quinta-feira, abril 27, 2006

O trem


Em São Paulo, tem um trem que contorna o rio Tietê (ou Pinheiros?).
Bom, mas enfim, tem o tal trem. Ele pára aqui pertinho da firma.
Então, andei de trem algumas vezes e queria tecer alguns comentários sobre a experiência.
Bom, primeiro, correndo o risco de parecer metida, tenho que confessar que lembrei das minhas viagens a Paris e Londres, cidades onde eu mais andei de metrô in my life.
Lá, todo mundo tem o seu livrinho ou jornal nas mãos. Cultura, saca? Aqui, até que muita gente tem sua leitura também, mas bem menos do que lá fora.
Não sei quem inventou que tem que ter música alta na plataforma. É quase como uma balada. Caramba, pra quê todo aquele volume?
Um dia, resolvi ir embora às 18h30. Pra quê? Peguei uma muvuca no trem, que nem te conto. Um espreme-espreme danado.
Pensei que ali, todos os cinco sentidos da pessoa são aviltados. Você fica esmagada no meio de pessoas que nunca viu e talvez nunca verá de novo. Para as pessoas, aquilo é comum, normal. Mas é tão surrealista... E o cheiro do rio, então? Fala sério... Não é mole, não. E todo mundo com aquela cara de paisagem, como se nada estivesse acontecendo.
Outra coisa que dá sensação de poder, pra contrabalançar, é passar sobre aquele mar de carrinhos a zero por hora na Marginal. Até parece que vc vai chegar em casa antes deles, mas dá impressão que sim. Olha p/ um lado: tudo vermelho (as luzes traseiras). Pro outro, tudo branco (as luzes dianteiras). E aquela gente apressada, correndo pra chegar na plataforma e ficar lá um tempão de pé, esperando o trem chegar.
É dureza.
E depois tem a diferença gritante entre a estação que fica em frente à Daslu (sabe, né? essa é perto da firma) e a que fica na ponte da Cidade Universitária, onde desembarco. A da USP é "despojada", e a outra, toda arrumadinha, até jardim na entrada ela tem.
Bom, é isso. Não tem nada de extraordinário em andar de trem. Mas fico pensando que poderia ser uma transporte mais digno pra quem depende dele todo dia. Será que o nosso presidente (ou o governador, ou o prefeito) tem noção de como o povo sofre nesse transporte coletivo?
Por isso, continua aquela situação de cada um sozinho dentro do seu próprio carro e o trânsito cada vez pior.

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