terça-feira, abril 06, 2004

Filha única
Hoje vou contar como é ser filha única. Na infância era quase um palavrão. Uma ofensa. "Ela é filha única!" - apontada na perua, na escola... Um horror.
Enquanto naquelas conversas de escola todo mundo reclamava do irmão ou da irmã, eu reclamava da minha avó, tadinha... Bom, eu tinha que reclamar de alguém...
Bonecas? Eu tinha um monte. Criança pra brincar? É, tinha a Denise, uma vizinha, que não podia brincar tanto comigo quanto eu gostaria.
Teve um aniversário - a minha mãe conta - que eu chorei muito porque não veio nenhuma criança na festa...
Daí eu cresci. Pensa que melhorou? Que nada! Ainda por cima, com os pais separados, a família é quase assim uma ficção. Coisa de propaganda, sabe? Imagino que na outra encarnação eu deveria ter tido uns 15 irmãos. E devo ter reclamado tanto aos céus, que eles resolveram descontar nesta. Primo? Sim, tenho um. Tio? Um, também. Tia? Praticamente não tive. Meu tio casou depois de mim... Ou seja, aquela tia, irmã da mãe, em geral, mais chegada? Deve ser bom ter uma dessas, mas não sei como é. Meu pai é filho único também.
Faz falta ter tido irmão (ter brigado com irmão) para poder sobreviver na selva corporativa em que nos debatemos todos. Faz falta ter irmã para deixar os filhos quando a gente quer ir ao cinema ou ao teatro à noite. Faz falta ter irmão e irmã para ter um Natal feliz. E agora que a Páscoa se aproxima, faz falta ter irmão e irmã para que eles também comprassem ovinhos pros filhos da gente.
Resumindo, é isso que eu sinto. Por isso, fiz tanto esforço para ter o "segundo filho" que no meu caso é uma filha. Mas ela demorou 9 anos p/ nascer. Ou seja, tenho, na verdade, dois filhos únicos. Eita destino cruel.
Ah! A insônia passou sim e tem muito trabalho aqui. Por isso andei sumida.

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