domingo, outubro 31, 2004

Praia!
Estou aqui na casa do meu pai, em Caraguá. Se não fosse pela ausência do Tom e do Guilherme, o dia teria sido perfeito, com sol, praia, céu azul e agora uma chuvinha pra refrescar.
Dormi no quarto que era da vovó Flora, que se foi há pouco tempo. Recebi uma caixinha forrada de relíquias que eram dela, de presente do meu pai e da Aparecida. Não liguei tanto para as coisas de ouro. Gostei mesmo de ter a chance de ler as cartas que meu avô escreveu para ela, e que ela escreveu para ele. Ele foi soldado e lutou em Ourinhos em uma guerra. Ficou um ano distante de casa, quando meu pai era pequeno. As cartas que ele escreve transpiravam um amor e um carinho indescritíveis, assim como as cartas da minha avó, que usava o diminutivo para descrever os seus sentimentos.
Minha avó sempre foi uma mulher de personalidade forte, autoritária e dominadora. Mais velha de nove irmãos, ela e meu avô sempre formaram um casal perfeito. Ele, a doçura em pessoa. Ela, mandona, durona, mas muito organizada.
Nunca vou me esquecer dos vestidinhos que ela costurou para todas as minhas bonecas para deixá-las bonitas para esperar o Natal, das "pinhulatas", panetones e outros doces italianos que eu já esqueci o nome, que o vovô ajudava a fazer, das histórias que ela me contava da sua infância na fazenda em Mococa, e das histórias que o vovô contava sobre a guerra e as pescarias com o dr. Figueiredo. Tantas saudades daquele tempo, daquela vida que não volta mais... Eu espero que os dois tenham se encontrado no Céu e que continuem a viver essa linda e maravilhosa história de amor que os uniu, que deu origem ao meu pai e por conseqüência, a mim e à minha família. Os fios da vida se entrelaçam e tecem uma teia de emoções que se repetem, se renovam e nutrem a vida. Desejo, do fundo do meu coração, que eles estejam bem, onde quer que estejam.
Mudando de assunto: pela primeira vez na minha vida não votei. Justifiquei. E ninguém pode me culpar de nada. Me sinto estranhamente livre.
Obrigada a Ivis, Alê, Pri, Dígito, Ciça, Ingrid, Maith, Stela, Mauro, Maitê e Zana: vocês não podem imaginar o quanto eu valorizo o tempo que vocês gastam para vir até aqui e deixar um comentário. Bjs.


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