza absoluta de que tudo daria certo. Massss..... a vida é uma caixinha de surpresas, né?

Minha aniversariante amanheceu na sexta com dor de garganta e queixosa.

- É ansiedade, por causa da festa. Espirra aquele spray de própolis com gengibre que é tiro-e-queda. Hoje à noite vc fica boa.

Ledo engano!

Ela não só não ficou boa como piorou, piorou, PIOROU!! As amigas chegando e ela prostrada no sofá, até que começou a tremer o queixo, de tanta febre. Eu fiquei mesmo muito, MUITO chateada com a situação. Acho que não me lembro de ter chorado tanto como nessas últimas 24 horas. O pai a levou pro hospital e ela precisou ficar umas duas horas tomando soro, coisa que nunca tinha acontecido antes. Enquanto isso, a festa das meninas rolava solta.

Fiz discurso: avisei que ela ia demorar pra chegar, mas como era uma "festa do pijama" as meninas estariam aqui quando ela voltasse. Daí cantáríamos parabéns, ela sopraria a velinha e faria o seu pedido, etc. Ainda estava eu a traçar os acontecimentos, de acordo com a MINHA vontade. Mas ela voltou, e não conseguiu ficar mais do que dois minutos ali com as amigas, que a liberaram p/ ir dormir.

Ela deitou na cama. Mal sabia eu que ia demorar um tempo muito maior do que eu gostaria antes que ela se levantasse de novo...

Parênteses: o Hospital

O Guilherme contou que gostou muito do médico que a atendeu no Pronto Socorro São Luiz do Morumbi. Um senhor muito simpático, que logo ficou sabendo que ela não morre de amores pelo seu atual pediatra... Ele prescreveu o soro, e receitou outro antibiótico que não o Amoxil. Afinal, há um mês ela tomou o Amoxil, pelo mesmo motivo: garganta.

Ficaram sabendo que era dia do aniversário dela e que ela pretende fazer Medicina. Pronto! Foi o que bastou para que todos viessem falar com ela, paparicá-la, enquanto ela ficava ali, tomando o tal do soro.

Fecha parênteses.

As meninas passaram a noite acordadas, dando risada, vendo filme de terror, gritando, fazendo algazarra, tocando flauta, felizes, uma verdadeira festa! Mas a dona da festa não estava lá. Ela nem comeu os deliciosos crepes de sete sabores diferentes, acompanhados de saladas de dois tipos diferentes e nenhum dos 5 sabores de crepes doces, acompanhados de sorvete de creme e/ou calda de chocolate. O pessoal do crepe ficou penalizado e fizeram uns dez crepes doces p/ eu guardar p/ ela comer depois.

O dia amanheceu e eu montei um caprichado café da manhã pra galera: geléias, pão francês fresquinho, leite integral e desnatado, panetone, achocolatado, café, mel, manteiga, margarina, aquela xicronas, colherinhas, acho que não esqueci nenhum detalhe. Elas vinham em levas e voltavam lá pra baixo.

E a Marjorie continuava na cama, totalmente febril, sem querer levantar pra nada.

As amigas começaram a ir embora, sozinhas ou em duplas.

Tinha amiga da escola atual, da escola antiga, do clube, amiga de amiga. Um verdadeiro "Clube da Luluzinha". Algumas perguntavam como ela estava. Outras estavam tão à vontade que mal se lembravam da amiga doente (pensei eu, no meu papel de mãe sensível).

Para todo pai/mãe que chegava eu contava a mesma história, sem esquecer de dizer que esperava que a doença ficasse em 2007. Que este ano enterrasse com ele toda e qualquer doença. E lembrei ainda de um outro aniversário dela que teve que ser cancelado, porque a aniversariante pegou catapora!!

Falei pra ela que gostaria que existisse a possibilidade de ficar doente no lugar dela, para que ela pudesse ter aproveitado a sua festa de 15 anos. Acho que toda mãe que tivesse essa possibilidade faria isso por um filho/a. Chorei mais uma vez.

As últimas quatro amigas foram embora, não sem antes comerem macarrão de vários tipos que servi de almoço umas 16hs da tarde... Chegaram o Tom e a Rafa. A Helena e a Fabi (babá) já tinham chegado antes, com o Guilherme, que tinha ido devolver a Montana que pegou emprestado dos dois, para ir buscar as mesas e cadeiras do trabalho dele, pois todos os lugares que alugam mesas e cadeiras estavam sem nada para este fim de semana.

O Tom, depois de dar para a irmã um lindo ramalhete de flores perfumadas, leu em voz alta a cartinha que escreveu para ela. Choramos, todos. Depois foi a vez da Rafa. Ela fez um quadro com fotos delas duas, scrapbooking sabe?, emoldurado, com uma flor vermelha no meio. Choramos tudo de novo. E depois fui ler a minha. Mas não deu... A Rafa fez isso por mim e chorei mais uma vez. Foi a maior choradeira da paróquia. Espero que as lágrimas também fiquem aqui em 2007.

Mas agora no fim do dia ela deu uma melhoradinha, começou a conseguir engolir goles maiores de Gatorade. O médico recomendou que ela tomasse qualquer líquido, de 10 em 10 minutos, sem qualquer tipo de negociação.

Resumo: eu estou podre de cansada. Ela dorme ao lado do pai, que estendeu um colchão do lado da cama dela. E sabe quem tá aqui? A Helena e a Fabi (babá). Porque amanhã (16) é aniversário de casamento dos seus pais (o Tom e a Rafa) e eles saíram pra comemorar.

Essa é a minha família, nossos altos e baixos, nossos momentos felizes e muito tristes.

Esse foi, sem dúvida nenhuma, um dos mais inusitados aniversários de 15 anos de todos os tempos. Ou não foi??

Já decidi: festas pra minha filhinha, daqui pra frente, só as de desaniversário!


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