quarta-feira, maio 26, 2004

Lá da infância longínqua...
O relógio marca 3h50. E eu acordo. E não durmo mais. E as lembranças da infância começam a rondar minha cabeça, junto com as preocupações do presente. Textos p/ escrever - coisa que eu adoro, então tenho que caprichar. E, de repente, vem a memória dos meus primos gêmeos, na verdade primos em segundo grau, filhos do Teté e da Zizi. O Teté é irmão da minha avó Flora. Um dia, eles foram brincar lá em casa. Minha casa tinha quintal e corredor dos dois lados. De um lado mais largo, do outro, bem fino. Dava pra dar volta nela, correndo. Foi o que fizemos. Eu não era muito de brincar, mas nesse dia, corremos muito. Até ficar com a bochecha vermelha, sabe como é? E os meus primos suaram tanto que foi preciso trocar de camiseta. Emprestaram blusas minhas. Em uma delas estava bordado meu nome. Foi engraçado.
Depois, outra história com os meus primos. Era festinha familiar de aniversário e estava frio. A moda era usar short com meia calça. E lá fui eu, de short, meia calça e um casaco comprido tapando tudo. Certo momento da conversa dos adultos, me pegaram pra vítima. Eu, quietinha lá no meu canto, tímida pra caramba. Essa timidez era meu "escudo protetor" - por dentro eu criticava tudo e todos. Não podia me manifestar pois corria o risco de ser criticada também, entende? Sei, é meio complicado de entender. Mas era assim que eu pensava, na minha sabedoria dos meus 11, 12 anos. Por aí.
Bom, aí minha mãe:
- Ela tá de short por baixo do casaco. Mostra, Silvia!
- Não, mamãe, não precisa.
- Ah, mostra, vai - imploram as tias, os tios, toda a festa, em resumo.
Não abrir o casaco e deixar de mostrar meu short (era preto - e a gente falava shorts, acho que com a mesma lógica paulistana do chops) ia causar polêmica ainda maior.
Cedi.
- Ah, que lindo!
- Olha, que gracinha!
- Fiu, fiu...
Bom, se eu dissesse que fiquei vermelha, seria pouco. Eu queria que abrisse um buraco ali bem no meio da sala dos meus tios pra eu me enfiar, de tanta vergonha.
Cada uma... Lembrei disso de madrugada. Como eu não conseguia mesmo dormir, adiantei um pedação do cachecol de tricô que tô fazendo pra Delly.
O relógio despertou às 5 horas (coisa do Gui).
E a vida continua, normal.
Mas minha cabeça tá lá no passado distante. Tentando entender, com saudades dos meus primos. Por onde será que eles andam?

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